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Rafaela Silva fala sobre ter cogitado suicídio e fuga das redes sociais

Judoca ignora até família nas redes antes de grandes eventos

Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porThiago Fernandes,
Dia 08/01/2026
08:04
Atualizado há 2 minutos
Rafaela Silva já conquistou dois ouros no Mundial
imagem cameraRafaela Silva (Foto: Alexandre Loureiro/ COB)

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Nesta quarta-feira (7), Nell Salgado lançou o seu livro em um restaurante no Rio de Janeiro. Coach de atletas, foi prestigiada por alguns nomes relevantes do cenário esportivo brasileiro. Entre eles, Rafaela Silva, campeã olímpica de judô. E, em entrevista, ao comentar como Nell entrou na sua vida, revelou que as dificuldades que passou na carreira chegaram ao ponto de a fazer cogitar o suicídio.

O fato aconteceu em 2012, após as Olimpíadas de Londres. Em sua primeira participação olímpica, já era apontada como favorita a conquistar medalha. Mas foi desclassificada por um movimento considerado ilegal contra a húngara Hedvig Karakas. Nas redes sociais, foi atacada e sofreu com xingamentos racistas. A decepção pelo resultado somado às críticas mexeu com a cabeça da atleta.

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- Se era aquilo que eu poderia oferecer, então o Brasil não merecia ser representado por mim. Eu quis sumir, acabar com a minha vida. Sim, já cogitei até suicídio

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*Se você precisa, busque ajuda. Você não está só, ligue 188 para o atendimento 24h do Centro de valorização da vida. O CVV é uma entidade dá suporte emocional e atua na prevenção do suicídio. Se você sente que não tem a quem recorrer no momento da crise, contate o CVV e converse com um voluntário. O serviço funciona 24 horas por dia e pode ser feito por meio de chat na internet ou pelo telefone 188 (a ligação é gratuita). 

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Segundo Rafaela, foi preciso um forte trabalho psicológico para que conseguisse voltar à treinar e se preparar para as Olimpíadas do Rio onde conquistou a sua medalha de ouro. Oito anos depois, em Paris, a atleta ganhou o bronze com o time misto.

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O papel das redes sociais na mente dos atletas

Rafaela talvez tenha sido uma das primeiras grandes vítimas do crime moderno: o bullying virtual. Pessoas que se escondem atrás de telas (e, muitas vezes, perfis falsos) para destilar ódio. As redes sociais aproximaram os fãs dos atletas. Mas também aproximaram os haters. E isso cada vez mais influência em suas mentes, principalmente em momentos cruciais e difíceis.

Por isso, Rafaela decidiu tomar uma decisão: não entra nas redes sociais antes de eventos importantes em sua vida. Nem à sua família responde.

- A gente não tem sangue de barata, por isso eu prefiro evitar as redes sociais. Ninguém consegue falar comigo. Nem minha família. Apago tudo, Só volto, quando acaba. Mesmo hoje em dia, posto uma foto e falo de desempenho, de resultado de competição e sempre vai ter um comentário ou outro ali que você não gostaria de estar lendo. Antes, eu era muito jovem, muito esquentada, sempre fui. Eu queria responder, eu queria brigar nas redes sociais, e aí eu comecei a entender que precisava valorizar mais as palavras, as pessoas que conviviam comigo, que abriam mão da vida delas pra sonhar meus sonhos junto comigo, do que uma pessoa que nem me conhece, que tá ali atrás do celular me mandando uma mensagem negativa. Então eu prefiro me afastar, ignoro os comentários. Hoje eu só pego, apago e sigo minha vida.

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Rafaela Silva nas quartas de final no Grand Slam de Abu Dhabi (Foto: IJF)
Rafaela Silva nas quartas de final no Grand Slam de Abu Dhabi (Foto: IJF)

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Rafaela Silva em novo peso de olho em LA

Rafaela Silva
Rafaela Silva ouro no judô do Pan-Americano (Foto: Wander Roberto/COB)

Além do ouro olímpico, Rafaela também conquistou o bronze por equipes no Jogos Olímpicos de Paris no ano passado. De olho em um novo ciclo olímpico, decidiu mudar de categoria e saiu da até 57kg para até 63kg. Os resultados em 2025 foram positivos, inclusive, com medalha em etapas do circuito mundial.

- Foi difícil a adaptação. Eu consegui ganhar um peso de musculatura para me encaixar na categoria e me sentir bem fisicamente. Mas agora tá fluindo. Hoje, eu já me encontro dentro da zona de classificação olímpica e espero conseguir me manter aí, buscar essa vaga para estar em mais uma Olimpíada.

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