Admiração e amizade: o que carrega o abraço entre Thiago Silva e Renato Gaúcho no Mundial
Zagueiro e treinador possuem longa história no clube das Laranjeiras

ORLANDO (EUA) — O abraço de Thiago Silva em Renato Gaúcho após o apito final da vitória do Fluminense sobre a Inter de Milão representa mais do que a comemoração pela classificação histórica. O gesto entre o comandante e o comandado carrega uma história que começou em 2007 e passou por altos e baixos.
No primeiro ano juntos no Flu, conquistaram a Copa do Brasil e a vaga na Libertadores de 2008, na qual foram vice-campeões. No fim daquele ano, Renato saiu do Flu e Thiago foi vendido para o Milan, encerrando um ciclo no clube. Em 2025, se reencontraram em um contexto diferente para escrever um novo capítulo dessa relação.
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Na fase de grupos do Mundial de Clubes, os dois foram destaques no time. O treinador pela condução diante de difíceis adversários, alternando estratégias para se adaptar ao oponente. Já o zagueiro, pelas brilhantes atuações e liderança dentro das quatro linhas, sendo, como diz Renato, "um treinador em campo". Antes de enfrentar o Al Hilal pelas quartas de final, Renato se abriu sobre o capitão e o que o abraço entre eles significou.
— Acima de tudo, a amizade que prevaleceu nesses anos todos. A admiração que um tem pelo outro. Eu não canso de ver o Thiago Silva jogar. É um líder dentro do campo, é um treinador dentro do campo. É bonito vê-lo jogar, é bonito ver ele conduzir o time dentro das quatro linhas. E, com o passar do tempo, a gente vai aprendendo. Lá atrás (2008), pelo menos na minha opinião, a gente fez tudo certo. Infelizmente, perdemos aquela Libertadores. Depois de alguns anos a gente se encontra novamente aqui no Fluminense e é um prazer trabalhar com ele. E ele tem nos ajudado bastante pela liderança e, na minha humilde opinião é um jogador de Seleção Brasileira ainda. Por tudo que ele representa. Eu espero que amanhã ele possa fazer mais uma vez uma grande partida, conduzir o time dentro das quatro linhas, que nós possamos ter sucesso e continuarmos dando alegria para o nosso torcedor. Eu tenho certeza que o nosso torcedor está bastante feliz lá no Brasil, e os torcedores que estão aqui estão de parabéns por ter nos dado essa força imensa até então. O nosso prazer vai ser conduzir o nosso time para a próxima fase, dar de presente para a nossa torcida, continuar dando alegria, que isso é o nosso trabalho.
O primeiro título de Renato e Thiago pelo Fluminense
A primeira vez em que trabalharam juntos no Tricolor foi em 2007. Renato havia saído do Vasco e Thiago já estava há um ano de volta no Brasil depois de superar um sério quadro de tuberculose na Europa. Naquele ano, levaram o Flu ao seu primeiro título de Copa do Brasil.
Após ser aprovado em Xerém com 13 anos, o zagueiro deixou o clube em 2003, quando tinha 20, e retornou em 2006. Antes, estava no Dinamo de Moscou, da Rússia, quando recebeu o diagnóstico que o deixou internado por cinco meses e quase lhe tirou a vida. Ivo Wortmann, que havia treinado Thiago no Juventude, encontrou um médico que o curou e então levou-o de volta para o Rio de Janeiro.
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Já o treinador, foi para sua terceira passagem pelo Tricolor em 2007 depois deixar o Vasco por conta de desgastes. Com ele, chegou também Alexandre Mendes, que seria preparador físico, mas com o cargo preenchido no clube, virou auxiliar técnico e assim segue até hoje.
A campanha começou com duas vitórias sobre o ADESG, por 2 1 e 6 a 0, com direito a gol do camisa 3. Depois, eliminaram o América-RN e o Bahia em empates duros no placar agregado. Nas quartas, despachou o Athletico-PR e, em seguida, o Brasiliense, para chegar à decisão. Com um empate no Maracanã, o Flu venceu o Figueirense no Orlando Scarpell, com gol de Roger Machado, para levantar a taça inédita.

O fantasma da Libertadores de 2008
O ano poderia ter terminado com o título da Libertadores. No entanto, mesmo com uma campanha dominante, o Fluminense deixou escapar a Glória Eterna dentro de casa com o estádio lotado de um pesado silêncio.
Ao longo da competição, o Flu cruzou o caminho de gigantes do continente e os despachou como fez em 2023. O primeiro foi o Atlético Nacional, depois o São Paulo de Adriano e, na semi, o Boca Juniors de Riquelme. Na final, o adversário cuja maior arma era a altitude superou o estrelado time tricolor, que tinha, além de Thiago Silva, Thiago Neves, Dario Conca e Washington "Coração Valente".
Depois do vice-campeonato, a outra missão era se reeguer no Brasileirão, já que o clube flerteva com o rebaixamento. O ano ficou marcado por "traumas" e uma lição de humildade, especialmente depois da entrevista em que Renato afirmou que ganhariam a Libertadores e "brincariam" no Campeonato Brasileiro. Um dos capítulos mais difíceis para o torcedor tricolor e que só foi superado no dia 4 de novembro de 2023.
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