PSG completa 15 anos comandado por fundo de investimento e consolida marca global na final da Champions
Especialistas avaliam a situação do PSG, adquirido pela Qatar Sports Investments em 2011

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A final da Champions League, marcada para este sábado (30), consolida um momento histórico para o PSG dentro e fora dos gramados. O clube francês, que desde 2011 é gerido pela Qatar Sports Investments (QSI), completa neste domingo (31) exatamente 15 anos sob o controle do fundo de investimentos ligado ao governo do Catar.
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Sob a liderança de Nasser Al-Khelaifi, o PSG investiu pesado em contratações de impacto global para posicionar a sua marca. O planejamento incluiu a chegada de Neymar Jr. (transferência mais cara da história do futebol), Kylian Mbappé (que ocupa a segunda posição no ranking mundial), Lionel Messi (maior vencedor da Bola de Ouro e do prêmio de melhor do mundo pela Fifa) e Ousmane Dembélé (atual detentor da Bola de Ouro e do prêmio de melhor do mundo pela Fifa). Ao todo, o clube aportou mais de € 450 milhões (R$ 2,64 bilhões) nessas operações de mercado.
O alto investimento financeiro trouxe bons resultados em nível nacional e internacional. A partir da aquisição pelo grupo catari, o clube conquistou 12 títulos da Ligue 1, 12 da Supercopa da França, oito da Copa da França e seis da extinta Copa da Liga, tornando-se o maior recordista de todas as principais competições do país.
Com a hegemonia estabelecida em solo francês, o PSG se consolidou como presença obrigatória na Champions League, participando de todas as edições após a entrada da gestão da QSI e solidificando seu status como uma das marcas esportivas mais conhecidas do planeta.
— Com as receitas em ascensão, o PSG deixou de ser só um clube tradicional de Paris e virou um gigante global, influenciando até a economia da França. As receitas dispararam, o turismo cresceu, a mídia deu mais atenção, e o futebol francês ganhou um novo status. Agora colhendo resultados também esportivamente, é a prova de que esse projeto ambicioso mudou o jogo para o clube dentro e fora das quatro linhas — analisa Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management, empresa de agenciamento que cuida das carreiras do zagueiro Vitor Reis, do Manchester City, e do atacante Romelu Lukaku, do Napoli.
Temporada 2024/25: o ápice financeiro e esportivo do projeto
A última temporada é considerada pela própria instituição como a mais bem-sucedida de sua história no futebol e na parte do negócio. A equipe francesa tornou-se a terceira na história do futebol a conquistar a sêxtupla coroa, conquistando seis títulos na temporada. O feito inclui o título inédito da Champions League e um faturamento de € 837 milhões (R$ 4,97 bilhões). Em termos de comparação de mercado, o montante registrado em 2011 era nove vezes inferior ao resultado da temporada 2024/25.
— O PSG, assim como Chelsea e Manchester City, é um grande exemplo de como investimentos externos podem mudar o patamar de um clube. Hoje, a equipe francesa domina o cenário nacional e se consolidou como uma das principais forças financeiras do futebol mundial, sobretudo pelo crescimento das receitas aliado a uma gestão profissionalizada — afirma Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol.
Valorização comercial e posicionamento da marca PSG
Além do salto esportivo e financeiro, a marca do PSG apresentou forte valorização após a compra pelo governo do Catar. De acordo com um estudo publicado em 2025 pela Brand Finance, consultoria especializada em valuation de marcas, o clube francês detém a quinta marca mais valiosa do futebol mundial, com valor estimado em R$ 8,2 bilhões.
— A trajetória do PSG nos últimos 15 anos é um grande case moderno de valorização de marca no esporte mundial. A Qatar Sports Investments compreendeu que o valor de um clube vai muito além dos 90 minutos em campo e transformou o PSG em um ativo de lifestyle global. Ao conectar o futebol à moda, à cultura e ao entretenimento, o clube multiplicou seu valor de mercado e criou novas linhas de receita que antes não existiam na equipe. Hoje, marcas esportivas de sucesso precisam ser ecossistemas de engajamento global, e o PSG estabeleceu um novo padrão de como transformar paixão em valor de marca — destaca Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento anual que reúne os principais decisores do futebol brasileiro.
Paralelamente, o atual campeão europeu figura como um dos clubes que mais vendem camisas no mundo há anos. Em 2025, segundo levantamento da Euroméricas Sports Marketing, cerca de 2,5 milhões de uniformes da equipe francesa foram comercializados, posicionando o clube como o terceiro colocado global em vendas de materiais esportivos.
Esse fenômeno comercial teve marcos importantes: em 2017, o clube faturou € 1 milhão em vendas de camisas nas primeiras 24 horas após o anúncio de Neymar Jr. No ano seguinte, o clube firmou uma parceria inédita e exclusiva com a Jordan Brand, subdivisão da Nike. A iniciativa tornou o PSG a primeira equipe de futebol a estampar o símbolo Air Jordan em seu uniforme oficial, utilizado nos jogos como visitante na Champions League, o que expandiu a presença da marca pelo continente europeu.
— O PSG conseguiu se consolidar como uma das marcas mais fortes do futebol mundial porque entendeu que o clube precisava extrapolar o campo. Nos últimos anos, a equipe francesa aproximou o futebol de mercados como moda, lifestyle e entretenimento, transformando a camisa em um produto de desejo global. Isso ajuda a explicar tanto o crescimento comercial quanto o aumento das vendas de uniformes e da presença internacional da marca — afirma Wagner Leitzke, head de digital da Agência End to End.
A estratégia de diversificação e outros investimentos da QSI
Além do controle da equipe parisiense, a QSI expande sua atuação no mercado esportivo por meio de investimentos em outros ativos do futebol internacional. Atualmente, a organização é proprietária do Kas Eupen, integrante da segunda divisão da Bélgica, e detém uma participação minoritária de 29,60% na SAD (Sociedade Anónima Desportiva) do Braga, de Portugal.
— A exemplo do que tem sido visto nos principais países do futebol mundial — seja em alguns casos por organização espontânea do mercado, tal como na Inglaterra, ou por meio de uma legislação específica, como no Brasil — a migração do modelo associativo para o empresarial pode gerar amplo impacto positivo. Em meio a esse processo, é facilitada a entrada de investidores, especialmente estrangeiros, como os Multi Club Owners (MCOs) ou fundos do Catar, e contribui para o aumento substancial dos orçamentos e da competitividade das equipes — destaca Cristiano Caús, especialista em direito desportivo e sócio-fundador do escritório CCLA Advogados.
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