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Operação no DF e em cinco estados desmonta esquema milionário de bets ilegais

Polícia Civil afirma que dados financeiros das empresas envolvidas indicam movimentação de R$ 739 milhões

PorRedação Lance!•Rio de Janeiro (RJ)
05/11/2026 09:54
Operação da PCDF desmonta esquema milionário de bets (Divulgação)
Policiais civis do Distrito Federal cumprem mandados da operação Azzardo (Divulgação)

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma operação na manhã desta quinta-feira para desmantelar um esquema de bets ilegais que movimentou mais de R$ 700 milhões. A investigação foi iniciada há cerca de cinco meses a partir de uma denúncia à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que identificou as casas sem autorização para funcionar. A Operação Azzardo ocorre no Distrito Federal e em cinco estados (São Paulo, Paraná, Ceará, Rio Grande do Norte e Goiás).

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A operação ocorreu por intermédio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), do Departamento de Combate ao Crime Organizado (Decor) e cumpre, além de mandados de busca e apreensão, medidas de bloqueio patrimonial contra uma rede de exploração de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A partir da denúncia e da identificação de plataforma sem autorização para operar, a investigação apontou que pagamentos por PIX direcionados a esse site eram direcionados a empresas com atividades declaradas sem relação com apostas, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas com endereço em Sobradinho, no Distrito Federal.

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Agentes da PCDF cumprem mandados da operação Azzardo contra bets ilegais (Divulgação)
Agentes da PCDF cumprem mandados da operação Azzardo contra bets ilegais (Divulgação)

As diligências identificaram empresas abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Nos locais declarados, os policiais encontraram imóveis vazios e outros estabelecimentos comerciais. Em um único lote de Ceilândia, dez empresas indicavam o mesmo telefone. A investigação apurou o uso de dezenas de empresas de fachada concentrar os valores recebidos e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos.

Dados financeiros analisados apontam movimentações de R$ 739 milhões e a investigação também alcança uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto. As simulações feitas pela SPA e as cobranças por PIX dos sites investigados levaram a inúmeras contas de empresas de fachada, e a fintech também mantinha contas com outras empresas do esquema, com rodízio de procuradores, de acordo com a Polícia Civil do DF. Os dados financeiros relativos à instituição indicam movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, incluindo repasses à empresa investigada e pagamentos a casas de apostas sem autorização. O Banco Central divulgou no fim de julho a intenção de cancelar a autorização de funcionamento também desta fintech.

A apuração também alcança três empresas que obtiveram autorizações das loterias dos Estados da Paraíba e do Rio de Janeiro, restritas a determinados territórios, marcas e sites. Nenhum dos sites investigados estava contemplado por essas autorizações, que não equivaliam à autorização federal então exigida. As autorizações estaduais deixaram de valer após o prazo de transição previsto
na Medida Provisória 1.394/2026, de 25 de setembro, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa.

A operação mobilizou cerca de 200 policiais civis no DF, e em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. No Distrito Federal, são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão. Na capital paulista, as equipes cumprem mandados na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros, no polo empresarial da Vila Olímpia e outros locais. Em Goiás, as diligências ocorrem em Goiânia, em Planaltina de Goiás e em Valparaíso de Goiás.

Segundo a Polícia Civil, investigados poderão responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. As penas privativas de liberdade, somadas em abstrato, variam de 11 anos e 6 meses a 31 anos, podendo chegar a 33 anos se a falsidade ideológica envolver documento público. O nome da operação remete a gioco d'azzardo, expressão italiana que significa "jogo de azar".


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