Luiz Gomes: A quem interessa a Libertadores da violência?
Colunista do LANCE! fala sobre o vandalismo protagonizado pelo Boca Juniors em Minas

O silêncio da Conmebol sobre o vandalismo da delegação do Boca Juniors depois do jogo em que os argentinos foram eliminados pelo Atlético-MG no Mineirão é chocante. Mas absolutamente previsível.
Punir atitudes antiesportivas, violência dentro e fora do campo em jogos do principal torneio sul-americano definitivamente não faz parte dos protocolos da entidade. Ao contrário, isso parece, por vezes, até orgulhar a cartolagem, alimentar aquele sentimento bizarro de que "isso é Libertadores".
Mas será que interessa a alguém essa Libertadores? A Libertadores de policiais com escudos protegendo jogadores na cobrança de escanteio, de manifestações racistas, de gramados que mais parecem pastos, de ônibus apedrejados, de vestiários invadidos, de foguetório na porta do hotel dos rivais - como fez, aliás, a torcida do Galo na véspera do jogo com o Boca?
Nós, por aqui, não somos santos. Muito longe disso. Já protagonizamos tragédias até fatais como no caso do jogo do Corinthians contra o San José na Bolívia. Mas a capacidade dos hermanos em gerar confusão e praticar selvageria mostra-se ilimitada. Quem não se lembra da final de 2018 quando o ônibus desse mesmo Boca - então em dia de caça e não de caçador- foi atacado por torcedores do River?
Também naquela vez a Conmebol não fez o que deveria ter feito: eliminado os Milionários e dado o título ao Boca. Preferiu uma multa, impor dois jogos de portões fechados no Monumental de Nuñes e a ridícula decisão de levar o jogo para Madrid.
Enquanto não houver punições efetivas vamos continuar a ver o que se viu no Mineirão. Mas será que pode existir Libertadores sem River e Boca, se eles forem punidos de verdade? É claro que sim. Como existiu a Champions League por cinco anos sem todos os clubes ingleses depois da Tragédia de Heysel onde 39 torcedores da Juventus morreram atacados pelos hooligans do Liverpool.
É evidente que a dimensão dos dois episódios é diferente. Não se compara os fatos, mas as consequências. A certeza da punição versus a garantia da impunidade.
O que falta aqui, deste lado do Oceano Atlântico, é simplesmente vergonha na cara. E a falastrice do presidente do Boca, com ameaças ao Atlético e o pedido de eliminação dos mineiros, transferindo responsabilidades, é o exemplo disso. Na terra do vale tudo cada um fala e age como quer. Quem sabe uma hora cola. Não é difícil acontecer.

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