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Do preconceito à aclamação, Caio Bonfim celebra medalha nos braços do povo

O brasileiro foi protagonista do Mundial de Marcha Atlética em Brasília, neste domingo (12)

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Beatriz Pinheiro
Brasília (DF)
Dia 12/04/2026
16:20
Caio Bonfim com a bandeira do Brasil, comemora medalha no Mundial de Marcha Atlética
imagem cameraCaio Bonfim com a bandeira do Brasil, comemora medalha no Mundial de Marcha Atlética (Foto: Confederação Brasileira de Atletismo)

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Caio Bonfim era apenas um adolescente quando começou a sentir na pele o peso do preconceito. Durante os treinos de marcha atlética nas ruas de Sobradinho, ouvia buzinadas agressivas e xingamentos homofóbicos, tudo por causa do movimento dos quadris, típico da modalidade. Hoje, consagrado como medalhista olímpico e campeão mundial, ele conquistou o pódio do Mundial de Marcha Atlética, aquele que faltava em sua coleção, aclamado pelo povo.

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Caio já relatou muitas vezes que, após a prata nos Jogos Olímpicos de Paris, o som da buzina que ele ouvia durante os treinamentos mudou. A partir dali, ele passou a ouvir palavras de incentivo, celebração e foi reconhecido como um dos grandes ídolos do esporte brasileiro.

O legado de Caio, que em 2025 conquistou um ouro e uma prata no Mundial de Atletismo de Tóquio, foi uma das razões que trouxe o Mundial de Marcha Atlética por Equipes para o Brasil pela primeira vez. A competição nunca havia sido sediada no hemisfério sul do planeta.

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Dessa vez, a torcida veio junto. Ao longo do percurso, no Eixo Monumental de Brasília, o público exibia bandeiras e gritava o nome de Caio a cada volta da meia maratona. Foi por isso que, assim que cruzou a linha de chegada, mesmo exaurido, o atleta fez questão de cumprimentar os torcedores na beira da pista. E quase que foi, literalmente, levado nos braços do povo.

— Eu tinha que cumprimentar. O pessoal disse que não podia, mas aí eu pedi pro chefe da prova, ele deixou e me acompanhou lá. Eu toquei na mão (do público), tinha uns que tentavam me puxar, mas não podia, porque ainda tinha outros atletas competindo - contou.

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A prova deste domingo (12) foi a mais difícil da carreira de Caio, segundo o próprio atleta. Em parte, por causa do desgaste físico e do alto nível dos adversários - o brasileiro teve disputas acirradas com o italiano Francesco Fortunato e o etíope Misgana Wakuma. Mas o que mais pesou foi a responsabilidade de ser o grande nome de uma competição disputada no quintal de casa.

— A responsabilidade é essa, fazer todo esse evento, investimento, expectativa... Eu não controlo a expectativa externa, mas a gente sabe. Vai pesando, nas primeiras três, quatro voltas, eu nem sentia as pernas. Tinha que manter esse equilíbrio entre a motivação da torcida e o peso. E eu gostei, porque os haters gostam de criticar, falar que brasileiro é "amarelão", mas eu lutei. Eu não podia perder pra mim - disse.

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Caio Bonfim comemora a medalha de bronze no Mundial de Marcha Atlética em Brasília
Caio Bonfim comemora a medalha de bronze no Mundial de Marcha Atlética em Brasília (Foto: Confederação Brasileira de Atletismo)

Enfim, no pódio

Apesar de somar quatro medalhas em Mundiais de Atletismo, Caio Bonfim nunca tinha subido ao pódio de um Mundial de Marcha Atlética. Aos 35 anos, em seu oitavo mundial, logo em casa, conquistou a medalha de bronze, a "figurinha que faltava em seu álbum", como disseram ele e a mãe, Gianetti Bonfim.

A estreia do brasileiro em Mundiais de Marcha Atlética foi em 2010, em Chihuahua, no México. Caio vinha fazendo uma boa prova, na terceira colocação, quando foi desclassificado. Em 2014, em Taicang, na China, ficou no top-10 pela primeira vez. Quatro anos mais tarde, na mesma cidade chinesa, ficou em quarto lugar. Em 2024, em Antalya, na Turquia, mais um quase: ao lado de Viviane Lyra, no revezamento misto, terminou em quarto, após punição de dois minutos no pit lane.

— Oitavo mundial lutando, buscando, buscando, buscando... Eu falei: "Meu Deus, será que eu vou conseguir uma medalha?"... E é difícil, porque eu curto demais isso aqui, eu tento fazer da prova a maior curtição da minha vida, eu faço o que eu mais amo. Mas hoje tinha um pesinho - contou.

Enfim, Caio deixou o Eixo Monumental de Brasília com seu jeito tranquilo, levando os filhos Miguel e Theo pela mão, e com a medalha no peito, finalmente.

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