Escândalo na Itália: rede de prostituição de luxo atendia 50 jogadores, incluindo de Inter e Milan
Piloto da Fórmula 1 também estaria envolvido; nenhum nome foi citado

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Uma investigação da promotoria de Milão desmantelou uma sofisticada estrutura empresarial que oferecia noites de luxo a cerca de 50 jogadores da Serie A, incluindo atletas de Inter de Milão e Milan. A operação, divulgada pelo jornal "La Gazzetta dello Sport", foi liderada pela procuradora-adjunta Bruna Albertini e resultou na prisão domiciliar de quatro pessoas, além da apreensão de mais de 1,2 milhão de euros.
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A organização operava sob o disfarce de uma agência de eventos chamada "Ma.De Milano", sediada em Cinisello Balsamo, na região metropolitana de Milão. Os serviços eram divulgados por meio do perfil "Made_luxury_concierge", no Instagram, seguido por dezenas de atletas da elite do futebol italiano, segundo o jornal.
De acordo com os documentos da investigação, o esquema oferecia jantares em restaurantes exclusivos de Milão, reservas em casas noturnas e hospedagens em hotéis cinco estrelas. As festas também eram realizadas em Mykonos, na Grécia, destino para onde a organização levava clientes e mulheres durante o verão europeu.
Um dos pontos mais preocupantes revelados pela investigação é o uso de óxido nitroso, conhecido como "gás do riso". A substância provoca euforia imediata e, por não deixar vestígios no organismo, é indetectável em exames antidoping — fator que a tornaria atrativa para atletas de alto nível.
A organização recrutava mais de cem jovens mulheres — entre modelos, recepcionistas e acompanhantes — muitas delas em situação de vulnerabilidade. Segundo a juíza de instrução Chiara Valori, os líderes do esquema, Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, ficavam com cerca de 50% dos lucros gerados pelos serviços.
As mulheres ainda arcavam com custos de moradia na sede da empresa. Uma testemunha relatou o caso de uma colombiana que, em 2022, teria sido forçada à prostituição em troca de 1.000 euros, dos quais apenas metade ficava com ela — o restante era repassado aos responsáveis pelo esquema.
Um dos episódios mais delicados veio à tona em uma conversa registrada em dezembro de 2025. Uma das mulheres afirmou estar grávida após um encontro com um jogador famoso, cujo nome permanece sob sigilo. Em mensagens anexadas ao processo, ela relata o resultado do teste e pede confidencialidade.
Em mensagem revelada pelos autos, a moça teria enviado: "Acabei de fazer o teste e estou grávida… é dele". "Não conte para ninguém", pediu em seguida.
Fórmula 1, brasileiras e a boate clandestina na pandemia
O negócio não se limitava ao futebol. Escutas telefônicas mostram que a clientela incluía empresários, celebridades e até pilotos de Fórmula 1. "Tenho um amigo piloto de Fórmula 1 que vem a Milão esta noite e quer uma garota", diz uma das conversas grampeadas.
A investigação também encontrou indícios da participação de brasileiras no esquema. "Vou mandar a brasileira para ele", afirmou um dos envolvidos em áudio interceptado, em negociação que envolvia uma mulher vinda do Brasil.
A organização não parou nem durante a pandemia. Enquanto a Itália enfrentava lockdowns rigorosos, o grupo mantinha uma boate clandestina na própria sede da empresa, em Cinisello Balsamo. O local funcionava quase todos os dias, com entrada semi-escondida e eventos que desafiavam as restrições sanitárias. Em abril de 2021, uma operação policial identificou 17 pessoas no local – todas violando o confinamento.
Por enquanto, os nomes dos 50 jogadores e demais atletas envolvidos permanecem sob sigilo por ordem judicial. A Gazzetta dello Sport, que teve acesso aos processos, afirma que atletas de Inter e Milan estão entre os citados. A investigação segue em curso, e o impacto dessas revelações ameaça causar um terremoto nos escritórios dos grandes clubes da Série A.

Vale destacar que a prostituição voluntária não é crime na Itália, assim como no Brasil. O que torna o caso ilegal, aos olhos da justiça italiana, é a organização e a exploração da atividade por terceiros – além das acusações de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
A apreensão de 1,2 milhão de euros, segundo os investigadores, é apenas a ponta do iceberg de um negócio milionário construído sobre a vulnerabilidade de jovens mulheres.
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