Marchador campeão mundial desabafa sobre patrocínio: 'subi ao pódio descalço'
O canadense Evan Dunfee está em Brasília para o Mundial de Marcha Atlética por Equipes

Aos 35 anos, o canadense Evan Dunfee é um dos maiores nomes da marcha atlética. Presente em Brasília para o Mundial por Equipes, ele fez um desabafo sobre a remuneração dos atletas da modalidade. Durante entrevista coletiva neste sábado (11), ele contou que a medalha de ouro no Mundial de Atletismo, conquistada em 2025, mudou sua vida.
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Em setembro do ano passado, o canadense conquistou sua primeira medalha de ouro em Mundiais de Atletismo ao vencer a prova dos 35km. Apesar da celebração pelo título inédito, Evan subiu ao pódio descalço, pela falta de um patrocinador oficial.
— Nós, marchadores, não somos muito bem pagos, eu subi ao pódio em Tóquio descalço, porque não tenho um patrocinador de tênis. O prêmio da World Athletics mudou a minha vida, e subir ao lugar mais alto do pódio foi incrível - disse.
A premiação concedida pela entidade máxima do atletismo no Mundial de Tóquio foi de US$70,000 para os medalhistas de ouro em competições individuais.
Na ocasião, Evan Dunfee dividiu o pódio com Caio Bonfim, que cruzou a linha de chegada apenas 33 segundos após o canadense. Durante a entrevista, Evan admitiu que, nos metros finais da prova, precisou "olhar para trás pela centésima vez para ver onde Caio estava". Os dois são velhos conhecidos, e se enfrentam nas principais competições de marcha atlética desde 2007.
Em Brasília, porém, Evan minimizou as expectativas por grandes resultados. Ainda durante o Mundial de Tóquio, ele sofreu um grave rompimento nos músculos isquiotibiais, no posterior da coxa, e ainda segue em fase de recuperação física. Ele também dividirá funções como treinador de jovens atletas da equipe do Canadá.
— Meu objetivo é só ir até lá e ver do que o meu corpo é capaz nesse momento, não vou brigar pelo pódio. Vou acenar para os outros caras quando eles passarem por mim e me derem a volta - brincou.

Retorno ao Brasil
Evan Dunfee está de volta ao Brasil pela primeira vez desde os Jogos Olímpicos do Rio 2016 que, segundo o atleta, transformaram sua maneira de encarar o esporte. Na ocasião, ele viveu uma montanha russa de emoções: Evan terminou a prova em quarto lugar, mas foi empurrado pelo japonês Hirooki Arai, que chegou em terceiro, subiu para o bronze. Porém, mais tarde, o Japão entrou com recurso e recuperou a medalha.
Apesar do "balde de água fria", o canadense relatou que guarda a experiência com muito carinho e que recebeu muito apoio das pessoas de seu país.
— Eu entrei no esporte com a ideia egoísta de ser o melhor que eu poderia ser e silenciar as pessoas que praticavam bullying comigo. No Rio, foi a primeira vez que eu percebi que o esporte era muito maior do que essa busca individual por grandeza. A partir dali, comecei a trabalhar com projetos de caridade, e atualmente minha maior fonte de inspiração é minha comunidade - finalizou.
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