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Bastidores: o que os clubes acharam da reunião da CBF sobre liga?

Encontro reuniu dirigentes de clubes das Séries A e B do Brasileirão

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Pedro Brandão
Rio de Janeiro (RJ)
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Rio de Janeiro (RJ)
Pedro Cobalea
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 06/04/2026
19:11
Atualizado há 1 hora
Dirigentes dos clubes em reunião da CBF sobre liga (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
imagem cameraDirigentes dos clubes em reunião da CBF sobre liga (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

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A CBF reuniu representantes de 38 dos 40 clubes das Séries A e B — Mirassol e Chapecoense não foram — nesta segunda-feira (6), em um hotel da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para apresentar o que definiu como "um grande diagnóstico" do futebol brasileiro. A intenção é propor e ouvir os clubes sobre medidas para unificar os dois blocos comerciais dos clubes do Brasil em uma única liga brasileira, com mediação da própria CBF.

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➡️Presidente da CBF revela meta ousada em reunião sobre liga no Brasil: 'Uma das três principais do mundo'

O Lance! apurou que, nesse primeiro momento, a reunião buscou apresentar o que a entidade identifica como pontos de melhora no modelo do futebol brasileiro, bem como mostrar o que tem feito para evoluir. Os pontos de melhora foram dividos em dez tópicos de comparação com ligas estrangeiras, que classificaram o futebol brasileiro como um produto ruim. Depois da apresentação, o encontro teve abertura para debate de ideias entre os dirigentes. Os discursos, porém, não fugiram do senso comum, como melhorias de arbitragem, comunicação e contratos, o que não provocou discordâncias. As falas foram todas consideradas simples e protocolares.

Após o fim do encontro o cenário foi outro. O Lance! ouviu alguns dos dirigentes e apurou que o movimento da CBF é visto como necessário, mas nada revolucionário. Para alguns, foi importante ver que a entidade se posiciona para a melhoria do futebo brasileirol, se atualizando e colocando a pauta como prioridade, mas entende que a federação está correndo atrás do prejuízo.

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— A gente tem duas ligas e entende que o momento certo de começar esse diálogo é agora. Nós sabíamos que, antes de lançar o assunto liga, precisávamos tomar à frente e adotar decisões importantes para o futebol brasileiro, como o fair play financeiro, a questão do calendário, a modernização e a profissionalização da arbitragem. Então, antes de iniciar essa discussão, era necessário arrumar a casa. Sempre deixei muito claro que a nossa única intenção é trabalhar juntos na formação de uma liga forte, em que os protagonistas sejam os clubes — disse o presidente da CBF, Samir Xaud, que detalhou o papel da entidade:

— A CBF atuaria como mediadora, como responsável pelo futebol brasileiro, e nada mais justo do que fazer isso com união, diálogo e trabalho. Temos trabalhado incansavelmente para melhorar o nosso produto. O que queremos é construir tudo em conjunto, para que a nossa liga se torne, em breve, uma das três principais do mundo, com um futebol mais forte, transparente e sustentável, contando com a participação de todos os clubes — completou.

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Presidente do Palmeiras, Leila Pereira elogiou o movimento da federação e corroborou com o discurso de Xaud de dar protagonismo aos clubes. A mandatária ainda aproveitou o momento para se posicionar contra os times que tratam essas discussões de forma individualista. Depois, foi mais específica e criticou o Flamengo na negociação com os blocos comerciais.

— O que nós queríamos mesmo é valorizar o produto do futebol, a competição. Nós tentamos isso, mas em virtude de mentalidade de alguns dirigentes que acham muito mais importante o que é melhor para cada clube individualmente, e isso não é o caso da presidência do Palmeiras. Sempre foi muito claro para mim que o Palmeiras precisa estar numa competição valorizada, onde todos os clubes tenham o mesmo peso, independentemente do tamanho da receita, porque o Palmeiras e outros clubes não jogam sozinhos. A minha sugestão seria nós criarmos uma outra liga excluindo o Flamengo. Acho que o Flamengo deveria jogar sozinho. Nenhum clube é maior do que o futebol brasileiro. O Palmeiras não joga sozinho, e o Flamengo não joga sozinho.

Pedrinho, presidente do Vasco, fez longo discurso à imprensa e criticou a postura de alguns dirigentes do Brasil. O ex-jogador não vê o Brasil maduro o suficiente para lidar com questões de liga, apontando que a falta de união e o foco em ataques pessoais impedem o progresso do esporte.

— Os clubes hoje não têm estrutura para fazer uma liga. Por isso que não acredito nela, não temos o companheirismo. A minha diferença desportiva é uma coisa, outra coisa é um investidor causar um dano imenso no clube e nenhum outro se prontificar a ajudar.

O vascaíno relatou que não recebeu nenhuma ligação oferecendo apoio quando o clube passou por problemas com o antigo dono da SAF do Vasco. Mas conta que está disposto a fazer diferente e acha que essa devia ser uma postura geral.

— O John Textor, em qualquer comentário que tenha que falar sobre a situação do Botafogo, desrespeita o Vasco da Gama. Não é a primeira vez. Ele não sabe o que é o Vasco para brincar com certas frases. O posicionamento dele é de bravata, de gestores que por muito tempo fizeram parte do futebol para agradar o torcedor. Se o Botafogo entrar em uma massa falida e o João Paulo (presidente do Botafogo) precisar de ajuda, eu me coloco à disposição para contribuir com o que puder. São meus adversários, não meus inimigos — disse Pedrinho, que comentou ainda uma fala de Bap após acordo do Vasco com a Crefisa:

— Recentemente, o presidente do Flamengo, estou falando da pessoa e não da instituição, falou diversas vezes, com sua prepotência e arrogância, num tom que não me agrada. Quando eu pego um empréstimo com a Crefisa, porque o CDI era mais baixo, a preocupação dele era insinuar algo no dia que eu perco de 3 a 0 para o Palmeiras. Ele está colocando em dúvida o meu caráter, o caráter do meu treinador e de um elenco de 30 jogadores. O meu treinador tem que falar para os jogadores que temos que perder porque peguei um empréstimo? Como posso acreditar que uma liga vai funcionar sob o controle de pessoas que administram um clube assim?

Samir Xaud em reunião da CBF sobre liga (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Samir Xaud em reunião da CBF sobre liga (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

CBF apresentou melhorias e abriu discussão

Entre os processos de melhoria apresentados, estão questões de arbitragem como o impedimento semi-automático. Nesse momento, os estádios estão classificados em três pontos: em instalação, em testes e prontos para utilização. A CBF planejava iniciar o Brasileirão já com a tecnologia em utilização.

Foi colocado também o investimento de R$ 195 milhões em arbitragem. A entidade divulgou há algumas semanas o planejamento de profissionalização da arbitragem. Treinamento espefícifico para os árbitros começa nesta terça-feira (7). O tema arbitragem foi um dos principais do evento. O assunto é visto como maior problema do futebol brasileiro pela grande maioria do dirigentes presentes e pela própria CBF.

— A gente estava aqui nessa reunião de hoje discutindo na CBF pontos que precisam ser melhorados no futebol brasileiro. Eu nunca questionei nem questiono a idoneidade de ninguém. Acho que a comissão de arbitragem faz um belo trabalho, participo das reuniões semanalmente com eles, mas é muito evidente que houve a falta de critério entre o lance do Fluminense e o lance do Palmeiras. A gente entra numa rodada disputando o título brasileiro a três pontos do líder e a gente sai da rodada a cinco pontos do líder por conta de dois lances muito parecidos. Isso não tem nada a ver com o Palmeiras. O Palmeiras fez o papel dele lá e ganhou o jogo, mas a gente ficou muito incomodado com isso — falou Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense, que seguiu:

— O único problema que acontece é que esse é um processo de longo prazo. A comissão vem fazendo um bom trabalho, mas é um trabalho demorado. E a rodada acontece toda semana. Então assim, não dá. Eu não posso deixar de falar porque eu entendo que a CBF está fazendo um trabalho, se o clube foi prejudicado no fim de semana e na próxima semana tem jogo de novo. O Fluminense foi prejudicado, estou aqui colocando meu descontentamento, assim como a gente colocou de maneira formal à CBF, e a gente espera que isso não se repita — concluiu.

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