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Lauter no Lance!: Abril desembestado nos traz recordes, performances e esperança…

Se não viu, não se desespere, posso contar um pouco sobre o que aconteceu

PorLauter Nogueira
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
29/04/2025 11:20
Atualizado em 20/05/2025 17:27

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!

Supervisionado porLauter Nogueira,
Jacob Kiplimo comemora a vitória e o título do Mundial de Meia Maratona, em Gdynia, na Polônia. (Divulgação)
Jacob Kiplimo comemora a vitória e o primeiro título do Mundial de Meia Maratona, em Gdynia, na Polônia. (Divulgação)

E não necessariamente nesta ordem, irei apresentando a meu seleto grupo de renitentes leitores, o que nos presenteou o esporte mundial neste fim de semana que já se foi. Confesso que foram muitos os eventos que consegui acompanhar, tive que selecionar, pois o contador de palavras já vai firme lá na frente.

No sábado aconteceu a etapa de abertura da Diamond League, o maior e mais importante circuito de Atletismo do mundo, agora com 15 etapas, espalhadas pelos continentes, exceto a América do Sul. E que abertura, meus amigos! Por ser a primeira de uma longa série de etapas, e nesta época do ano ainda é o comecinho das competições ao ar livre, sendo de bom-tom não esperar grandes resultados até o começo de junho, principalmente porque é ano de Campeonato Mundial, em setembro, na capital japonesa.

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Esqueçam esta baboseira acadêmica, o couro comeu em Xiamen neste sábado, e todo mundo viu, ou não!

Se não viu, não se desespere, posso contar um pouco sobre o que aconteceu:

MADE IN CHINA

Comecemos pela prova que nos trouxe um recorde mundial, e uma esperança, os exóticos 300m c/ barreiras. Uma versão um pouco mais curta do que a prova que nos trouxe 2 medalhas olímpicas nas duas últimas Olimpíadas, com o gigante, literalmente, Alison dos Santos, os 400 c/ barreiras.

Irá, ou não, me perguntar você, um dos meus 11 seguidores, por que esta economia de 100 metros? Te respondo ligeiro, feito Warholm, para tornar a retomada de ritmo de competição, ainda em início de temporada, menos dolorosa para músculos e coração e mais exigente na velocidade. Não sendo ainda uma prova oficial para quebras de recorde (acabou de se tornar oficial, desde sábado), e ganhando relevância durante a pandemia, quando, direto de Bislet, em Oslo em 2021, Warholm sozinho na pista, corre contra o relógio, e ganha, quebrando a melhor marca mundial até aquele momento.

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E lá está ele, dando por encerrada a fase básica e fazendo sua primeira prova ao ar livre da temporada, os 300 c/ barreiras de Xiamen. Ele corre com especial desenvoltura e técnica, quebrando, agora com adversários reais que, aliás, ficaram longe, o recorde mundial, com 33"05c, abrindo os serviços em grande estilo. Mas não foi só isso que nos deleitou nesta prova. O atleta que conseguiu mais perto acompanhar o viking, foi um garoto brasileiro, corredor por ofício de 400 rasos, semi finalista desta prova em Paris 2024, que flerta ocasionalmente muito bem com as barreiras. E assim foi, com 33,98, um tempaço para início de temporada, ele é o vice campeão da prova! Matheus Lima, o moleque travesso, treinado pelo maior corredor de 400 do Brasil, Sanderlei Parrela, vai acumulando ótimos resultados desde 2023, terá que se dividir, e divertir, entre os 400 rasos, 400 c/ barreiras e os 4x400, provavelmente suas metas, as finais dessas provas no Mundial de setembro no Japão!

TENHA FÉ, KIPYEGON!

Faith Kipyegon, a colecionadora de recordes mundiais, quase leva mais um para casa, nos mil metros, com grandes adversárias, ao vencer com facilidade em 2'21", a menos de 1 segundo do recorde mundial de 1996, batido por Svetlana Masterkova, uma siberiana que dominou o meio fundo nos Jogos de Atlanta. Mesmo não quebrando recorde, Faith passa um recado ao mundo do atletismo: será um ano de novos recordes mundiais e novas medalhas. Ela, que se especializou em vencer e bater recordes nos 1500 e 5mil metros, quer trazer essa rotina também para os mil metros.    

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VELOZES HOMENS DE FERRO

Brasília recebeu neste fim de semana mais uma prova da franquia IRONMAN, um 70.3, Triathlon com a metade das distâncias oficiais do IRONMAN (3,8km nadando, 180km cic, 42,2km corrida), evento que costuma aglutinar 2 tribos que se olham meio de lado, os atletas de formato olímpico, acostumados com distâncias menores, mas intensidades bem maiores do que seus rivais Iron People. E quando estas duas turmas se encontram num 70.3, o bicho pega. Duelos sensacionais acontecem. E dessa vez deu o povo "do olímpico". Miguel Hidalgo, um jovem triatleta com já 2 olimpíadas nas costas, e Djenyfer Arnold, também atleta olímpica, dominaram o cenário, com vitórias acachapantes, mostrando que, como temos visto nos últimos anos, mais vale a intensidade olímpica do que a resistência do Ironman.

Miguel Hidalgo conquista melhor resultado do triatlo brasileiro em Paris (Foto: Miriam Jeske/COB)
Miguel Hidalgo conquista melhor resultado do triatlo brasileiro em Paris (Foto: Miriam Jeske/COB)

JÁ QUE FALAMOS EM TRIATHLON, BORA PARA LONDRES?

Afinal, foi da prestigiosa (54 mil participantes!) Maratona de Londres, que vieram vários fatos relevantes, a seguir apresentados:

- Recorde mundial em Maratona feminina (sem participação de homens), batido por Tigist Asefa, fechando com 2h15'50". Seu tempo em Maratona mista é de 2h11'53", mostrando o quanto as mulheres se beneficiam da presença masculina nas provas mistas (largada única para a elite, entre homens e mulheres).

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- A vitória do queniano Sawe, com 2h02'27", segunda melhor marca em Londres de todos os tempos, já é motivo de celebração, porém o que mais impactou, foi o desempenho do segundo colocado, o ugandense Jacob Kiplimo, detentor de recordes mundiais nos 3 mil, 5 mil, 10 mil metros, 15kms e Meia Maratona, fez uma estreia em maratona, no mínimo, promissora! Seu tempo, 2h03'37", e sua idade,  24 anos, o credenciam para começar a preparar o bote, mais um recorde mundial. Bora para os 42,2km Jacob? E também a quebra da emblemática marca de sub  2 horas, enfim?

Potencial orgânico e biomecânico ele tem de sobra, afinal quem tem 56 minutos na meia maratona, incríveis 12'40" nos 5 mil metros, e agora 2h03' na maratona, tá prontinho para virar lenda!

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Eu queria chamar a atenção de meu seleto time de leitores, para 2 fatos relevantes ainda:

- A atuação do "quarentão" Kipchoge, fechando a prova em 2h05, e terminando a maratona como quem acaba de tomar chá com a família Real, parando logo após a linha de chegada, para caminhar serelepe até seus adversários, que o aguardavam respeitosamente, e cumprimentar um a um, vibrante e sorridentemente.

- Outra estreia que chama a atenção é a do triatleta, repito, triatleta britânico, Alex Yee, que fez 2h11'08", também chegando inteiro, apesar de reclamar a falta de rodagem longa durante as semanas, pois em seus treinos ele prioriza a intensidade, já que se tornou, mesmo não abandonando totalmente o Triathlon e focando num passeio próximo no Ironman, campeão britânico dos 10 mil metros, e detentor de uma bela marca pessoal, 27:52, nos 10 mil metros.

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Yee é um dos poucos no mundo que pode escolher o que conquistar nas próximas temporadas: ser o melhor maratonista da Europa? Se tornar Bicampeão olímpico no Triathlon, em Los Angeles? Ou campeão mundial do IRONMAN, com quebra de recorde?

Cartas para a redação!

Por hoje é só, na sexta prometo informações sobre o primeiro fim de semana de maio e o que de melhor aconteceu no mundinho dos esportes.

Até sexta!

                                                                        Lauter Nogueira.

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