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ANÁLISE: Pouco mudou na Seleção de Ancelotti após a Copa

Seleção repete erros da Copa e tem atuação frustrante em estreia de novo ciclo

PorMárcio Iannacca•Rio de Janeiro (RJ)
25/09/2026 10:15
Seleção postada para foto oficial - Brasil x Austrália
Seleção postada para foto oficial - Brasil x Austrália (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

O novo ciclo da Seleção Brasileira começou com uma cara conhecida. Apesar da renovação promovida por Carlo Ancelotti na convocação, o primeiro time montado pelo treinador depois da eliminação para a Noruega, na Copa do Mundo, apresentou mais continuidade do que ruptura. Contra a Austrália, nesta sexta-feira (25), em Townsville, o Brasil empatou em 1 a 1 e repetiu algumas das escolhas que marcaram a campanha no Mundial.

A principal delas está na estrutura. Ancelotti voltou a apostar em um time com quatro jogadores de características ofensivas — Estêvão, Raphinha, Endrick e Vini Jr — e apenas dois homens no meio-campo, Bruno Guimarães e Danilo Santos. Foi justamente uma formação semelhante ao 4-2-4 que o treinador utilizou em determinados momentos da Copa e que acabou deixando evidente um dos problemas da equipe: a dificuldade para controlar o meio-campo diante de adversários organizados.

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Na eliminação para a Noruega, esse desenho também apareceu como uma questão importante. O Brasil teve dificuldades para controlar a partida, sofreu com a superioridade norueguesa no setor central e acabou permitindo que Martin Odegaard e Sander Berge ditassem o ritmo. Segundo as estatísticas da partida na ocasião, os dois jogadores trocaram 218 passes na partida, quase 80% do total de passes da dupla brasileira no meio-campo.

Naquele jogo, o Brasil até teve seus momentos. Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti ainda no primeiro tempo e Endrick perdeu uma oportunidade clara quando o placar permanecia zerado. Mas as chances não se transformaram em controle. No segundo tempo, Haaland apareceu duas vezes, a Noruega abriu vantagem e a Seleção não encontrou respostas suficientes para mudar o rumo da partida.

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Pouco mais de dois meses depois, a pergunta naturalmente aparece: o que, de fato, mudou?

A resposta, ao menos no primeiro jogo do novo ciclo, é: menos do que os torcedores poderiam imaginar.

É verdade que houve renovação. Dos jogadores que disputaram a Copa, apenas nove apareceram na primeira convocação para os amistosos contra Austrália e Índia, enquanto a lista teve oito estreantes. Neymar, Casemiro, Danilo, Fabinho, Alex Sandro e Weverton, por exemplo, ficaram fora do grupo.

Mas a renovação da lista não significou necessariamente uma renovação da ideia de jogo.

Ancelotti manteve Bruno Guimarães como uma peça central do meio-campo e novamente colocou quatro atacantes à frente dele. É um desenho que privilegia a velocidade e a capacidade individual dos homens de frente, mas que também pode deixar a equipe dependente demais de transições e de soluções individuais quando o adversário consegue fechar os espaços.

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Foi algo que apareceu novamente diante da Austrália. A Seleção repetiu velhos problemas, com excesso de ligações diretas e pouca criatividade, antes de buscar o empate apenas nos acréscimos, com Rayan.

Outro ponto chama atenção: Raphinha.

O atacante chega ao novo ciclo em alta pelo Barcelona, onde tem sido utilizado também como centroavante. Na Seleção, porém, Ancelotti novamente o posicionou aberto, dentro de um quarteto ofensivo que também contou com Vini Jr, Endrick e Estêvão. No segundo tempo, Ancelotti o colocou mais centralizado. O jogador ainda recebeu a camisa 10, herdada de Neymar, em uma mudança simbólica importante, mas sua função em campo continua sendo um ponto de discussão.

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Vini Jr também representa esse contraste. Na Copa, foi uma das principais referências ofensivas do Brasil, mas não conseguiu repetir esse protagonismo diante da Austrália. A expectativa em torno do atacante do Real Madrid permanece enorme, especialmente porque, sem Neymar, a Seleção precisa encontrar novos pontos de desequilíbrio e liderança técnica.

No meio dessa discussão, Estêvão talvez seja uma das imagens mais interessantes do novo ciclo. O atacante ficou fora da Copa por lesão e voltou à Seleção justamente na primeira partida após o Mundial. Contra a Austrália, mostrou movimentação e participou dos melhores momentos brasileiros no primeiro tempo. Sua presença representa uma mudança real de nomes e de geração, ainda que o modelo escolhido por Ancelotti permaneça bastante parecido.

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E esse talvez seja o principal ponto da estreia.

A renovação brasileira começou mais pela troca de peças do que pela transformação do funcionamento da equipe. O próprio Ancelotti afirmou que não pretende começar um trabalho do zero, mas dar continuidade ao que vinha sendo construído, buscando evolução com jogadores mais jovens.

Isso significa que ainda é cedo para cobrar uma mudança definitiva de comportamento. O ciclo até 2030 será longo, e Ancelotti terá tempo para testar outras formações, incorporar novos jogadores e, principalmente, encontrar soluções para um setor que já apareceu como problema durante a Copa: o meio-campo.

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Mas a estreia deixa um sinal claro. Mudar os nomes não necessariamente muda o time.

A Seleção que começou o novo ciclo contra a Austrália teve Estêvão no lugar de jogadores que não fazem mais parte dos planos, Vitor Reis na zaga e Matheuzinho na lateral, mas manteve uma espinha dorsal e, sobretudo, uma estrutura ofensiva muito semelhante àquela que terminou a Copa diante da Noruega.

Se o objetivo é realmente construir uma nova Seleção para 2030, os próximos amistosos serão importantes não apenas para observar novos jogadores, mas para descobrir se Ancelotti pretende também experimentar novas ideias. Porque o maior desafio não parece ser simplesmente encontrar outros nomes para vestir a camisa amarela.

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É fazer a Seleção jogar de outra maneira.

Hugo Souza foi titular da Seleção diante da Austrália
Hugo Souza foi titular da Seleção diante da Austrália (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
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