CBF busca modelos de arbitragem profissional na Europa; veja diferenças e semelhanças
Modelo brasileiro se inspira em Alemanha, Espanha e Inglaterra na formação de árbitros profissionais

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou na última terça-feira (27) a profissionalização de 72 árbitros da Série A do Campeonato Brasileiro. O projeto, que prevê investimento mensal de R$ 1 milhão para custear salários fixos, taxas por jogo e bônus por desempenho, foi inspirado nas principais ligas da Europa, como Alemanha, Espanha e Inglaterra.
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O modelo brasileiro se apoia em quatro pilares: estrutura, cuidados com saúde, capacitação técnica e tecnologia, trazendo diferentes aspectos aplicados no Velho Continente. O Lance! detalha as semelhanças e diferenças do programa de árbitros profissionais do Brasil com os europeus.
Estrutura e Remuneração
O grupo de árbitros profissionais brasileiro é composto por 20 árbitros, 40 assistentes e 12 profissionais dedicados prioritariamente ao VAR. O modelo de remuneração fixa somada a bônus por desempenho assemelha-se ao sistema adotado pela Premier League, na Inglaterra. Abaixo, detalho as nuances que diferenciam o projeto brasileiro das principais ligas europeias:
💰 Modelo de remuneração e incentivos
O Brasil adotou o sistema mais completo de pagamentos, espelhando-se na Inglaterra. Ao contrário de Espanha e Alemanha, que focam no binômio "salário Fixo + taxa por Jogo", a CBF incluiu um bônus por desempenho, seguindo a lógica da Premier League para premiar a consistência ao longo da temporada.
A intenção declarada da entidade é que o salário fixo permita a dedicação exclusiva, eliminando a necessidade de o árbitro conciliar o apito com outras profissões, algo que ainda é um desafio em categorias inferiores na Europa.
🖥️ A especialização do VAR
No árbitro de vídeo, o Brasil se distancia da Inglaterra e da Alemanha para seguir o rastro da Espanha. O Brasileirão terá 12 árbitros profissionais dedicados prioritariamente ao VAR. Enquanto os espanhóis possuem o programa VarPRO com 15 especialistas, ingleses e alemães não têm equipes exclusivas para a cabine.
📊 Avaliação e ranking
A forma como o árbitro é julgado define a permanência no grupo profissional. No Brasil, a nota é uma composição híbrida avaliada por observadores e pela comissão técnica, focando em controle de jogo, regras, físico e comunicação.
Na Inglaterra existe o Painel KMI (Key Match Incidents), que conta com a visão de ex-jogadores e técnicos para dar um viés mais futebolístico à avaliação, algo que não foi anunciado no modelo brasileiro. Os espanhóis, por sua vez, utilizam uma equação matemática rígida que subtrai decimais por erro técnico, buscando uma objetividade quase laboratorial.
🔄 Mobilidade (Promoção e Rebaixamento)
A CBF instituiu um sistema de "portas abertas" e "filtro" constante, unanimidade nas ligas europeias. Assim como na Espanha, o Brasil garante ao menos duas promoções e rebaixamentos por ano para o quadro profissional. O ranking brasileiro interferirá diretamente nas escalas rodada após rodada.
Contudo, enquanto no Campeonato Brasileiro o grupo profissional estará dedicado de forma praticamente exclusiva à Série A, na Europa os árbitros profissionais estão presentes também nas divisões inferiores. Assim, o número total de contratadores é menor no modelo brasileiro. Confira abaixo.
| Total/País | Brasil | Inglaterra | Espanha | Alemanha |
|---|---|---|---|---|
Árbitros | 20 | 40 | 42 | 40 |
Assistentes | 40 | 84 | 84 | 74 |
VAR exclusivo | 12 | Não | 15 | Não |
Mobilidade | Sim | Sim | Sim | Sim |
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Saúde como excelência
O projeto de profissionalização da arbitragem apresentado pela CBF estabelece a saúde e o alto rendimento como critérios eliminatórios para a atuação na Série. A estrutura prevê uma rede de monitoramento biométrico e suporte multidisciplinar. Embora inspirada em padrões europeus, o modelo introduz um rigor administrativo inédito: a vinculação direta entre o cumprimento do treino semanal e a escalação para os jogos.
A principal distinção do modelo nacional em relação aos sistemas de Inglaterra, Espanha e Alemanha reside na punição administrativa por descumprimento de rotina. O árbitro só será considerado apto para o sorteio ou designação se cumprir integralmente o planejamento semanal de treinos. Caso não atinja os índices mínimos nas quatro avaliações oficiais anuais (uma pré-temporada e três trimestrais), ele será sumariamente afastado da escala até a checagem seguinte.
Tecnologia e monitoramento
Assim como nas principais ligas europeias, a tecnologia de rastreamento é o alicerce do projeto. O Brasil utilizará dados biométricos, com uso de GPS, avaliados semanalmente pela equipe de Ciências do Esporte da CBF.
A Inglaterra utiliza obrigatoriamente dispositivos StatSports com análise diária para prevenir lesões por sobrecarga (overtraining) ou falta de estímulo. Na Alemanha, a Data Science é tratada como pilar estratégico, influenciando todas as decisões sobre a carga de trabalho dos juízes. Já a Espanha avança na vigilância, monitorando não apenas o exercício, mas também a qualidade do sono e a alimentação dos profissionais.
Além da parte física, a CBF oferecerá suporte semanal com nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, incluindo planos nutricionais individualizados. No caso alemão, o suporte estende-se a aspectos neuroatléticos.

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Capacitação técnica
Um dos pilares da profissionalização da arbitragem do Brasileirão é a Capacitação Técnica, que estabelece a metodologia de treinamento para os 72 árbitros profissionalizados da Série A. O modelo brasileiro aposta em um formato de imersões presenciais mensais, buscando equilibrar a rigidez teórica observada na Espanha com a prática de campo e o uso da tecnologia. Por outro lado, se distancia do debate aberto predominante na Inglaterra.
Imersões e teoria: o "critério único"
A periodicidade e o formato de instrução no Brasil apresentam pontos de convergência com o futebol espanhol, adotando imersões mensais com aulas teóricas e testes. Esse cronograma é idêntico ao da Espanha, onde as reuniões mensais visam garantir que todos os profissionais interpretem a regra da mesma forma, sob o conceito de "Critério Único".
Na Inglaterra, os encontros são mais frequentes (quinzenais), com foco em debates de vídeo abertos para gerar aprendizado coletivo, em vez de apenas aulas expositivas.
Feedback e autocrítica
A forma como o árbitro recebe o retorno sobre o desempenho após as partidas é um dos pontos de maior divergência entre as ligas. No Brasil, a análise de lances polêmicos será fundamentada estritamente nas regras do jogo, com feedbacks individualizados após cada rodada.
A Premier League exige que o próprio árbitro envie uma autocrítica antes de receber sua nota oficial. Além disso, os árbitros votam em tempo real sobre lances considerados duvidosos para calibrar a régua de faltas do grupo.
Na Espanha, um comitê técnico grava vídeos explicando as decisões corretas e os distribui via nuvem, um modelo de instrução verticalizado com menos espaço para debate que o inglês.
Prática e tática: os casos de Brasil e Alemanha
O treinamento prático e o entendimento do jogo ganham contornos específicos no projeto de arbitragem da CBF. O diferencial do modelo brasileiro é a inclusão de sessões práticas em campo durante as imersões, focando na tomada de decisão em tempo real e no uso do VAR.
Na Alemanha, a federação envia séries semanais de exercícios e testes técnicos para treinamento contínuo. Outro ponto de destaque alemão, ainda não detalhado no plano brasileiro, é o fornecimento de relatórios pré-jogo com a avaliação tática das equipes, permitindo que o árbitro se antecipe a comportamentos dos times.
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Tecnologia e Inovação
O Brasil inicia a implementação do impedimento semiautomático, ferramenta já utilizada nas ligas de Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha. O plano nacional inclui o anúncio público das revisões do VAR e o uso da câmera no árbitro (RefCam). A tecnologia da linha do gol, presente em quatro das cinco principais ligas europeias citadas, é estudada pela CBF, mas não consta na lista de implementações imediatas. Confira abaixo o comparativo.
| Tecnologia/País | Brasil | Inglaterra | Espanha | Alemanha | Itália | França |
|---|---|---|---|---|---|---|
VAR | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim |
Imp. Semiaut. | Em curso | Sim | Sim | Sim | Sim | Não |
RefCam | Sim | Sim | Não | Sim | Sim | Sim |
Linha do gol | Não | Sim | Não | Sim | Sim | Sim |
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