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CBF busca modelos de arbitragem profissional na Europa; veja diferenças e semelhanças

Modelo brasileiro se inspira em Alemanha, Espanha e Inglaterra na formação de árbitros profissionais

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Mauricio Luz
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 28/01/2026
10:15
O arbitro Wilton Pereira Sampaio durante partida entre Cruzeiro e Flamengo no estadio Mineirao
imagem cameraO arbitro Wilton Pereira Sampaio durante partida entre Cruzeiro e Flamengo no estadio Mineirao (Foto: Gilson Lobo/AGIF/Gazeta Press)

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou na última terça-feira (27) a profissionalização de 72 árbitros da Série A do Campeonato Brasileiro. O projeto, que prevê investimento mensal de R$ 1 milhão para custear salários fixos, taxas por jogo e bônus por desempenho, foi inspirado nas principais ligas da Europa, como Alemanha, Espanha e Inglaterra.

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➡️ Quem são os árbitros profissionais contratados pela CBF?

O modelo brasileiro se apoia em quatro pilares: estrutura, cuidados com saúde, capacitação técnica e tecnologia, trazendo diferentes aspectos aplicados no Velho Continente. O Lance! detalha as semelhanças e diferenças do programa de árbitros profissionais do Brasil com os europeus.

Estrutura e Remuneração

O grupo de árbitros profissionais brasileiro é composto por 20 árbitros, 40 assistentes e 12 profissionais dedicados prioritariamente ao VAR. O modelo de remuneração fixa somada a bônus por desempenho assemelha-se ao sistema adotado pela Premier League, na Inglaterra. Abaixo, detalho as nuances que diferenciam o projeto brasileiro das principais ligas europeias:

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💰 Modelo de remuneração e incentivos

O Brasil adotou o sistema mais completo de pagamentos, espelhando-se na Inglaterra. Ao contrário de Espanha e Alemanha, que focam no binômio "salário Fixo + taxa por Jogo", a CBF incluiu um bônus por desempenho, seguindo a lógica da Premier League para premiar a consistência ao longo da temporada.

A intenção declarada da entidade é que o salário fixo permita a dedicação exclusiva, eliminando a necessidade de o árbitro conciliar o apito com outras profissões, algo que ainda é um desafio em categorias inferiores na Europa.

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🖥️ A especialização do VAR

No árbitro de vídeo, o Brasil se distancia da Inglaterra e da Alemanha para seguir o rastro da Espanha. O Brasileirão terá 12 árbitros profissionais dedicados prioritariamente ao VAR. Enquanto os espanhóis possuem o programa VarPRO com 15 especialistas, ingleses e alemães não têm equipes exclusivas para a cabine.

📊 Avaliação e ranking

A forma como o árbitro é julgado define a permanência no grupo profissional. No Brasil, a nota é uma composição híbrida avaliada por observadores e pela comissão técnica, focando em controle de jogo, regras, físico e comunicação.

Na Inglaterra existe o Painel KMI (Key Match Incidents), que conta com a visão de ex-jogadores e técnicos para dar um viés mais futebolístico à avaliação, algo que não foi anunciado no modelo brasileiro. Os espanhóis, por sua vez, utilizam uma equação matemática rígida que subtrai decimais por erro técnico, buscando uma objetividade quase laboratorial.

🔄 Mobilidade (Promoção e Rebaixamento)

A CBF instituiu um sistema de "portas abertas" e "filtro" constante, unanimidade nas ligas europeias. Assim como na Espanha, o Brasil garante ao menos duas promoções e rebaixamentos por ano para o quadro profissional. O ranking brasileiro interferirá diretamente nas escalas rodada após rodada.

Contudo, enquanto no Campeonato Brasileiro o grupo profissional estará dedicado de forma praticamente exclusiva à Série A, na Europa os árbitros profissionais estão presentes também nas divisões inferiores. Assim, o número total de contratadores é menor no modelo brasileiro. Confira abaixo.

Total/PaísBrasilInglaterraEspanhaAlemanha

Árbitros

20

40

42

40

Assistentes

40

84

84

74

VAR exclusivo

12

Não

15

Não

Mobilidade

Sim

Sim

Sim

Sim

➡️ Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF celebra profissionalização: 'Maravilhoso'

Saúde como excelência

O projeto de profissionalização da arbitragem apresentado pela CBF estabelece a saúde e o alto rendimento como critérios eliminatórios para a atuação na Série. A estrutura prevê uma rede de monitoramento biométrico e suporte multidisciplinar. Embora inspirada em padrões europeus, o modelo introduz um rigor administrativo inédito: a vinculação direta entre o cumprimento do treino semanal e a escalação para os jogos.

A principal distinção do modelo nacional em relação aos sistemas de Inglaterra, Espanha e Alemanha reside na punição administrativa por descumprimento de rotina. O árbitro só será considerado apto para o sorteio ou designação se cumprir integralmente o planejamento semanal de treinos. Caso não atinja os índices mínimos nas quatro avaliações oficiais anuais (uma pré-temporada e três trimestrais), ele será sumariamente afastado da escala até a checagem seguinte.

Tecnologia e monitoramento

Assim como nas principais ligas europeias, a tecnologia de rastreamento é o alicerce do projeto. O Brasil utilizará dados biométricos, com uso de GPS, avaliados semanalmente pela equipe de Ciências do Esporte da CBF.

A Inglaterra utiliza obrigatoriamente dispositivos StatSports com análise diária para prevenir lesões por sobrecarga (overtraining) ou falta de estímulo. Na Alemanha, a Data Science é tratada como pilar estratégico, influenciando todas as decisões sobre a carga de trabalho dos juízes. Já a Espanha avança na vigilância, monitorando não apenas o exercício, mas também a qualidade do sono e a alimentação dos profissionais.

Além da parte física, a CBF oferecerá suporte semanal com nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, incluindo planos nutricionais individualizados. No caso alemão, o suporte estende-se a aspectos neuroatléticos.

Samir Xaud, presidente da CBF (Foto: Maurício Luz/Lance!)
Samir Xaud, presidente da CBF, durante anuncio da profissionalização da arbitragem no Brasil (Foto: Maurício Luz/Lance!)

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Capacitação técnica

Um dos pilares da profissionalização da arbitragem do Brasileirão é a Capacitação Técnica, que estabelece a metodologia de treinamento para os 72 árbitros profissionalizados da Série A. O modelo brasileiro aposta em um formato de imersões presenciais mensais, buscando equilibrar a rigidez teórica observada na Espanha com a prática de campo e o uso da tecnologia. Por outro lado, se distancia do debate aberto predominante na Inglaterra.

Imersões e teoria: o "critério único"

A periodicidade e o formato de instrução no Brasil apresentam pontos de convergência com o futebol espanhol, adotando imersões mensais com aulas teóricas e testes. Esse cronograma é idêntico ao da Espanha, onde as reuniões mensais visam garantir que todos os profissionais interpretem a regra da mesma forma, sob o conceito de "Critério Único".

Na Inglaterra, os encontros são mais frequentes (quinzenais), com foco em debates de vídeo abertos para gerar aprendizado coletivo, em vez de apenas aulas expositivas.

Feedback e autocrítica

A forma como o árbitro recebe o retorno sobre o desempenho após as partidas é um dos pontos de maior divergência entre as ligas. No Brasil, a análise de lances polêmicos será fundamentada estritamente nas regras do jogo, com feedbacks individualizados após cada rodada.

A Premier League exige que o próprio árbitro envie uma autocrítica antes de receber sua nota oficial. Além disso, os árbitros votam em tempo real sobre lances considerados duvidosos para calibrar a régua de faltas do grupo.

Na Espanha, um comitê técnico grava vídeos explicando as decisões corretas e os distribui via nuvem, um modelo de instrução verticalizado com menos espaço para debate que o inglês.

Prática e tática: os casos de Brasil e Alemanha

O treinamento prático e o entendimento do jogo ganham contornos específicos no projeto de arbitragem da CBF. O diferencial do modelo brasileiro é a inclusão de sessões práticas em campo durante as imersões, focando na tomada de decisão em tempo real e no uso do VAR.

Na Alemanha, a federação envia séries semanais de exercícios e testes técnicos para treinamento contínuo. Outro ponto de destaque alemão, ainda não detalhado no plano brasileiro, é o fornecimento de relatórios pré-jogo com a avaliação tática das equipes, permitindo que o árbitro se antecipe a comportamentos dos times.

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Tecnologia e Inovação

O Brasil inicia a implementação do impedimento semiautomático, ferramenta já utilizada nas ligas de Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha. O plano nacional inclui o anúncio público das revisões do VAR e o uso da câmera no árbitro (RefCam). A tecnologia da linha do gol, presente em quatro das cinco principais ligas europeias citadas, é estudada pela CBF, mas não consta na lista de implementações imediatas. Confira abaixo o comparativo.

Tecnologia/PaísBrasilInglaterraEspanhaAlemanhaItáliaFrança

VAR

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Imp. Semiaut.

Em curso

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

RefCam

Sim

Sim

Não

Sim

Sim

Sim

Linha do gol

Não

Sim

Não

Sim

Sim

Sim

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