Navone, bisneto de brasileira, e sua inusitada maneira de buscar patrocínios

Principal cabeça de chave, argentino estreia nesta quinta no Costa do Sauípe Open

PorGustavo LoioCosta do Sauípe (BA)
23/10/2025 08:30
O argentino Mariano Navone, principal favorito do Costa do Sauípe Open (João Pires/Fotojump)
O argentino Mariano Navone, principal favorito do Costa do Sauípe Open (João Pires/Fotojump)

Quem vê o sorriso fácil de Mariano Navone fora e, muitas vezes, dentro de quadra talvez não imagine que esse argentino, de 23 anos já passou dificuldades para seguir no tênis. Em 2020, o ex-top 29 do mundo e atual 85º, que estreia nesta quinta-feira no Costa do Sauípe Open, encontrou uma maneira inusitada de buscar patrocinadores: enviando e-mails.

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- Era um momento muito complicado, de bastante compromisso familiar e um desgaste muito grande econômico. Também contei com a ajuda de muitos amigos (inclusive para enviar os e-mails), muita gente solidária, até que consegui o primeiro patrocínio, da Dunlop (marca de raquetes). E, hoje, praticamente cinco anos depois, ver onde estou e posso me manter é motivo de orgulho - conta o principal cabeça de chave do torneio baiano, em entrevista exclusiva ao Lance! O rival desta quinta, em torno das 13h (de Brasília) é o americano naturalizado libanês Hady Habib (170º).

Fã do compatriota ex-tenista David Nalbandian (vice-campeão de Wimbledon em 2002), especialmente de seu backhand de duas mãos e da devolução de saque, Navone viveu, em 2024, uma temporada que foi um divisor de águas na carreira. E um dos momentos mais especiais daquela temporada foi o Rio Open, onde furou o qualifying (classificatório, vencendo duas partidas) e alcançou a final, onde foi derrotado pelo compatriota Sebastian Baez. Naquela semana o argentino ganhou suas quatro primeiras partidas de ATP, o que o fez debutar no top 100. A terceira delas foi contra João Fonseca, nas quartas de final. O tenista carioca, por sinal, aos 17 anos, ganhou, naquela semana, seus dois primeiros jogos nesse nível de torneio (contra o francês Arthur Fils e o chileno Cristian Garin).

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Momento inesquecível na Davis

Em janeiro deste ano, o 'hermano' viveu outra experiência ímpar, ao estrear na Copa Davis (contra a Noruega, fora de casa). Derrotado por Casper Ruud no primeiro embate, venceu Nicolai Kjaer no quinto e decisivo jogo (vídeo abaixo).

- Representar a Argentina é incrível, o máximo. Estar na seleção argentina de tênis é o maior privilégio para um tenista. Ter vencido o quinto duelo, garantindo a classificação, foi muito especial. Todos os pontos na Davis são importantes, mas conquistar o decisivo foi muito especial.

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Elogios à estrutura de Sauípe

No Sauípe, nem mesmo os dois dias seguidos de chuva (que atrasaram a programação) tira o bom humor de Navone:
- A chuva é a mesma em todos os lugares. Às vezes, o vento e a chuva nos acompanham, mas tudo bem. Aqui está chovendo bastante, mas é um lugar muito lindo. O hotel é impressionante, as pessoas são gentis, atenciosas. Algumas delas também trabalham no Rio Open, então já conhecíamos. E ainda temos a facilidade de ir à pé para as quadras, sem precisar de carro. Então, estou muito feliz aqui.

Fã de Gabigol e Neymar

Torcedor ilustre do Argentinos Juniors, Navone sonha em ver o time voltando a vencer a Copa Libertadores, o que não acontece desde 85.

- É um orgulho representar o clube, sou muito grato por ter o Argentinos Juniors na minha vida.

Bisneto de brasileira, por parte de mãe, o principal favorito do Costa do Sauípe Open também aprecia o futebol do país:

- O nível é muito impressionante, gostava do Alexandre Pato, que jogou no São Paulo, do Neymar, que está agora no Santos, e também do Gabigol.

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Sempre à vontade no Brasil, onde já, inclusive, passou férias, o ex-top 29 não vê rivalidade entre os dois países no tênis:

- Há muitos brasileiros treinando na Argentina e vice-versa. Há, também, os treinadores argentinos com brasileiros. Então, não há uma rivalidade como no futebol.

Por falar nisso, qual sua relação com Felipe Meligeni?

- É uma relação muito boa. Ele está voltando uma lesão, nos falamos recentemente. Foi uma notícia muito triste a morte do pai dele há poucos meses. Eu e Felipe já fizemos preparação física juntos, há uma amizade de alguns anos. Ele é a pessoa mais engraçada que vi no tênis, nos divertíamos muito nos treinos - recorda o sexto melhor argentino da atualidade (são sete do país no top 100).

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No Sauípe, Navone espera repetir um feito que, até hoje, apenas um compatriota fez, Guillermo Cañas, em 2007, no Brasil Open: conquistar o título. Na época, o resort baiano sediava um ATP 250.

- Estou pronto. Que seja eu ou um dos garotos (compatriotas) - respondeu, com mais um sorriso no rosto.

* O repórter viaja a convite da organização

O argentino Mariano Navone, principal favorito do Costa do Sauípe Open (João Pires/Fotojump)
O argentino Mariano Navone, principal favorito do Costa do Sauípe Open (João Pires/Fotojump)
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