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Fundador da 777, ex-dono da SAF do Vasco se declara culpado de fraude milionária

Joshua Wander admitiu participação em esquema que fraudou credores e investidores em mais de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões)

PorRedação Lance!•Rio de Janeiro (RJ)
15/10/2026 21:27
Josh Wander em visita ao Estádio de São Januário
Josh Wander em visita ao Estádio de São Januário (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco)

Joshua Wander, fundador e ex-CEO da 777 Partners, empresa que controlou a SAF do Vasco, declarou-se culpado de fraude eletrônica e fraude de valores mobiliários nos Estados Unidos. A confissão foi anunciada nesta quinta-feira (15), pelo Ministério Público do Distrito Sul de Nova York, em um caso que envolve um esquema de fraude superior a US$ 500 milhões contra credores e investidores.

Como parte do acordo judicial, Wander concordou em abrir mão de pelo menos Joshua Wander admitiu participação em esquema que fraudou credores e investidores em mais de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) em ganhos relacionados ao esquema ilegal. O empresário, de 45 anos, apresentou sua declaração de culpa perante o juiz federal J. Paul Oetken.

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Segundo as autoridades americanas, Wander comandou uma operação que se estendeu por vários anos e envolveu o uso indevido de recursos financeiros, a apresentação de garantias falsas e a adulteração de documentos bancários para obter dinheiro de credores e investidores.

Membros da 777 Partners durante visita ao CT Moacyr Barbosa
Membros da 777 Partners durante visita ao CT Moacyr Barbosa (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

Entenda o esquema de fraude da 777 Partners

De acordo com os documentos do processo, a 777 Partners tinha como principal atividade inicial o financiamento de acordos estruturados. Com o passar do tempo, a empresa ampliou seus investimentos para outros setores, incluindo companhias aéreas e equipes esportivas profissionais.

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No entanto, segundo a acusação, a companhia não dispunha de recursos suficientes para financiar as novas aquisições. Wander teria ordenado, então, que valores restritos disponibilizados por credores fossem utilizados para custear compras e despesas da empresa, incluindo investimentos em clubes de futebol.

Para viabilizar as operações, o empresário teria apresentado como garantia ativos que a 777 Partners não possuía ou que já haviam sido oferecidos a outros credores. A investigação também apontou que funcionários receberam instruções para alterar digitalmente extratos bancários, fazendo parecer que a empresa tinha milhões de dólares disponíveis em caixa.

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Em 2021 e 2022, Wander também captou mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) em investimentos externos por meio da venda de participações na 777 Partners e em uma empresa afiliada. Conforme as autoridades, informações falsas sobre a situação financeira da companhia foram apresentadas aos investidores.

Em março de 2022, o empresário ainda teria solicitado um empréstimo de US$ 20 milhões a uma instituição financeira, apresentando dezenas de extratos bancários adulterados. Os documentos, segundo a acusação, tinham o objetivo de esconder o desvio de recursos, parte dos quais teria sido utilizada em negociações com opções financeiras.

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O esquema começou a desmoronar em março de 2023, quando um dos credores questionou Wander sobre a existência de ativos oferecidos como garantia em duplicidade. Na ocasião, ele teria atribuído o problema a uma falha no antigo sistema de computadores da empresa e voltado a negar que a duplicidade tivesse sido intencional. Wander deixou o cargo de CEO da 777 Partners em 2024.

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Josh Wander, sócio-fundador da 777 Partners, em visita ao Vasco
Josh Wander, sócio-fundador da 777 Partners, em visita ao Vasco (Foto: Reprodução/Vasco)

Qual é a pena que Joshua Wander pode enfrentar?

Wander se declarou culpado de duas acusações: fraude eletrônica e fraude de valores mobiliários. Cada uma prevê pena máxima de 20 anos de prisão, conforme a legislação americana. A sentença está marcada para 1º de março de 2027, quando o juiz federal responsável pelo caso determinará a punição. Portanto, a pena definitiva ainda não foi estabelecida.

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Em comunicado, o procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, Jamie McDonald, afirmou que o empresário utilizou a companhia para obter centenas de milhões de dólares de credores e investidores por meio de informações falsas e garantias fraudulentas.

O caso foi investigado pelo FBI e pelo Homeland Security Investigations (HSI), com assistência da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).

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