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Marcha atlética: como funciona, principais regras e por que os atletas 'rebolam'

Brasília recebe o Mundial da modalidade pela primeira vez, neste domingo (12)

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Beatriz Pinheiro
Brasília (DF)
Dia 11/04/2026
09:00
A marcha atlética é uma das modalidades mais tradicionais do atletismo
imagem cameraA marcha atlética é uma das modalidades mais tradicionais do atletismo (Foto: World Athletics)

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Uma das modalidades mais técnicas do atletismo, a marcha atlética ainda desperta muita curiosidade e dúvidas nos brasileiros. Quais as regras? Qual a diferença entre marchar e correr? E afinal, por que os marchadores parecem "rebolar"? Às vésperas do Mundial por Equipes, o Lance! traz a explicação completa de como funciona esse esporte.

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Modalidade olímpica desde 1908, a marcha atlética nada mais é do que uma caminhada rápida, com duas regras que a diferenciam da corrida. A primeira delas é que, no momento da passada, a perna da frente precisa estar estendida quando o pé toca o solo. Se o atleta pisar com a perna de apoio flexionada, comete uma falta de bloqueio.

Além disso, diferentemente da corrida, a marcha atlética não tem uma fase "aérea", ou seja, o pé de trás só pode sair do chão quando o calcanhar da frente toca o solo. O descumprimento dessa regra gera ao atleta uma punição por flutuação.

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As competições de marcha atlética são disputadas em circuito fechado, em que os atletas dão voltas até completar as distâncias de cada prova. Cerca de 7 a 9 árbitros ficam espalhados pelo percurso, observando atentamente o cumprimento das regras pelos marchadores. Atualmente, esse processo conta com o apoio de recursos de vídeo para deixar a aplicação de punições mais precisa.

Há um painel em determinado ponto do percurso, que sinaliza os atletas que cometeram irregularidades. Quando o marchador acumula três faltas, ele precisa ir para o pit lane, área onde deve aguardar por dois minutos antes de retornar ao circuito. Caso cometa mais alguma falta após o retorno, o atleta é desclassificado da prova.

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Mundial em Brasília será disputado em equipes e terá novas distâncias
Mundial em Brasília será disputado em equipes e terá novas distâncias (Foto: World Athletics)

Atenção redobrada na reta final

O ritmo das provas de marcha atlética fica mais intenso na última volta, quando os atletas costumam aumentar a velocidade. Nesse momento, todo cuidado é pouco: os árbitros ficam ainda mais atentos às irregularidades e receber uma falta pode acarretar desclassificação imediata.

— O atleta precisa ter a mente bem trabalhada para se manter focado no que está fazendo, manter a coordenação do movimento e, se for o caso de aumentar a velocidade, fazer isso dentro da regra, para não correr o risco de perder uma medalha por causa de um detalhe - explica o treinador de atletismo Guilherme Félix.

Vale lembrar que os marchadores de alto rendimento costumam atingir, em média, uma velocidade de até 17km/h. O japonês Toshikazu Yamanishi, que disputará o Mundial de Marcha Atlética por Equipes em Brasília, é o atual recordista mundial da prova dos 20km, com marca de 1h16m10s.

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E de onde vem o "rebolado"?

Assim que ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris, Caio Bonfim fez um desabafo: "não estamos brincando de rebolar". O brasileiro já foi alvo de comentários preconceituosos e até homofóbicos ao treinar nas ruas. Tudo por causa do movimento dos quadris, que é uma consequência natural das duas principais regras da modalidade, permitindo manter a velocidade da passada, sem a fase aérea ou dobrar o joelho.

— Na marcha, quando você coloca a perna esticada na frente da outra, automaticamente o quadril se desloca para o lado, porque o centro de gravidade do corpo se desloca para equilibrar o peso. Não é um rebolado propriamente dito - explica Guilherme.

Movimento do quadril é uma consequência natural da passada na marcha atlética
Movimento do quadril é uma consequência natural da passada na marcha atlética (Foto: Notebook LM)

Qualquer pessoa pode praticar marcha atlética?

Uma das vantagens da marcha atlética é ser uma atividade física de baixo impacto nas articulações. Por não ter a fase de voo, a modalidade pode ser facilmente adaptada para a prática por pessoas com lesões de coluna, quadril e joelho. O esporte recruta principalmente as musculaturas da coxa, glúteos e core, além do fortalecimento de panturrilha e musculatura tibial.

— O ideal é começar por baixo, com acompanhamento de um profissional da área e, assim como qualquer outro esporte, fazendo isso, a pessoa terá uma longevidade com saúde e sem lesões - finaliza Guilherme.

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