menu hamburguer
imagem topo menu
logo Lance!X
Logo Lance!

Expansão nos negócios e controvérsias políticas: Infantino completa dez anos à frente da Fifa

Suíço assumiu comando do futebol após Fifagate e derrocada de Joseph Blatter

21bfbdb5-0a0f-44df-b58f-7fa73c17eff2_DOLZAN-5X7-baixa4-aspect-ratio-1024-1024
Marcio Dolzan
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 26/02/2026
06:45
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento da Copa do Mundo de 2026
imagem cameraGianni Infantino completa dez anos à frente da Fifa nesta quinta-feira (Divulgação/Fifa)

  • Matéria
  • Mais Notícias
Conteúdo Especial
Carregando conteúdo especial...

Gianni Infantino completa nesta quinta-feira (26) dez anos à frente da Fifa. O dirigente foi eleito em 26 de fevereiro de 2016 em meio a uma crise generalizada na entidade máxima do futebol, que vinha na esteira da renúncia do então presidente, Joseph Blatter, e de um rombo bilionário nas contas da entidade, que perdia patrocinadores na mesma proporção em que casos de corrupção vinham à tona. Nestes dez anos, Infantino recolocou a Fifa nos trilhos, engordou (muito) os cofres da entidade, expandiu e criou competições. Mas também tem sido alvo controvérsias. 

continua após a publicidade

➡️Tom Brady analisa o crescimento do futebol nos EUA e projeta impacto da Copa de 2026

Ao lançar a candidatura, que ganhou apoio unânime da Uefa, da qual era Secretário-Geral, Gianni Infantino divulgou um manifesto em que prometia administrar a Fifa sob três pilares: reforma e boa governança, democracia e participação, e desenvolvimento do futebol.

O terceiro pilar é o que tem sido mais exaltado publicamente pela Fifa nos últimos anos. A administração Infantino informou ter distribuído na última década US$ 5 bilhões (R$ 25,8 bilhões, na cotação atual) para o desenvolvimento do futebol em todas as 211 associações membro. Ainda segundo a Fifa, o montante é sete vezes maior se comparado ao período anterior.

continua após a publicidade

Diretor de Relações com a Mídia da Fifa, Bryan Swanson publicou recentemente um artigo sobre como tem sido a reação das pessoas ao redor do mundo quando veem Infantino.

— Eu estava na lateral do Estádio do Senegal, perto de Dakar, quando dezenas de milhares de torcedores de futebol cantaram o nome dele na inauguração do novo estádio. Eu estava em Jacarta, na inauguração do escritório da Fifa na Indonésia, onde ele foi bombardeado por pedidos para tirar selfies. "Obrigado, Fifa!" é o que ele ouve com frequência — relatou Swanson.

continua após a publicidade

— Imagino que algumas pessoas que lerem isso irão revirar os olhos em sinal de desaprovação. Mas é a realidade. Pelo menos não temos mais nossos escritórios invadidos a pedido do FBI. Agora eles nos visitam como um parceiro de confiança — acrescentou o diretor da Fifa. 

A citação ao FBI, claro, remete ao Fifagate, escândalo de proporções mundiais que estourou em 2015 e que acabou abalando a entidade. Dirigentes do mundo todo foram presos — incluindo o brasileiro José Maria Marín, que morreu no ano passado —, parceiros comerciais históricos da Fifa se afastaram e Sepp Blatter renunciou, abrindo caminho para uma nova administração.

Gianni Infantino, presidente da Fifa
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento da Copa do Mundo de 2026 (Divulgação/Fifa)

Aumento de vagas e competições

A promessa de reformas e boa governança fez com que Infantino, aos poucos, retomasse a confiança da Fifa com patrocinadores. E ele buscou apoio (e recursos) no mundo todo usando uma fórmula que já funcionara com a mesma Fifa há muitas décadas: ampliando o acesso de países às competições, seja para disputar, seja para organizar.

Ao se candidatar, Gianni Infantino prometeu ampliar a Copa do Mundo de 32 para 40 seleções, mas logo no primeiro ano o Conselho da Fifa aprovou a ampliação para 48, cujo modelo será inaugurado no Mundial deste ano.

Criticada por alguns, a ampliação foi muito exaltada por outros. Países como Uzbequistão, Jordânia, Cabo Verde e Curaçao, por exemplo, irão disputar a Copa do Mundo pela primeira vez.

— Lembro-me de que, quando ele (Infantino) foi eleito, disse que o objetivo era levar a Copa do Mundo para 40 seleções. Ele foi ainda mais longe. Teremos 48 na Copa do Mundo de 2026. E passando da competição principal para as competições de base, no ano passado tivemos o novo formato para a Copa do Mundo Sub-17, masculino e feminino – um número maior de equipes, um formato completamente novo, um grande sucesso. Sua paixão pelo futebol é verdadeira, com o objetivo de tornar o futebol realmente global e oferecer uma chance a todos — considerou o italiano Pierluigi Collina, chefe de arbitragem da Fifa.

Infantino também idealizou o Mundial de Clubes com 32 equipes, competição que inicialmente foi rechaçada por integrantes da Uefa mas que, atualmente, se encaminha para ser ampliada já na segunda edição, tamanho foi o sucesso financeiro e de repercussão junto aos torcedores.

Sob Infantino, a Fifa ainda aumentou a distribuição de recursos e criou novas competições para o futebol feminino, como o Mundial de Clubes, a Copa do Mundo de Futsal e a Copa dos Campeões.

Infantino, Trump e o Oriente Médio como centro do futebol

Antigo cartola máximo do futebol mundial, Joseph Blatter gostava de se apresentar como um verdadeiro chefe de Estado. Circulava por cidades mundo afora com batedores, como se fosse um verdadeiro presidente de país ou monarca.

Infantino é mais simples e, como citou Bryan Swanson, gosta de ficar entre os torcedores. Mas, nos últimos anos, ainda que de maneira mais discreta que seu antecessor, tem se aproximado de chefes de Estado. Desde o fim de 2024, o presidente da Fifa colou no norte-americano Donald Trump, e há pelo menos sete anos tem levado todo tipo de evento da Fifa, de competições a congressos, para países como Catar e Arábia Saudita.

Os dois países são acusados das mais variadas violações aos direitos humanos, mas ainda assim, sob Infantino, se tornaram centro do futebol mundial — o Catar sediou a Copa do Mundo de 2022, e a Arábia Saudita será sede em 2034.

No caso de Trump, o presidente da Fifa o condecorou com o primeiro Prêmio da Paz da entidade, ainda que a política imigratória do estadunidense, bem como a forma como tem lidado com países do mundo todo, seja alvo de muitas críticas.

Donald Trump e Gianni Infantino
Gianni Infantino tem cumprido agenda frequente com Donald Trumpe (Divulgação/fifa)
  • Matéria
  • Mais Notícias