Caio Bonfim é bronze no Mundial de Marcha Atlética em dia histórico
Brasileiro conquista medalha em sua cidade natal e se emociona

Caio Bonfim acordou. Levantou da cama e olhou pela janela. Lá estava a sua Brasília. Poderia ser apenas mais um dia comum. Mas estava longe disso. Era dia de competição. "A" competição. Pela primeira vez, a América do Sul recebia o Mundial de Marcha Atlética por Equipes. Na capital federal do Brasil, também conhecida como "quintal do Caio". Com toda torcida eufórica, que gritava sem parar, ele não decepcionou. Conquistou a medalha de bronze na meia maratona.
Foram 1h27min36s de muito esforço e muita dor. Caio Bonfim chegou ao fim do percurso exausto. Caiu e precisou de um tempo para se recuperar. Depois de levantar, se emocionou e chorou abraçado com sua família. O italiano Francesco Fortunato foi o campeão da prova (1h27min25s) e Misgana Wakuma, da Etiópia, ficou com a prata.
Caio iniciou a prova na frente do pelotão, e disputou as primeiras posições ao longo de toda a maratona. Nas duas últimas voltas, Fortunato disparou e assumiu a ponta. O brasileiro acabou superado no duelo com o etíope, mas lutou com todas as energias que tinha pelo lugar no pódio.
— Foi a prova mais difícil da minha carreira, principalmente por causa da parte emocional. Na última volta eles conseguiram ser melhores, mas eu lutei. Você vai "matando" todo mundo, mas às vezes morre um pouco no caminho. Mas eu entreguei tudo de mim por causa dessa torcida - disse, após a prova.
A medalha deste domingo (12) foi a primeira de Caio Bonfim em um Mundial de Marcha Atlética, completando um roteiro que parece de cinema. Apesar de já ter subido ao pódio em quatro oportunidades no Mundial de Atletismo, ele ainda não havia medalhado em um Mundial específico da modalidade. Quis o destino que, em sua oitava participação, o menino de Sobradinho fosse condecorado pela primeira vez em casa.
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Mais cedo, o Brasil já tinha feito história. Com os resultados somados de Viviane Lyra (5ª), Gabriela Muniz (8ª) e Mayara Vicentainer (9ª), o Brasil conseguiu a inédita medalha de bronze por equipes na maratona feminina.
Na disputa por equipes, os atletas competem individualmente nas provas de maratona, meia maratona e 10km (sub-20), e somam pontos para seus países, de acordo com sua posição final. Vence o país que somar menos pontos. São premiadas as três melhores equipes de cada prova, no masculino e feminino, além dos pódios individuais.
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Torcida brasileira por Caio Bonfim
O dia começou bem cedo no Eixo Monumental de Brasília, onde foi organizado o circuito da prova. A primeira largada aconteceu às 6h45 da manhã, sob um céu nublado e um vento gelado. Aos poucos, a torcida foi se juntando e enfeitando as grades ao redor do percurso com diferentes bandeiras, especialmente de Brasil e Equador.
O circuito foi montado em um dos principais cartões postais da capital federal, com a largada na altura do Museu Nacional da República, passando pela Catedral Metropolitana e próximo à Esplanada dos Ministérios. Ao redor da pista, fora do espaço delimitado para a elite do atletismo mundial, pessoas comuns corriam, caminhavam e pedalavam.
O clima, que já vinha esquentando desde o bronze na meia maratona feminina, pegou fogo de vez quando Caio chegou para a largada da meia maratona masculina. A essa altura, o sol já estava a pino, castigando atletas e torcida. Mas isso não parou o público, que gritava a cada volta do herói da marcha atlética.
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