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Análise: João Fonseca teve atitude gigante contra o maior de todos, Djokovic

Números mostram o quanto o brasileiro foi impecável nos momentos decisivos

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Gustavo Loio
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 30/05/2026
08:20
Novak Djokovic parabeniza João Fonseca após a virada em Roland Garros (Foto: Dimitar DILKOFF / AFP)
imagem cameraNovak Djokovic parabeniza João Fonseca após a virada em Roland Garros (Foto: Dimitar DILKOFF / AFP)

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Se fosse alpinista, poderíamos dizer que João Fonseca escalou a maior montanha de todas, nesta sexta-feira. Na prática, duas vezes. Afinal, se vencer o recordista sérvio Novak Djokovic, especialmente em Grand Slams, é uma missão para pouquíssimos, virar após estar dois sets abaixo merece todos os aplausos. Entre outras virtudes demonstradas pelo carioca, de 19 anos, na Philippe Chatrier, está a atitude.

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Gráfico mostra números da virada épica de João Fonseca sobre Novak Djokovic em Roland Garros (Reprodução)
Gráfico mostra números da virada épica de João Fonseca sobre Novak Djokovic em Roland Garros (Reprodução)

Vale lembrar que, na véspera, o italiano Jannik Sinner, líder do ranking e principal favorito, que buscava o único Grand Slam que lhe faltava, foi surpreendido na segunda rodada. Teoricamente, a chave do torneio estava mais livre do que nunca para o sérvio, recordista de Grand Slams, aos 39 anos, chegar ao tão sonhado 25º troféu desse nível. Mas, como dizia o poeta, no meio do caminho tinha uma pedra. No caso, João Fonseca.

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Foi com muita atitude que o pupilo do técnico Guilherme Teixeira superou o compreensível nervosismo inicial (chegou a estar perdendo por 5/1) para se encontrar aos poucos no jogo e sacramentar uma vitória que, para muitos, era inesperada. Ou, na melhor das hipóteses, improvável.

Um dos números que mostram o equilíbrio da partida da terceira rodada na quadra Philippe Chatrier é o de pontos vencidos com o primeiro saque: 66% para cada um. Já no aproveitamento de primeiro serviço, vantagem para o brasileiro: 81% (137 de 170) contra 74% (119 de 161). O ex-líder do ranking, no quesito pontos vencidos com o segundo saque, foi superior: 57% (24 de 42) contra 42% (14 de 33).

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Gráfico mostra feitos da carreira do sérvio Novak Djokovic (Reprodução)
Gráfico mostra feitos da carreira do sérvio Novak Djokovic (Reprodução)

João Fonseca fez mais aces que Djokovic

Contra um dos melhores devolvedores de saque da história, o jovem brasileiro usou como antídoto seu potente saque. Ao todo, foram 11 aces, contra 8 do sérvio, dois deles nos últimos pontos da partida. Contrariando a máxima de que 'fechar um jogo é um dos momentos mais difíceis do tênis', o número 1 do Brasil esteve longe de tremer, o que, por vezes, acontece com tantos tenistas. Dois pontos após salvar o último break do temido rival, o pupilo de Gui Teixeira fechou a partida épica na primeira oportunidade que teve.

A atitude de João Fonseca nos breaks também foi impressionante. Converteu seis das 15 chances que teve (40%), contra 5 de 16 (35%) do recordista de Slams.

Duas das quebras no set decisivo

Em uma situação muito incomum em sua carreira mais que vitoriosa, Djokovic, com uma quebra no quarto game do set decisivo, chegou a sacar em 3/1. Mas o brasileiro seguiu com atitude para dar o troco em seguida. Com o rival sacando em 5/5, João Fonseca deu aula no quesito variação e talento para voltar a quebrar o temido saque do oponente.

Um dos dados mais curiosos da partida é que o tricampeão (vencedor em 2016, 2021 e 2023) fez três pontos a mais (167 a 164) que o número 30 do mundo. O número 1 do Brasil, entretanto, levou a melhor nas jogadas nos pontos mais curtos: nos que tiveram de 1 a 4 trocas de bolas (88 a 87) e nos que foram definidos de 5 a 8 golpes (61 a 52). Nole, por sua vez, foi superior nos pontos mais longos (acima de nove trocas de bolas): 28 a 15.

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Embora tenha jogado pela primeira vez como profissional na quadra central de Paris, o carioca também teve a atitude de reger a torcida após muitos de seus belos pontos. Parecia estar em casa, como em muitos outros torneios ao redor do mundo.

Torcedores esses que, muito provavelmente, estarão em peso no domingo, para apoiar o número 1 do Brasil, contra mais um favorito, dessa vez o norueguês Casper Ruud (16º).

Se mantiver a mesma atitude, o jovem carioca pode voltar a protagonizar fortes emoções em Roland Garros. Alguém ainda duvida?

A felicidade de João Fonseca após derrotar o sérvio Novak Djokovic em Roland Garros (Foto: Dimitar DILKOFF / AFP)
A felicidade de João Fonseca após derrotar o sérvio Novak Djokovic em Roland Garros (Foto: Dimitar DILKOFF / AFP)

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