João Fonseca tem chances de quebrar escrita de 22 anos em Roland Garros

Em 2004, em Paris, Guga Kuerten era o 30º do mundo, como o jovem carioca

PorGustavo LoioRio de Janeiro (RJ)
31/05/2026 08:20
Atualizado em 31/05/2026 12:59
Guga Kuerten e João Fonseca em 2018, na Copa Guga, em Florianópolis (Arquivo)
Guga Kuerten e João Fonseca em 2018, na Copa Guga, em Florianópolis (Arquivo)

João Fonseca nem era nascido na última vez que um compatriota - na chave masculina - passou das oitavas de final de um Grand Slam. Pois, neste domingo, às 15h15 (de Brasília), se vencer o favorito norueguês Casper Ruud (16º do mundo e ex-top 2), o número 1 do Brasil, de 19 anos e 30º do ranking, vai repetir o feito que o tricampeão Guga Kuerten protagonizou em Roland Garros, em 2004. Na chave feminina, a paulistana Bia Haddad, há três anos, foi semifinalista no principal torneio no saibro do circuito.

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A edição de Paris há 22 anos, por sinal, foi palco do último grande ato do ex-número 1 do mundo em um dos quatro mais importantes torneios do circuito, onde ele triunfara em 1997, 2000 e 2001. Naquela ocasião, Guga impôs um inapelável triplo 6/4 sobre o suíço Roger Federer, na terceira rodada, e, em seguida, eliminou o espanhol Feliciano López. A campanha do ídolo brasileiro, que era 30º do mundo, mesma posição de João Fonseca atualmente, foi encerrada nas quartas de final pelo argentino David Nalbandian (8º).

Desde aquela bela campanha de Guga no saibro parisiense, Thomaz Bellucci foi o único brasileiro a passar da terceira rodada em um Slam. O feito também foi alcançado em Roland Garros, em 2010. Naquela semana, o paulista, nascido na cidade de Tietê, tinha um ranking muito semelhante ao de João Fonseca: 29º.

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Não por acaso, apenas Guga (1º) e Bellucci (ex-21º) são os únicos, da história do tênis masculino brasileiro, que alcançaram um ranking melhor do que o de João Fonseca. Como se sabe, em outubro de 2025 o número 1 do Brasil chegou ao 24º lugar, sua melhor posição até agora, igualando a marca da lenda gaúcha Thomaz Koch.

Guga, inspiração para João Fonseca

Semana passada, o pupilo do técnico Guilherme Teixeira exaltou o tricampeão de Roland Garros:

- Ele é um ídolo não só por causa do tênis, mas também pelo carisma. Não só jogadores de tênis, mas pessoas que gostam do esporte o adoram. Tudo o que ele faz, ele faz com um sorriso no rosto, então ele não é só um ídolo para mim, mas também uma inspiração.

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Se derrotar Ruud neste domingo, Fonseca enfrenta, nas quartas de final, o vencedor do jogo entre o tcheco Jakub Mensik (27º) e o russo Andrey Rublev (13º). O número 1 do Brasil guarda ótimas recordações de ambos os tenistas. Em dezembro de 2024, derrotou o rival da República Tcheca no NextGen Finals, na Arábia Saudita. Um mês depois conquistou, diante do russo (então 9º), na estreia do Australian Open, naquela que foi, até a última sexta-feira, sua maior vitória na carreira. A primeira contra um top 10.

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Rival vem do vice em Roma

Há 14 dias, Ruud perdeu a final do Masters 1000 de Roma para o líder do ranking, o italiano Jannik Sinner. Nesse nível de torneio, o norueguês tem um título: em Madri, ano passado. Em Slams, são três finais do melhor tenista da história da Noruega: Roland Garros e US Open de 2022 e Paris, em 2023, quando perdeu, respectivamente, para os espanhóis Rafael Nadal e o espanhol Carlos Alcaraz, além de Djokovic.

Em 2022, além dos dois vice-campeonatos em Slams, o norueguês venceu o Prêmio Stefan Edberg Sportsmanship, que é dado ao tenista que demonstrou o mais alto nível de profissionalismo, integridade, e respeito aos colegas de profissão fora das quadras. A eleição é feita por ex-líderes do ranking mundial e o nome é uma homenagem ao ex-tenista sueco conhecido mundialmente por seu comportamento exemplar e elegância ao longo da carreira.

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O brasileiro João Fonseca comemora após vencer o sérvio Novak Djokovic ao final da partida de simples masculina no sexto dia do torneio de tênis de Roland Garros, na quadra Philippe-Chatrier, em Paris (Foto: Dimitar Dilkoff / Afp)
O brasileiro João Fonseca comemora após vencer o sérvio Novak Djokovic em Roland Garros (Foto: Dimitar Dilkoff / Afp)
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