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EXCLUSIVO: John luta contra o tempo e a lesão para chegar à Copa do Mundo pelo Brasil

Ícone do Botafogo vivia boa fase na Inglaterra até sofrer baque e reorganizar sua rotina

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Lance!
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 05/02/2026
06:00
John segura a bola durante treino da Seleção Brasileira em outubro de 2025, em Teresópolis, no Rio de Janeiro (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
imagem cameraJohn segura a bola durante treino da Seleção Brasileira em outubro de 2025, em Teresópolis, no Rio de Janeiro (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

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O goleiro John Victor, de 29 anos, tem um sonho: defender as traves da Seleção em uma Copa do Mundo. Para isso, seguia o roteiro de quem despontava como um dos melhores da posição no Brasil e buscava espaço no futebol mais competitivo do mundo, na Premier League, pelo Nottingham Forest. Quando tudo parecia caminhar bem, porém, veio um golpe mais doloroso do que qualquer gol sofrido: começou o ano com a mão trocada e sofreu uma lesão na cartilagem do joelho esquerdo, em 3 de janeiro.

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Aquela partida contra o Aston Villa, uma derrota por 3 a 1 pela 20ª rodada da liga nacional, não teria o resultado como a pior notícia do dia. A reviravolta, contudo, passou a ser justamente a estratégia do jogador, que moldou um plano a partir dali para manter vivo o sonho de menino e estar disponível para o Mundial deste ano.

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Em entrevista exclusiva ao Lance!, John contou como tem sido o período longe das luvas, mas com atuação ativa nos bastidores para acelerar o processo de recuperação. Coletivamente, o objetivo é voltar aos gramados e ajudar o Forest nesta segunda metade da temporada; individualmente, busca retomar a titularidade que havia conquistado e voltar ao radar da Seleção.

O trabalho que ninguém vê 🔎

No dia 14 de janeiro, John foi submetido a uma artroscopia conduzida pelo Departamento Médico do Forest, procedimento adotado como medida preventiva para evitar lesões futuras e diante da perspectiva de uma recuperação mais rápida. Desde então, o brasileiro cumpre uma rotina intensa de tratamento, dividida em três turnos, com atividades integrais no clube inglês e continuidade do processo de reabilitação à noite, sob acompanhamento em casa.

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No último domingo (1), ele passou por uma reavaliação para definir a próxima etapa do tratamento. O DM do Nottingham segue um protocolo de avaliações semanais e ainda não estabeleceu um prazo exato para o retorno. Diante do cenário atual, a expectativa é que o goleiro retome a preparação física na segunda semana de fevereiro, quando a cirurgia completará seis semanas. A seguir, John revela bastidores e mantém o sonho vivo.

— Minha vida está sendo completamente dedicada a isso neste momento. De manhã e à tarde, o trabalho é no clube. À noite, sigo o processo de recuperação em casa. A cirurgia foi no meio do mês passado, e avaliamos com frequência para acompanhar a evolução. Nesta semana, os médicos me informaram que devo começar a fisioterapia mais pesada, voltada à preparação física, daqui a 15 dias. O sonho da Copa segue vivo, e vou lutar por isso com todas as forças que eu tenho.

Trabalhador brasileiro

Essa corrida contra o tempo, com a Copa sempre no horizonte, se sustenta na força de vontade e na paixão de John pelo futebol, virtudes reconhecidas desde os tempos de Botafogo. Foi no Alvinegro onde construiu maior identificação, especialmente após um histórico 2024, no qual conquistou o Brasil e a América como um dos rostos daquele esquadrão.

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Internamente, o valor do atleta já era reconhecido, como destaca Ricardo Herrera, um dos preparadores de goleiros do Glorioso naquela temporada, ao Lance!. Segundo ele, o compromisso de John com a alta performance se manifestava não apenas nos jogos oficiais, mas também no dia a dia de treinos.

— John era um goleiro que trabalhava muito, um cara extremamente focado no dia a dia de treinamento. Procurava sempre desenvolver não só a parte técnica e física, mas também a mental e a cognitiva, buscando evolução constante. Outro exemplo é que ele sempre treinava no pós-jogo. Claro que fazia uma carga diferente dos outros goleiros que não atuaram, mas nunca deixava de trabalhar, mesmo que fosse um pouco. Acredito que tudo isso, aliado ao talento natural que ele tinha, explica o sucesso que alcançou — iniciou.

Ele foi eleito o melhor goleiro do Brasileirão e da Libertadores. Era um goleiro moderno, com boa capacidade de construção de jogo, leitura de espaços e eficiência nas coberturas. Também saía bem do gol, sempre aliado à principal função, que é defender a meta.


pontua Herrera, atual Coordenador Técnico da Preparação de Goleiros do Botafogo

— Uma curiosidade que sempre vem à mente é que, nos treinos de pós-jogo, quando ele ia para a academia fazer a parte física e a ativação, a gente sempre conversava sobre a partida. Falávamos de lances específicos e de situações do jogo. Eram sempre boas resenhas nesse pós-jogo — finalizou.

Vale lembrar que, no Botafogo, em fevereiro de 2024, John sofreu uma lesão na coxa durante o Campeonato Carioca, em sua segunda partida como titular, e ficou afastado por mais de dois meses logo no início da passagem. Depois, recuperou-se e viveu os melhores anos da carreira.

John Victor durante a partida entre Botafogo e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro de 2024, no Estádio Nilton Santos (Foto: Delmiro Junior/Gazeta Press)
John Victor durante a partida entre Botafogo e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro de 2024, no Estádio Nilton Santos (Foto: Delmiro Junior/Gazeta Press)

Ao todo, teve 89 oportunidades de defender a meta alvinegra e terminou 37 partidas sem sofrer gols. Foi vendido ao Nottingham por 9 milhões de libras (R$ 66,3 milhões na cotação da época) e assinou contrato válido até junho de 2028.

Jogador nº1 🎮

O contexto da última contusão amplia o impacto do momento vivido por John, justamente na primeira experiência europeia com maior protagonismo. Após passagem discreta pelo Real Valladolid, da Espanha, em 2023, o goleiro retornou ao Brasil para retomar a confiança e ganhar minutos antes de voltar à Europa, até chegar ao Forest, em 31 de agosto de 2025.

Em três meses, ganhou espaço no elenco e assumiu a titularidade no lugar de Matz Sels. Antes da lesão, o camisa 12 somou uma sequência de cinco partidas como titular na Premier League, além de outras três pela Europa League e uma pela Copa da Liga Inglesa. Abaixo, veja os números de Victor pelo clube:

  1. 🧤 9 jogos
  2. 🥅 12 gols sofridos (1.3 por jogo)
  3. 🚫 33% jogos sem sofrer gols
  4. 🛑 1.3 defesas por jogo (0.8 em chutes na área)
  5. 🎯 50% bolas defendidas
  6. 📤 4.2 passes longos certos por jogo
  7. ⚠️ 1 erro defensivo que gerou gol
  8. 📊 Nota Sofascore 6.39

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O feito não se tratava de uma tarefa simples. Afinal, Sels havia sido eleito o melhor goleiro da última temporada da Premier e integrou a seleção ideal da competição. Na ocasião, o Forest terminou em sétimo lugar, e o arqueiro belga figurou entre os principais destaques da equipe então comandada por Nuno Espírito Santo.

Nesse contexto, John explicou como funciona a relação com o companheiro de 33 anos. O camisa 12 abordou a cooperação dos dois, marcada por uma rivalidade silenciosa pela disputa de apenas uma vaga em campo. Para ele, basta trabalhar com respeito e transmitir confiança aos demais.

— A relação é muito boa, de parceria nos treinos. Existe sempre o desejo de ser titular, mas, trabalhando ali no CT, ao lado dos companheiros do elenco, a gente não pensa muito nisso. Eu me concentro em mostrar o meu máximo e deixar a decisão com o treinador. O melhor que posso fazer por mim, pelo clube e pela Seleção, é passar tranquilidade, uma sensação de confiança. Se precisarem de mim, estarei ali — disse o brasileiro.

À procura do novo Taffarel 🟢🟡

E, claro, a própria Seleção Brasileira passou a acompanhar de perto a situação do jogador. Convocado por Carlo Ancelotti para os compromissos da Data Fifa de outubro, John recebeu mensagens de apoio da comissão técnica logo após o procedimento e segue monitorado durante o processo de recuperação.

— Todos sempre foram muito corretos comigo. A comissão técnica da Seleção, o staff da CBF, o pessoal que lida com a gente no dia a dia dos treinos. Quando passei pelo procedimento, recebi contato da comissão para me tranquilizar e desejar boa recuperação, lembrando que o importante é voltar bem para continuar a trabalhar por esse sonho da Copa do Mundo — explica John ao Lance!.

Com base nas últimas convocações de Ancelotti, a disputa por vagas no gol da Seleção para a Copa de 2026 aponta dois nomes mais consolidados: Alisson (Liverpool) e Ederson (Fenerbahçe) ambos presentes nas duas últimas edições do torneio. Dessa forma, permanece em aberto a vaga do terceiro goleiro.

Na função muitas vezes discreta, mas considerada necessária, John aparece entre os cotados. Além dele, outros nomes chamados por Carletto em sua gestão, como Bento (Al-Nassr) e Hugo Souza (Corinthians), surgem como opções.

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