Carismático e ousado, Pat Burgener é Brasil nas Olimpíadas pela primeira vez
Nascido na Suíça, o snowboarder de 31 anos é uma das esperanças de medalha

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Em meio ao show de gingado da delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos de Milão-Cortina, o snowboarder Pat Burgener roubou a cena dando estrelinhas e um salto mortal durante o desfile. Aquele momento representa bem o espírito do atleta de 31 anos: inquieto, ousado, e alegre por disputar as Olimpíadas como Brasil pela primeira vez.
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Nascido em Lausanne, na Suíça, e filho de mãe líbano-brasileira, ele tirou a cidadania brasileira no início de 2025 e conseguiu aprovação da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) para competir pelo Brasil a partir desta temporada. Pat já disputou duas Olimpíadas pelo país natal e acredita chegar mais maduro, mas ainda em alto nível para Milão-Cortina.
— Eu sempre tive essa ideia de fazer a transição, desde os 20 anos, desde que comecei com o snowboard, sabia que faria isso um dia. Mas eu tive a sensação de que seria esse ano porque eu quero representar o Brasil quando estiver no topo do meu nível, sabe? Em quatro anos eu também posso ir aos Jogos Olímpicos, mas não para disputar uma medalha, acho que esse ano é a última Olimpíada que posso realmente fazer uma boa performance - contou, em entrevista ao Lance!.
As expectativas são boas para esta edição. Com duas participações olímpicas no currículo, tendo um quinto lugar em PyeongChang 2018 e uma 11ª colocação em Pequim 2022, Pat já fez história para o snowboard do Brasil. No início de janeiro, ele conquistou o bronze da etapa de Calgary da Copa do Mundo, se tornando o primeiro atleta do país a subir ao pódio na competição.
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Mente criativa e inquieta
Pat enfrentava problemas na escola quando, em 2008, foi diagnosticado com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Com o apoio da família, ele passou a enxergar a condição como um "superpoder" e aprendeu a canalizar sua energia em coisas diferentes. A prática esportiva, especialmente do snowboard, teve um papel fundamental nesse processo.
Porém, a modalidade não é a única paixão de Pat, que também se dedica à música. A relação se intensificou em um momento delicado na carreira do atleta quando, em 2014, sofreu um rompimento de ligamento do joelho e decidiu conciliar a trajetória no esporte com a de músico. Antes do início da temporada de inverno, ele teve uma pausa de apenas três dias após uma turnê de 20 shows.
— Eu acho que a balança na vida é importante. A criatividade na música me ajuda a ter criatividade no meu esporte. Se eu foco toda a minha energia em um só lugar, fico muito nervoso, vou me machucar e as coisas não dão certo. Para mim, essa é a melhor maneira de ficar calmo e fazer a minha melhor performance - disse.
O estilo criativo aparece no estilo de snowboard de Pat, que não tem medo de arriscar. Poucos dias antes de viajar para a Itália, passou um susto durante treinamentos na Suíça e sofreu uma queda séria após uma tentativa de executar o switch backside triple cork, uma das manobras mais complexas do snowboard, com inversões e múltiplas rotações. Felizmente, ele não sofreu lesões e já estava pronto para fazer "estripulias" na cerimônia de abertura.
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Playlist brasileira e aula de português com IA
Uma das paixões de Pat, a música tem ajudado o atleta a se aproximar das raízes brasileiras. Ele contou que, durante os aquecimentos, costuma ouvir uma playlist recheada de sucessos do país. Recentemente, Pat lançou seu primeiro single em português, chamado "Vai dar certo".
A prática do idioma foi algo a que Pat tem se dedicado nos últimos meses. Além de conversar com a mãe, que é fluente em português, e dar entrevistas na língua oficial do Brasil, ele tem estudado bastante sozinho. Quase sozinho: o atleta revelou que costuma contar com a ajuda da inteligência artificial para praticar.
— Comecei a trabalhar quase todos os dias pra aprender, é uma língua maravilhosa. Minha mãe fala perfeitamente, mas o Chat GPT me ajuda muito, porque eu preciso de algo que eu possa falar todo dia e perguntar algumas coisas - contou.
Se a mudança de nacionalidade competitiva foi recente, Pat mostrou que no quesito simpatia, gingado e carisma, já é 100% brasileiro.

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