Itália encara fantasmas na repescagem para não ficar fora da 3ª Copa do Mundo consecutiva
Tetracampeã não marca presença em Mundiais desde 2014

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Uma das seleções mais tradicionais do futebol mundial, a Itália pode ampliar um jejum inédito e ficar fora da Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva. Ausente desde o Mundial realizado no Brasil, em 2014, a Azzurra não conseguiu a classificação nas Eliminatórias seguintes e volta a correr o risco de não disputar a principal competição do futebol internacional no ciclo atual.
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Vice-líder do Grupo I, a Itália não conquistou classificação automática para a Copa do Mundo, porém terá a chance de garantir a presença no Mundial ao disputar a repescagem europeia. Nesta quinta-feira (26), a equipe liderada pelo ex-jogador Gennaro Gattuso enfrenta a Irlanda do Norte em duelo único para se aproximar de uma vaga no maior torneio de futebol do planeta.
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Caso avance sobre a Irlanda do Norte, a Itália ainda fará uma espécie de final contra o vencedor do jogo entre País de Gales e Bósnia para definir uma das últimas quatro vagas da Europa na Copa do Mundo. Em meio a este cenário, a Azzurra precisa superar a pressão e afastar os fantasmas das duas repescagens anteriores.
E ao contrário de jogos emblemáticos, a Itália mandará o confronto com a Irlanda do Norte no Estádio Atleti Azzurri d'Italia, que pertence a Atalanta, em Bérgamo. Gattuso pediu para retirar o jogo do San Siro por conta da divisão do público por conta da rivalidade entre Milan e Inter de Milão, além de reduzir a pressão em cima dos jogadores.
Relembre a campanha da Itália nas Eliminatórias e os fantasmas de 2017 e 2022
Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, a Itália teve a melhor campanha dentre as seleções que encerraram a fase de grupos na 2ª colocação. A tetracampeã conquistou seis vitórias em oito jogos, mas a Noruega dominou a chave com 100% de aproveitamento e duas vitórias impiedosas sobre a Azzurra, sendo uma por 3 a 0 e outra por 4 a 1.
| Seleção | Pontos | Jogos | Vitórias | Empates | Derrotas | Gols Pró | Gols Contra | Saldo |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Noruega | 24 | 8 | 8 | 0 | 0 | 37 | 5 | 32 |
Itália | 18 | 8 | 6 | 0 | 2 | 21 | 12 | 9 |
Israel | 12 | 8 | 4 | 0 | 4 | 19 | 20 | -1 |
Estônia | 4 | 8 | 1 | 1 | 6 | 8 | 21 | -13 |
Moldávia | 1 | 8 | 0 | 1 | 7 | 5 | 32 | -27 |
Tabela do Grupo I das Eliminatórias da Europa para a Copa do Mundo 2026
Sem conseguir igualar o nível da Noruega, a Itália ficou apenas na 2ª colocação do Grupo I, mas ainda com chances de conquistar uma vaga na Copa do Mundo. No entanto, para retornar ao torneio em que fez história muitas vezes, a equipe precisará se livrar dos fantasmas de 2017 e 2022.
Eliminatórias para a Copa de 2018
Nas Eliminatórias para a Copa de 2018, a seleção italiana ficou na 2ª colocação do Grupo G, enquanto a Espanha ocupou a liderança e conquistou vaga direta para a Rússia, classificando-se para a repescagem. Na ocasião, a Itália foi sorteada para enfrentar a Suécia em confrontos de ida e volta, e a melhor que vencesse o duelo no placar agregado conquistaria uma vaga para a Copa do Mundo.
Em novembro de 2017, a equipe nórdica derrotou o time comandado por Gian Piero Ventura por 1 a 0. Na volta, o placar não se movimentou, e a tetracampeã ficaria de fora do torneio pela primeira vez desde 1958.
Eliminatórias para a Copa de 2022
Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, a história se repetiu: a Itália também ficou na 2ª colocação do Grupo C, enquanto a modesta Suíça avançou direto para o torneio do Catar. E a equipe de Roberto Mancini se via novamente em uma repescagem e com o risco de não disputar a principal competição de futebol do planeta.
Com o mesmo formato da repescagem atual, a Itália foi sorteada para enfrentar a Macedônia do Norte na semifinal, mas tendo Portugal e Turquia em sua chave. No entanto, a Azzurra foi derrotada em sua casa para a seleção dos Balcãs por 1 a 0 e foi eliminada precocemente.

Desafios da Azzurra e crença em Gattuso
No início do século XXI, a Itália figurava entre os principais centros do futebol europeu, com clubes financeiramente fortes e elencos repletos de estrelas. Reflexo desse protagonismo, a Azzurra conquistou a Copa do Mundo de 2006. Duas décadas depois, porém, o cenário é distinto, com perda de competitividade tanto nível de clubes quanto no desempenho da seleção nacional.
Em novembro de 2025, o Lance! entrevistou o jornalista italiano Gioele Anelli, do "La Gazzetta dello Sport", que comentou sobre os motivos que explicam a queda da seleção da Itália nos últimos anos. A tecla mais batida foi a falta de investimento nas categorias de base, diferentemente do que grandes potências do futebol, como Espanha, Inglaterra e França, fazem.
— São muitos problemas e muitas camadas para responder de forma simples. A estrutura do nosso sistema de formação de jovens jogadores é definitivamente uma delas: muitos jovens promissores não chegam ao time principal. Muitos empréstimos e a falta de confiança em suas habilidades frequentemente levam à diminuição da confiança e da esperança. Basicamente, a Itália não produz jogadores de qualidade suficiente para chegar ao time principal, ao contrário da Inglaterra, França, Alemanha, Espanha. A estrutura do sistema de base italiano dos clubes é um dos principais motivos para explicar a diferença entre a Itália do início dos anos 2000 e a Itália de hoje. Não investimos em infraestrutura, estádios, bases e marketing para tornar nosso futebol atraente. Então, basicamente, falta dinheiro e muitos jogadores jovens que não são valorizados.
Com problemas que não serão resolvidos da noite para o dia, a Itália ainda sonha com uma classificação à Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. Anelli comentou sobre a expectativa dos locais e a crença que existe em Gattuso.
— Tudo o que posso dizer é que existe um sentimento geral de esperança e um ligeiro otimismo. Gattuso começou bem, com quatro vitórias consecutivas, mesmo com alguns dos nossos principais jogadores lesionados (Politano, Kean, Zaccagni, por exemplo). Depois de duas Copas do Mundo perdidas, sabemos que não temos segundas chances, então a esperança é tudo o que nos resta por enquanto. O que precisamos é de consistência, intensidade e garra. Não medo, não ansiedade: somos um grupo diferente, com jogadores diferentes e um técnico diferente. Temos que ser sólidos e, como eu disse, eficientes. E acredito sinceramente que estamos no caminho certo, mesmo sem jogadores de nível mundial. Além disso, em quase seis meses, tudo pode mudar no futebol: alguns dos nossos jogadores mais jovens estão se destacando, e isso é uma ótima notícia para nós.
| Confrontos | Fase |
|---|---|
Itália x Irlanda do Norte | Semifinal |
País de Gales x Bósnia | Semifinal |
Chaveamento da Itália na repescagem europeia em busca de vaga na Copa do Mundo
Itália conta com mescla entre juventude e experiência na repescagem
Na convocação da Itália, Gennaro Gattuso optou por uma mescla entre nomes experientes e com rodagem na seleção, mas também com jovens promessas, que representam o presente e o futuro do país. Dessa forma, a Azzurra busca fazer valer o favoritismo e evitar sustos diante da Irlanda do Norte.
Dos 26 convocados da Itália, 10 jogadores não possuem nem 10 jogos oficiais com a camisa da seleção. No elenco, Spinazzola e Politano são os atletas mais experientes, mas possuem 32 anos de idade, o que evidencia um momento liderado por nomes mais jovens e joias com potencial de reverter o cenário atual.
Em sua primeira coletiva na atual Data Fifa, Gattuso não citou o nome do meia Jorginho, do Flamengo, ao explicar a convocação dos 26 nomes que defenderão a Itália diante da Irlanda do Norte. O treinador não titubeou ao revelar confiança no grupo que foi chamado.
-— Há jogadores que mereciam, como Zaniolo, Bernardeschi, Fagioli e Orsolini, mas esta foi a opção para focar no grupo. Estou muito feliz e espero alcançar o nosso objetivo. Este grupo, pela forma como tem se comportado, merece. Tenho muita fé nos jogadores que convoquei. Decidi focar num grupo que me tem dado bons resultados até agora e com quem construí uma boa relação nos últimos meses.
Veja os convocados da Itália
- Goleiros: Caprile (Cagliari), Carnesecchi (Atalanta), Donnarumma (Manchester City) e Meret (Napoli)
- Defensores: Bastoni (Inter de Milão), Buongiorno (Napoli), Calafiori (Arsenal), Cambiaso (Juventus), Coppola (Paris FC), Dimarco (Inter de Milão), Gatti (Juventus), Mancini (Roma), Palestra (Cagliari), Scalvini (Atalanta) e Spinazzola (Napoli)
- Meias: Barella (Inter de Milão), Cristante (Roma), Frattesi (Inter de Milão), Locatelli (Juventus), Pisilli (Roma) e Tonali (Newcastle)
- Atacantes: Cambiaghi (Bologna), Esposito (Inter de Milão), Kean (Fiorentina), Politano (Napoli), Raspadori (Atalanta), Retegui (Al-Qadsiah) e Scamacca (Atalanta).
Quantas vezes a Itália ficou de fora da Copa do Mundo?
A Itália disputou 18 das 22 edições de Copas do Mundo desde a invenção do torneio, tendo conquistado quatro títulos. Em 1930, 1958, 2018 e 2022, a Azzurra não conquistou classificação e não participou da competição.
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