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Eliminação na Champions expõe crise do Real Madrid; entenda

Clube pode ficar duas temporadas sem conquistar títulos importantes

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porNathalia Gomes,
Dia 16/04/2026
11:24
Atualizado há 2 minutos
Éder Militão voltou a jogar após meses afastado por lesão
imagem cameraMilitão aplaudindo os torcedores merengues após a queda do time na Champions (Foto: Alexandre Beier/AFP)

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Lidando com crises desde a temporada passada, o Real Madrid encontrou nesta quarta-feira (15), diante do Bayern de Munique, o grande indicativo de que algo precisa mudar. O time foi eliminado nas quartas de final da Champions League ao perder por 4 a 3 na Allianz Arena, resultado que fechou o placar agregado em 6 a 4. A queda na Europa se soma ao vexame na Copa do Rei – eliminação para o Albacete, da segunda divisão, na estreia de Álvaro Arbeloa – e a uma missão quase impossível em La Liga, onde o time está a nove pontos do líder Barcelona, restando sete rodadas.

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O placar contra os bávaros foi cruel, e o Bayern mais fatal, mas o desempenho em campo escancarou problemas que vinham sendo gestados há meses. Afinal, o que justifica um dos times mais temidos do futebol mundial ter tido um desempenho tão abaixo em três frentes?

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Após a conquista da Champions League em 2023/24, tudo se encaminhava para uma dominância europeia. Um time campeão conseguiu adicionar mais um ingrediente capital: a chegada de Kylian Mbappé. No entanto, a temporada 2024/25 foi o início do desastre. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a equipe passou em branco, conquistando apenas a Supercopa da Uefa e o Mundial de Clubes sobre o Pachuca. Ao fim daquela temporada, Ancelotti seguiu novos ares, assumiu a seleção italiana, e o Real Madrid decidiu ser agressivo no mercado.

Xabi Alonso, que vinha de uma passagem histórica no Bayer Leverkusen, chegou com a missão de repetir o sucesso, mas no clube que um dia foi sua casa e com os maiores holofotes possíveis. A aposta, porém, não deu certo. Demitido em janeiro, Alonso deixou um legado de conflitos internos e um time sem identidade.

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Gastos recordes e erros de planejamento marcam pós-título

Diante da decepção da temporada 2024/25, sem os principais títulos, o Real Madrid desembolsou 178 milhões de euros (cerca de R$ 1,15 bilhão) em quatro reforços no mercado de verão: Dean Huijsen (Bournemouth), Trent Alexander-Arnold (Liverpool), Álvaro Carreras (Benfica) e Franco Mastantuono (River Plate). Desde 2019, os Merengues não gastavam tanto em uma mesma janela.

A intenção era boa. Após uma temporada marcada por lesões e desfalques, sobretudo na linha defensiva, o clube foi atrás de nomes para recompor o setor. O problema, avaliam fontes ouvidas pelo clube, é que os jogadores que chegaram eram majoritariamente jovens, sem grandes experiências nos grandes palcos do futebol europeu e sem a preparação para a pressão de ser titular em um clube gigantesco.

  1. Huijsen, de 62,5 milhões de euros, passou por Roma e Juventus, mas não foi titular em nenhum dos dois. Só brilhou no Bournemouth.
  2. Carreras, de 50 milhões, teve passagem apagada pelo Manchester United e só se destacou no Benfica.
  3. Mastantuono, joia argentina de 45 milhões (com custos adicionais que superam 63 milhões), era apenas uma promessa.
  4. Trent Alexander-Arnold, o mais experiente, chegou por 7 milhões antecipados para o Mundial de Clubes.

O Real sempre teve como política contratar jovens e lapidá-los. Funcionou com Vini Jr e Rodrygo, quando o time estava em processo de reconstrução. Mas, no momento das atuais contratações, o clube estava na tentativa de manutenção da glória. E contratar jovens jogadores custou caro não apenas economicamente.

Além da chegada dos jovens, uma saída causou um grande impacto em campo: Luka Modric se despediu do clube ao fim da temporada 2024/25. Apesar da alta idade, o croata deixou cicatrizes quase incuráveis até o presente momento. Essa ausência, somada à falta de Toni Kroos, que deixou a equipe merengue na temporada retrasada, é um dos pontos que explicam a crise vivida pelo Real Madrid.

Sem os dois ídolos, instalou-se uma fragilidade na construção do meio-campo, que se tornou um dos retratos mais nítidos da crise. O elenco montado uniu dois dos atacantes mais explosivos e decisivos do futebol mundial – Vini Jr e Mbappé. Ambos são jogadores de aceleração e força no um contra um. Não têm como característica recuar para armar jogadas, girar a bola ou controlar o ritmo da partida. Eles atuam no último terço do campo, exploram as costas da defesa e finalizam com poucos toques.

São, portanto, "flechas", não "arcos". Dependem de alguém que pense o jogo antes deles, que encontre o passe entre linhas, que execute o lançamento milimétrico por cima da zaga. Sem esse tipo de jogador ao lado, Vini Jr e Mbappé perdem potência. Sem Modric ou Kroos para esse trabalho, o Real Madrid enfrenta um problema estrutural em seu setor ofensivo: não contratou ninguém com essas características. Arda Güler é o que mais se aproxima, mas ainda passa longe dos ídolos croata e alemão. A falta de um jogador com esse perfil é um dos grandes sintomas da crise que o clube atravessa.

Conflito interno entre Vini Jr e Xabi Alonso marca ponto de virada

A temporada 2025/26 se iniciou com um forte ímpeto. O time mostrou ser uma máquina sob Xabi Alonso, mas quem assistia tinha um certo receio da queda. Vini Jr, nesse contexto, passou a ser minado pelo novo treinador sem muitas explicações. A crise interna foi se instaurando: o jogador que tanto tinha feito pelo clube era desprestigiado por alguém que havia chegado agora, em troca de Mbappé, que também havia chegado há pouco tempo.

A derrota para o Atlético de Madrid foi uma amostra do que estava por vir. E a vitória contra o Barcelona foi a grande escalada. Apesar do triunfo, Xabi Alonso decidiu tirar Vini Jr do jogo quando o brasileiro brilhava. O jogador não reagiu bem e explodiu. A partir disso, o clima não foi mais o mesmo.

Vini Jr conversa com Xabi Alonso durante jogo entre Liverpool e Real Madrid, pela Champions League
Vini Jr conversa com Xabi Alonso durante jogo entre Liverpool e Real Madrid, pela Champions League (Foto: Paul Ellis/AFP)

Xabi Alonso virou refém de suas escolhas. Tinha conceitos interessantes para o jogo, mas gerenciava um elenco que precisava de ideias boas para gerir seus egos, como Ancelotti e Zidane fizeram com maestria. A queda era questão de tempo. Após a derrota na final da Supercopa da Espanha, Alonso foi demitido. Álvaro Arbeloa assumiu.

Sob a promessa de entender mais os jogadores e aliviar o clima interno, Arbeloa teve um começo instável. Sofreu um vexame na Copa do Rei logo em sua estreia. No dia 14 de janeiro, o Real Madrid perdeu para o Albacete por 3 a 2 e foi eliminado nas oitavas de final. O resultado entrou para a história do clube mandante: foi a primeira vitória do Albacete sobre o Real Madrid em confrontos oficiais, encerrando um tabu que durava mais de três décadas, e ilustrando ainda mais a crise do clube.

Na Champions, o time decaiu na fase de liga, perdeu vaga direta e foi para os playoffs. Eliminou o Benfica em duelos tensos e passou pelo Manchester City nas oitavas. Nas quartas de final, teve a indicação definitiva da crise.

A eliminação para o Bayern também expôs na prática o que os números do mercado já indicavam. Carreras e Huijsen, dois dos jovens contratados a peso de ouro, foram titulares no jogo de ida. O lateral, levou um baile de Michael Olise, sem resposta para as investidas do ponta francês. O zagueiro também não conseguiu impor segurança. Na volta, Arbeloa sacou ambos: Carreras perdeu a vaga para Mendy, que deu mais trabalho a Olise; Huijsen perdeu a vaga para Militão. Mastantuono não jogou na ida e só apareceu nos minutos finais da volta, sem tempo para influenciar. Das quatro grandes apostas do mercado, apenas Trent, o mais experiente, foi titular nos dois jogos. A eliminação veio mesmo assim.

A queda nas quartas de final da Champions aumentou a série negativa do Real Madrid, que chegou a quatro jogos seguidos sem vitória (três derrotas e um empate). Com Arbeloa, o time já soma sete derrotas, uma a mais do que no período com Xabi Alonso, que teve seis em oito meses.

Futuro de Arbeloa está ameaçado; clube planeja mudanças estruturais

Após a eliminação, o nome de Arbeloa passou a ser dado como certo fora do clube ao fim da temporada. O técnico tentou minimizar a pressão em entrevista coletiva, afirmando que seu futuro não o preocupava e que qualquer decisão do clube seria entendida por ele. Nos bastidores, porém, a avaliação já era outra. Segundo o jornal "The Athletic", o treinador provavelmente será demitido no meio do ano, mas deve seguir no cargo até lá por ser "um homem do clube" e por não fazer sentido contratar um novo nome com tão pouco em jogo no Espanhol.

Arbeloa no comando do Real Madrid (Foto: Oli Scarff/AFP)
Arbeloa no comando do Real Madrid (Foto: Oli Scarff/AFP)

A diretoria, liderada por Florentino Pérez, já discute alternativas para o comando técnico. Mauricio Pochettino, técnico da seleção dos Estados Unidos, é considerado um forte candidato e sempre foi bem avaliado por Pérez. Zidane também é muito apreciado, mas, segundo informações da imprensa europeia, o francês aguarda o cargo de técnico da França após a Copa do Mundo de 2026. Jürgen Klopp segue sendo mencionado, embora tenha anunciado sua aposentadoria como treinador de clubes e atualmente ocupe um cargo global na Red Bull.

Esse cenário de indefinição no comando técnico acelera um movimento mais amplo. A eliminação na Champions fez o clube preparar uma reformulação para a próxima temporada. De acordo com o "The Athletic", o ambiente no Santiago Bernabéu é de revisão geral, com dirigentes analisando elenco, comissão técnica e planejamento esportivo.

Nos bastidores, a avaliação é de que mudanças significativas já eram necessárias há algum tempo. Por trás de duas temporadas fracassadas estão múltiplos fatores: o número de contratações, o impacto das que chegaram, a harmonia no vestiário e o alto número de lesões.

Uma das propostas que ganha força nos corredores do clube é a contratação de um diretor de futebol. Atualmente, as decisões de contratação são tomadas pelo diretor geral José Ángel Sánchez, pelo chefe de scout Juni Calafat e por Florentino Pérez. Santiago Solari tem o título de diretor esportivo, mas, desde que assumiu em 2022, nunca teve de fato poder, e sua influência caiu ainda mais nos últimos meses.

Além disso, a crise médica que assola o clube desde 2023 segue sem solução. Disputas entre comissão técnica e o preparador físico Antonio Pintus foram comuns na era Ancelotti. Com a chegada de Alonso, Pintus foi colocado em segundo plano, mas as lesões continuaram. Com a saída de Alonso, Pintus retornou ao protagonismo.

Próxima temporada exigirá ajustes profundos no Real Madrid

Para a próxima temporada, as possíveis mudanças envolvem desde o comando técnico até a estrutura de gestão. A expectativa nos bastidores é de que o clube anuncie um novo treinador após o fim da temporada europeia. A chegada de um diretor de futebol com poder de decisão também é considerada uma necessidade por analistas externos, embora fontes do clube neguem que haja um movimento formal nesse sentido.

No elenco, a prioridade deve ser a recomposição do meio-campo. A saída de Kroos e Modric deixou um vácuo que nenhuma das contratações recentes conseguiu preencher. Jogadores como Bellingham, Tchouaméni e Camavinga, embora talentosos, não têm as características de construtores de jogo que o time perdeu.

O ataque, apesar de ter Vini Jr e Mbappé, segue desequilibrado. A falta de um camisa 9 de referência e a ausência de criatividade no meio tornam o time previsível. A defesa, reforçada a peso de ouro, ainda sofre com lesões e falta de entrosamento.

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