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Carlo Ancelotti: o técnico gestor e tranquilo escolhido para buscar o hexa

Italiano é o primeiro estrangeiro a comandar a Seleção numa Copa do Mundo

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Marcio Dolzan
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 18/05/2026
06:00
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira
imagem cameraCarlo Ancelotti se adaptou ao Brasil e renovou com a Seleção até 2030 (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

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Pela primeira vez na história, a Seleção Brasileira será treinada em uma Copa do Mundo por um técnico estrangeiro — mas que já tem um espírito bem brasileiro. Carlo Ancelotti, que completará 67 anos em 10 de junho, assumiu a equipe em maio do ano passado, passou por um período intensivo de "brasilidade", aprendeu a falar português e vive o País, e sobretudo o Rio de Janeiro, com encantamento. E o mais importante para o Mundial: demonstra ter total confiança dos atletas e da cúpula da CBF.

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Prova disso é que Ancelotti teve o contrato renovado até a Copa do Mundo de 2030 antes mesmo do torneio deste ano, algo inédito na história da Seleção. Nas raras oportunidades em que treinadores foram mantidos pela CBF de um Mundial para outro, o acordo sempre foi sacramentado após a disputa.

— Obviamente, muito contente para poder aproveitar, desfrutar deste país, do futebol brasileiro, da Seleção, da CBF, por outros quatro anos e ter outra possibilidade de preparar para a Copa do Mundo em 2030. Quero agradecer à CBF pela confiança. Creio que essa renovação é fruto do trabalho feito junto com toda a comissão. Ter outra possibilidade de preparar outra Copa do Mundo e de trabalhar aqui outros quatro anos, é muito, muito bonito, para mim, e para a minha família — declarou Ancelotti, em português, após assinar a renovação.

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O idioma, carregado de sotaque espanhol, vem sendo aprendido pelo treinador desde que ele chegou ao Brasil, em maio do ano passado. E desde aquele momento Ancelotti faz questão de que as conversas na CBF e no ambiente da Seleção sejam sempre em português.

Perfil Carlo Ancelotti
Carlo Ancelotti completou dez jogos à frente da Seleção Brasileira (Arte: Lance!, via Notebooklm)

Nascido na pequena cidade de Reggiolo, no norte da Itália, Carlo Ancelotti cresceu ajudando o pai a tirar leite de vaca para a produção do apreciado queijo Reggiolo Parmigiano. Desde a adolescência, passou a dedicar boa parte do tempo livre ao futebol, esporte que o projetaria mundialmente com o passar das décadas.

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O treinador conheceu a Granja Comary na primeira semana no Brasil, e logo decidiu que a Seleção Brasileira voltaria a usar o CT para preparação sempre que possível. A estrutura com ótimos gramados, um centro completo de preparação física e atendimento fisioterápico, além de hospedagem de elevado padrão para os atletas foram a razão óbvia. Mas, para além disso, memórias de sua Reggiolo também devem ter contribuído para Ancelotti optar por levar a Seleção para a região serrana do Rio.

— Lembra muito a região onde cresci — disse o treinador durante período de treinamento em setembro do ano passado, para os jogos com Chile e Bolívia, pelas Eliminatórias.

Ancelotti em sua cidade natal na Itália, Regiolo. (Foto reprodução arquivo pessoal)
Ancelotti na infância em sua cidade natal, Regiolo, na Itália (Foto: reprodução / arquivo pessoal)<br>

Colecionador de títulos

Ter um bom lugar para convívio sempre esteve entre as exigências de Ancelotti. O treinador já enalteceu inúmeras vezes o ambiente da Seleção Brasileira, e é frequentemente elogiado por quem o acompanha no dia a dia da CBF. Também faz questão de se mostrar presente: no final de fevereiro, o treinador acompanhou a entrega da Medalha Tiradentes ao coordenador da Seleção, Rodrigo Caetano, e fez questão de discursar em homenagem ao fiel escudeiro, mesmo que não estivesse previsto no protocolo.

A preocupação com as pessoas com quem convive, aliás, vem de longa data e não escolhe nacionalidade.

— Talvez até o título de "gestor" combine mais com ele (Ancelotti) do que "técnico", porque ele enxerga o trabalho como uma forma de ensinar a ser homem. Então, se você é um homem com uma identidade forte, com bons valores, Carlo vai te levar a um nível em que você se torna responsável por si mesmo, e isso é uma coisa com que os jogadores conseguem se identificar. Grandes jogadores respondem bem quando são tratados com confiança. Do ponto de vista tático, ele enxerga o jogo com profundidade, como quando decidiu escalar alguém como Pirlo em outra posição para que pudesse usar melhor suas habilidades em prol do time. Para mim, ele merece o melhor pelo que representa, por tudo o que construiu em sua vida e carreira. Para mim, ele está entre os melhores do mundo nesse esporte — diz o ex-zagueiro italiano Paolo Maldini, que jogou junto, e foi treinado, por Ancelotti no Milan.

Carlo Ancelotti pelo Milan
Carlo Ancelotti nos tempos de jogador do Milan (Foto: Reprodução/Milan)

A declaração consta no livro "O Sonho", que conta a história das sete conquistas da Uefa Champions League (cinco como técnico e duas como jogador) pelo hoje treinador da Seleção Brasileira. Além do recorde de títulos da Champions, Ancelotti tem outras marcas impressionantes: foi campeão em todas as cinco ligas mais importantes da Europa (Itália, Inglaterra. Espanha, Alemanha e França) e ganhou quatro vezes o Mundial de Clubes.

O currículo brilhante não traz nenhum traço de arrogância ou vaidade. Nada que mude seu temperamento tranquilo e afável na relação com os seus comandados.

— Não sei como Carlo conseguia ser tão calmo. É inacreditável. Acho que, além de ser um grande técnico, que entende de futebol como poucos, o segredo de todos esses resultados que ele alcançou está na personalidade dele; no jeito como age, como se comporta, no respeito que demonstra por todo mundo, não importa qual a função da pessoa dentro do clube. É por isso que, para mim, ele é tão bem-sucedido —, considera o croata Luka Modric, em outro depoimento.

É essa calma e esse poder de gestão que devolveu à cúpula da CBF, e para boa parte da torcida brasileira, a esperança de a Seleção Brasileira fazer uma boa Copa do Mundo. Até o ano passado, poucos acreditavam que o Brasil teria alguma chance no Mundial, que encerra um ciclo marcado por três trocas de treinadores, derrotas inéditas nas Eliminatórias e futebol pouco convincente.

— Estou seguro de que podemos competir com qualquer seleção —, diz Ancelotti a cada entrevista, num misto de tranquilidade europeia e ufanismo brasileiro.

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