Lauter no Lance!: o que foi, o que é, e o que será notícia no mundo do esporte
Depois do Mundial de Cross Country, vem aí os Jogos Olímpicos de Inverno

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O que foi – Ecos e ruídos do Mundial de Cross Country:
E assim foi mais um Campeonato Mundial de Cross Country, na Flórida de Donald, Margarida e Pateta. Todo o time de bons e promissores corredores da Eritréia foi banido (sim, foi negado a toda a equipe da Eritréia o visto de entrada nos USA), e mais da metade do quase imbatível time da Etiópia, pelo mesmo motivo dos eritreus, o governo americano apenas os negou. Um sério caso, que deve ser tratado como urgente e grave, se lembrarmos que a próxima edição dos Jogos Olímpicos, em 2028, acontecerá em Los Angeles! Torçamos para que, em novembro do corrente ano, na eleição do Congresso de meio de mandato, os Democratas, acompanhados por uma legião de descontentes Republicanos, mostrem a porta dos fundos da Casa Branca ao histriônico ser, pela última vez!
Mas, apesar dos pesares, como de hábito, as provas foram sensacionais, com disputas dignas de um verdadeiro Mundial! Quem não sorriu feliz com a surpreendente vitória da Austrália? com um naipe feminino pronto para abandonar seus adversários lá atrás, na prova de revezamento misto 4x 2km, onde eles foram o único time em que TODOS correram suas "voltas" abaixo de 6'00, num percurso de 2km, técnico e fisicamente desafiador. Cabendo à espetacular meio fundista Jessica Hull a fechar a prova, deixando suas principais adversárias de última volta, a francesa Guillemot e a fabulosa etíope Meshesha, na poeira!
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E na prova masculina adulta, domínio de quem domina a terra, o tartan** e o asfalto, o ugandense multimedalhista Jacob Kiplimo (UGA) ganha seu 3º título mundial consecutivo, com sobra e categoria. Vence, convence e prediz um ano inesquecível! Será com o recorde mundial da maratona? Ou mais um na meia maratona? Ou, talvez retornando em grande estilo ao tartan das pistas mundiais, tentando cravar um sonhado 26 minutos nas 25 voltas aladas? Para Kiplimo, tudo é possível, vale à pena acompanhá-lo de perto!
Na versão feminina da prova, uma versão feminina de Jacob Kiplimo, a queniana Agnes Jebet vence com muita sobra, deixando bem para trás a surpresa ugandense Cheptoyek, com uma inesperada prata e a jovem etíope Getashew, seguida por mais duas compatriotas (levando assim, a Etiópia , ao título por equipe!), fechando o Top 5! Agnes Jebet vence com a maior folga, entre todas as provas!

Assim vai mais um Mundial de Cross Country cheio de belas disputas, e muita confusão extracampo.
** Tartan- piso emborrachado que cobre as pistas de atletismo oficiais
O que é – Campeonatos Estaduais de Futebol: Deixem as crianças brincarem!
Você, caro leitor, participante de uma seleta plateia de 10 a onze renitentes leitores, chegou a prestar atenção nas primeiras, e surpreendentes rodadas do inesperado Campeonato Carioca de futebol?
Se não, ainda está em tempo de corrigir este lapso. Estamos apenas na 2ª rodada, e que rodada foi a primeira e, com certeza, será a segunda! Os times pequenos, repletos de sonhos e nomes desconhecidos, levam leve vantagem sobre os 4 grandes, que mal desfizeram suas malas e sorrisos, de murchas férias, e colocam em campo a esperança imberbe de jovens de sobrenomes com excessos de consoantes dobradas, para entrarem em campo e "segurarem as pontas" para que o time principal estique mais uns dias as curtas férias, e voltem para uma ridiculamente curta pré-temporada, e iniciarem a rotina insana, do massacrante calendário do futebol brasileiro. Dizem os sábios que as mudanças radicais (só se forem os radicais livres acumulados durante um ano coalhado de jogos e torneios sem fim, sem direito à antioxidantes!) foram criadas para salvar o esporte bretão. Ledo e pueril engano!
Mas, a mudança nos calendários, diminuiu um pouco o calendário dos estaduais, mas diminuiu junto as férias dos jogadores, fazendo com que mais jogos sejam disputados pelos, como chamávamos antigamente, aspirantes! E, desta forma, aumentam mais as chances de vitórias e suados empates dos nanicos, sobre os gigantes. Nos fazendo lembrar da antiga fábula de Davi e Golias (não o grande comediante Ronald), onde o pequeno Davi (que jogaria, em casa, no meio de campo do Fluminense) acerta uma pedrada do meio de campo, e derruba ao chão o gigante filisteu, o frangueiro Golias.
E as rodadas do Cariocão vem e vão mostrando aos grandes que sonhar não custa nada, só a passagem para os trens da Leopoldina e Grande Rio ( a maneira mais em conta para acessar os estádios encolhidos do subúrbio e interior do Estado). Uma vitória do valente Bangu ali, Portuguesa da Ilha empatando com o primo rico acolá. Dando um sopro (muito bem-vindo no, distante do mar, subúrbio do Rio) de frescor, que acariciam rostos jovens e esperançosos)

E, se de repente, os sábios, num momento de puro encanto, começassem a pensar, ou revisitar um quase recente passado, e concordassem que os times que fossem os Top 5 do campeonato Carioca do ano anterior, devessem disputar o Cariocão do ano corrente, com seu time de ASPIRANTES (aqueles sub 20 que já estão devidamente amadurecidos para o tranco do torneio, com os mais experientes, reservas do plantel de profissionais), que precisam obter ritmo de jogo, e ganharem "horas de bola".
Enquanto isso, o time principal, faz, enfim, uma pré-temporada DE VERDADE!
Portanto, deixem os "meninos" jogarem, sonharem, e suarem, em campo. A plateia vai aplaudir e pedir bis, como cantava Gonzaguinha. A plateia só deseja ser feliz!
O que será – Faz frio, mas eu suo! Saudades dos jogos Olímpicos de Inverno:
Era sempre no auge do verão carioca, começo de fevereiro, de 4 em 4 anos, uma frente fria daquelas que duravam 9, 10 dias, trazendo neve, gelo, muito vento frio e….. grandes disputas! Eram as "Olimpíadas de Esportes Esquisitos", para nós. Para a parte Norte do Planeta, era esporte de alta performance. Os países que mandavam bem na neve e no gelo, eram os Nórdicos, especialmente a Noruega! Era uma delícia. Esportes pouco conhecidos por estas nossas plagas, como o Curling, que me fazia lembrar de um dia de faxina na minha infância, ou o Luge, que também me remetia à infância, lembrando das longas descidas deslizando feito pilotos insanos e rasantes, de carrinho de rolimã, ladeira abaixo. Mas os esportes que mais me impactaram, o Cross Country (não, o que versei sobre há alguns dias, este é o Cross Country raiz, da lama e da terra batida, do nordeste africano), o Biathlon e as provas de patinação de velocidade, me cativaram para sempre. E, num inclemente fevereiro de 2002, como num passe de mágica, aportou em nossas praias, ao vivo, tornando nossos verões menos inclementes, e arrastou fãs e mais fãs, à cada 4 anos, enfim, tornei-me, tornamo-nos, também, dependentes das Olimpíadas de Inverno, e de todas as suas nuances.
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Faltam menos de 20 dias, para vermos, homens e mulheres encasacados, irem aos limites fisiológicos, voarem feito pássaros em busca de sol, se superarem em modalidades, para nós, exóticas, mas inebriantes. Acompanharemos os feitos vikings renascerem, lá no alto da "bota" italiana, na linda região que vai desde a incansável e charmosa Milão, até a apaixonante Cortina d'Ampezzo. Numa edição, para nós, importantíssima, onde poderemos ter a honra da primeira medalha em uma edição Olímpica de Inverno! Sim! Com a maior delegação de atletas já reunida, 14 atletas do frio, teremos 3 atletas em condições de estarem entre os 5 primeiros em suas modalidades! E, como se diz por aí, estando dentro dos 5 melhores, sim, existe a possibilidade de medalha!
Portanto, temos Lucas Pinheiro Braathen (esqui alpino), Nicole Silveira (skeleton) e Pat Burgener (snowboard), como prováveis finalistas e reais concorrentes a medalhas. Lembrando que, nossa melhor performance Olímpica (de Inverno) é a de Isabel Clark com a nona posição no snowboard cross em Turim 2006.

Como de hábito, todo o evento será transmitido, na íntegra pelos canais SporTV. Acompanharei, agasalhado, atento. Mas sentindo falta e saudade, de um dos melhores! Colega e amigo, que a cada 4 anos, compartilhava comigo a cobertura das provas de Cross Country e Biathlon, ele que foi praticante e competidor nestas provas. Aldo Ramos, meu amigo, um saudoso brinde a você! O homem que trazia nos comentários precisos, na memória cirúrgica e no bom humor, a experiência prática que nos faltava, a tranquilidade do conhecimento, desde as conquistas de medalhas, ao tipo de neve que caía no lado norte da trilha de sabe-se lá onde era aquilo, ou da alça de mira descalibrada, que levava o rei do Biathlon, para um castigo de duas voltinhas na zona de penalidade!
As provas destas duas modalidades não serão mais as mesmas, desde outubro passado, para nós filhos do Sol. Lá em Milano/Cortina, em algum lugar, os sinos dobrarão por você, Aldo Ramos!
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