Marcha atlética: como funciona, principais regras e por que os atletas 'rebolam'
Brasília recebe o Mundial da modalidade pela primeira vez, neste domingo (12)

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Uma das modalidades mais técnicas do atletismo, a marcha atlética ainda desperta muita curiosidade e dúvidas nos brasileiros. Quais as regras? Qual a diferença entre marchar e correr? E afinal, por que os marchadores parecem "rebolar"? Às vésperas do Mundial por Equipes, o Lance! traz a explicação completa de como funciona esse esporte.
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Modalidade olímpica desde 1908, a marcha atlética nada mais é do que uma caminhada rápida, com duas regras que a diferenciam da corrida. A primeira delas é que, no momento da passada, a perna da frente precisa estar estendida quando o pé toca o solo. Se o atleta pisar com a perna de apoio flexionada, comete uma falta de bloqueio.
Além disso, diferentemente da corrida, a marcha atlética não tem uma fase "aérea", ou seja, o pé de trás só pode sair do chão quando o calcanhar da frente toca o solo. O descumprimento dessa regra gera ao atleta uma punição por flutuação.
As competições de marcha atlética são disputadas em circuito fechado, em que os atletas dão voltas até completar as distâncias de cada prova. Cerca de 7 a 9 árbitros ficam espalhados pelo percurso, observando atentamente o cumprimento das regras pelos marchadores. Atualmente, esse processo conta com o apoio de recursos de vídeo para deixar a aplicação de punições mais precisa.
Há um painel em determinado ponto do percurso, que sinaliza os atletas que cometeram irregularidades. Quando o marchador acumula três faltas, ele precisa ir para o pit lane, área onde deve aguardar por dois minutos antes de retornar ao circuito. Caso cometa mais alguma falta após o retorno, o atleta é desclassificado da prova.

Atenção redobrada na reta final
O ritmo das provas de marcha atlética fica mais intenso na última volta, quando os atletas costumam aumentar a velocidade. Nesse momento, todo cuidado é pouco: os árbitros ficam ainda mais atentos às irregularidades e receber uma falta pode acarretar desclassificação imediata.
— O atleta precisa ter a mente bem trabalhada para se manter focado no que está fazendo, manter a coordenação do movimento e, se for o caso de aumentar a velocidade, fazer isso dentro da regra, para não correr o risco de perder uma medalha por causa de um detalhe - explica o treinador de atletismo Guilherme Félix.
Vale lembrar que os marchadores de alto rendimento costumam atingir, em média, uma velocidade de até 17km/h. O japonês Toshikazu Yamanishi, que disputará o Mundial de Marcha Atlética por Equipes em Brasília, é o atual recordista mundial da prova dos 20km, com marca de 1h16m10s.
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E de onde vem o "rebolado"?
Assim que ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris, Caio Bonfim fez um desabafo: "não estamos brincando de rebolar". O brasileiro já foi alvo de comentários preconceituosos e até homofóbicos ao treinar nas ruas. Tudo por causa do movimento dos quadris, que é uma consequência natural das duas principais regras da modalidade, permitindo manter a velocidade da passada, sem a fase aérea ou dobrar o joelho.
— Na marcha, quando você coloca a perna esticada na frente da outra, automaticamente o quadril se desloca para o lado, porque o centro de gravidade do corpo se desloca para equilibrar o peso. Não é um rebolado propriamente dito - explica Guilherme.

Qualquer pessoa pode praticar marcha atlética?
Uma das vantagens da marcha atlética é ser uma atividade física de baixo impacto nas articulações. Por não ter a fase de voo, a modalidade pode ser facilmente adaptada para a prática por pessoas com lesões de coluna, quadril e joelho. O esporte recruta principalmente as musculaturas da coxa, glúteos e core, além do fortalecimento de panturrilha e musculatura tibial.
— O ideal é começar por baixo, com acompanhamento de um profissional da área e, assim como qualquer outro esporte, fazendo isso, a pessoa terá uma longevidade com saúde e sem lesões - finaliza Guilherme.
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