Daniel Alves pede que protestos não sejam temas de coletivas do Brasil
Um dos primeiros jogadores a se manifestar sobre a onda de protestos no Brasil, o lateral-direito Daniel Alves pediu que o assunto não seja pauta das entrevistas na Seleção Brasileira durante a Copa das Confederações. Nesta sexta-feira, o jogador deu o recado em nome do grupo e garantiu que futebol ainda é encarado com paixão pelos brasileiros, independentemente do momento conturbado.
- Acredito que a Seleção é motivo de alegria para o resto do Brasil. Já falamos muito sobre o que está acontecendo e, como nossas ideias já foram expostas, gostaríamos de estar focados apenas no grande jogo contra a Itália - frisou o jogador.
Todos os jogadores que se pronunciaram por meio de entrevistas e rede sociais, como Neymar, Dante e David Luiz, apoiaram as reivindicações, desde que fossem feitas com paz.
O registro de conflitos entre pessoas e polícia e a depredação do patrimônio público durante as manifestações em todo o Brasil, porém, são um dos motivos que fazem com que os jogadores não comentem mais o assunto.
- Gostaria que não fosse solicitado. É uma questão delicada e não queremos mais debater isso publicamente - pediu.
O técnico Luiz Felipe Scolari, por sua vez, questionado por um jornalista italiano, adotou discurso político, dizendo que acredita em mudanças no país para o futuro, desde que sejam feitas em conjunto entre população e governo.
- Todos queremos nosso país com justiça e também as pessoas que estão no governo pensam isso, e não podemos só crucificar. Muitas vezes as situações não evoluem. Vamos trabalhar juntos para que possamos mudar, mas não em um dia. Sempre sou otimista e temos potencial para isso. Espero que vocês que estão vindo de fora saibam que não é normal no momento, mas daqui a 20 anos podemos mudar - comentou.
Na sequência, o técnico voltou a ser abordado sobre a questão futebol e política e se acreditava que a Copa de 2014 não poderia acontecer mais no Brasil. Sem titubear, Felipão mandou o recado:
- Tenho de cuidar da minha Seleção. Nosso trabalho é jogar futebol e ganhar os jogos pelo Brasil. Outras áreas são de outras pessoas e eles têm de fazer o melhor. Cada um na sua - disse Felipão, dizendo que não colocou nenhuma norma ao grupo.
- Na nossa Seleção, todos têm liberdade de se manifestar. Todos podem ter atitudes e assumir suas atitudes. Quando alguma coisa for passada, ferida o comando, aí tomo algumas decisões. Aqui, nenhum pisou na bola, nem um pingo - comentou.

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