Ícone do Santos, Victor Ferraz anuncia aposentadoria aos 38 anos; relembre trajetória
Agora, eterno camisa 4 se prepara para permanecer no futebol à beira do gramado

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Após 17 anos dedicados ao futebol brasileiro, Victor Ferraz, aos 38, decidiu encerrar a carreira e colocar um ponto final em uma trajetória respeitada no país. Com passagens por Náutico, Coritiba, Santos e Grêmio, o agora ex-atleta anuncia sua aposentadoria nesta segunda-feira (20), às 12h30 (de Brasília).
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Base e profissional 🕒
Nascido em João Pessoa, em 1988, o paraibano sempre alimentou o sonho comum a muitas crianças brasileiras de se tornar jogador de futebol e viver de sua paixão. Ele não apenas alcançou esse objetivo, como também se consolidou no mais alto nível do futebol nacional ao vestir a camisa de tradicionais clubes do país.
A trajetória, no entanto, esteve longe de ser simples. Na base, foram anos por diferentes equipes em busca de melhores oportunidades, percurso que o levou a conhecer o país de ponta a ponta. Ainda na juventude, aos 10 anos, iniciou a formação no Botafogo-PB e deu início a uma longa caminhada que incluiu passagens por Vitória, São Paulo, Athletico-PR e Náutico, até chegar ao Iraty, do Paraná, onde finalmente recebeu a oportunidade de alcançar o profissional, ainda que em um cenário menos expressivo em relação aos clubes anteriores.
Ainda assim, o desfecho não ocorreu conforme o esperado para uma promessa em ascensão em um clube de menor porte. O jovem de 20 anos deixou o Iraty em 2008 e seguiu para o São José-RS em 2009, quando saiu do banco de reservas para estrear na lateral direita. Foram poucos jogos, mas suficientes para cruzar o Brasil, ao defender o Águia de Marabá em 2010, clube pelo qual marcou o primeiro gol da carreira. O desempenho o levou, ainda naquele ano, ao Centro-Oeste para vestir a camisa do Atlético-GO.
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Atlético-GO, Coritiba, Santos e Grêmio 🕕
Foi ali que passou a atuar no principal palco do país, o Brasileirão da Série A. O Dragão garantiu a permanência na elite ao escapar do rebaixamento na 16ª colocação, enquanto Ferraz, com 22 anos, dava os primeiros passos de destaque na carreira. Ele permaneceu no clube até 2011 e, na sequência, acumulou passagens rápidas por Vila Nova e Bragantino. Em 2012, foi contratado pelo Coritiba, até então o time mais representativo de sua trajetória profissional, que vivia grande fase após o vice-campeonato da Copa do Brasil de 2011 e voltaria a alcançar a decisão na temporada seguinte.
No Coxa, Ferraz retornou à elite do futebol brasileiro com o objetivo de se firmar e, após anos de instabilidade, conseguiu manter uma sequência mais longa em um mesmo clube. Entre 2012 e 2014, conquistou espaço na equipe e assumiu a titularidade de forma consistente pela primeira vez na carreira. Foi assim que se tornou a "menina dos olhos" do Santos, que passou a enxergá-lo como uma importante aposta para reforçar o elenco.
E assim se confirmou: em junho de 2014, foi contratado pelo Peixe para a segunda metade da temporada. Ao deixar para trás o vai e vem característico da carreira, firmou-se em um gigante nacional e conquistou o apreço da torcida santista. Assumiu a titularidade em 2015, agora com a camisa 4, e não saiu mais do onze inicial.

Foram mais de 250 jogos pelo Santos até 2019, com a conquista de dois títulos do Paulistão, em 2015 e 2016, além de consolidar um reconhecimento singular com a torcida da Baixada. Ferraz vestiu a camisa branca pela última vez na vitória por 4 a 0 sobre o Flamengo, na rodada final do Brasileirão de 2019, quando atuou durante os 90 minutos e tornou-se o quarto lateral com mais partidas pelo Alvinegro na história.
O desafio seguinte foi manter o nível apresentado nos anos anteriores em outro gigante do futebol nacional, o Grêmio. Anunciado ainda em 2019, foi a principal escolha do técnico Renato Gaúcho para a lateral direita na temporada em 2020, mas iniciou o ano seguinte fora dos planos e deixou o clube em novembro de 2021.
Náutico, Chape, Paraguai e Serra Branca 🕘
Em outra fase da carreira, retornou ao Náutico em abril de 2022, desta vez como profissional, e realizou o desejo de vestir a camisa do clube que acompanhou de perto na juventude. Já na reta final da trajetória, criou forte identificação com a torcida alvirrubra e teve papel relevante no período, na maior parte do tempo como titular, até encerrar sua passagem em 2023.
Nos últimos anos, atuou pela Chapecoense nos meses finais de 2023 e teve a primeira e única experiência internacional da carreira no Tacuary, do Paraguai, ao longo de 2024. Em 2025, acertou com o Serra Branca, da Paraíba, último clube de sua longa carreira, no qual permaneceu até então. O jogador já havia anunciado a saída do Carcará em 19 de março deste ano. Abaixo, veja os números de Victor Ferraz por clubes na carreira:
| Clube | Jogos | Gols | Assistências |
|---|---|---|---|
| Santos | 258 | 11 | 21 |
| Coritiba | 70 | 0 | 7 |
| Náutico | 67 | 6 | 3 |
| Grêmio | 44 | 1 | 4 |
| Bragantino | 36 | 1 | 0 |
| Atlético-GO | 29 | 2 | 1 |
| Tacuary FBC | 28 | 0 | 3 |
| Vila Nova | 21 | 1 | 0 |
| Serra Branca | 19 | 3 | 0 |
| São José-RS | 14 | 0 | 0 |
| Chapecoense | 11 | 0 | 0 |
🏆 Títulos: Atlético-GO: Goiano (2011); Coritiba: Paranaense (2013); Santos: Paulista (2015 e 16); Grêmio: Gaúcho (2020/21), Taça Francisco Novelletto (2020), Recopa Gaúcha (2021); Náutico: Pernambucano (2022).

Estudos na CBF e legado fora de campo ⌛
Lateral de origem, com capacidade para atuar também como volante, meia e até zagueiro, Victor Ferraz sempre se destacou pela versatilidade dentro de campo, característica que abriu caminho para vislumbrar uma carreira como treinador. Em 2025, concluiu o curso de Licença B da CBF Academy e se aproximou do caminho mais comum entre ex-atletas, ao optar por permanecer no futebol, agora à beira do campo.
Além disso, também passará a se dedicar com mais intensidade a um projeto que busca retribuir ao futebol tudo o que a modalidade lhe proporcionou, ao ajudar a realizar o sonho de outros jovens no esporte. Experiente, Ferraz atua à frente do próprio clube, o VF4, na Paraíba, fundado em 2017 como projeto social e oficialmente registrado em 2018.
O nome faz referência às iniciais do fundador e ao número que utilizou durante a carreira. Nos primeiros anos, o projeto conquistou o Campeonato Paraibano Sub-17 e participou da Copa do Brasil da mesma categoria. Em 2021, passou a contar também com uma equipe feminina, que venceu o campeonato estadual na mesma temporada.
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