Há 11 anos, o São José fez história contra o Arsenal; Corinthians pode repetir feito e ser campeão mundial
Memória do título mundial do São José reaparece no contexto da final entre Corinthians e Arsenal

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Quando o Corinthians entrar em campo neste domingo (1º) para enfrentar o Arsenal, às 15h, o duelo terá um peso gigante no presente da modalidade e ainda resgata um episódio histórico. Há 11 anos, foi um clube do interior de São Paulo quem encarou — e venceu — as inglesas em um dos capítulos mais marcantes do futebol feminino brasileiro.
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Em 6 de dezembro de 2014, o São José derrotou o Arsenal por 2 a 0, no estádio de Nishigaoka, em Tóquio, e conquistou o então Mundial de Clubes Feminino (embora não conhecido como tal pela Fifa) disputado no Japão. Rosana Augusto, hoje treinadora do Palmeiras, abriu o placar logo no início da partida, e Giovânia, de pênalti, fechou o resultado que colocou as Meninas da Águia no topo do futebol internacional.
AS CAMPEÃS MUNDIAIS
- Titulares: Andreia, Poliana, Bagé, Bruna Benites (capitã), Letícia Santos, Fran, Formiga, Andressa, Rosana, Gio e Debinha
- Entraram no segundo tempo: Chu (aos 30 minutos, no lugar de Debinha) e Rita Bove (aos 41, em substituição a Rosana)
- Reservas: Letícia Izidoro, Gislaine, Carlinha, Edna Baiana e Michele Carioca
- Técnico: Adilson Galdino
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O título teve peso histórico. Foi a primeira vez que um clube brasileiro venceu uma competição mundial no futebol feminino, superando o então campeão europeu. Mais do que o troféu, o São José consolidava um projeto que dominou a modalidade na década passada, com títulos continentais e protagonismo. Hoje, o clube disputa a Série A3 do Brasileirão Feminino, equivalente à terceira divisão.

Feito do São José inspirou jornalista
O impacto daquela conquista virou objeto de estudo acadêmico. Em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), a jornalista Beatriz resgatou o Mundial de 2014 como eixo central para discutir memória, reconhecimento e apagamentos no futebol feminino brasileiro. A pesquisa tem como título: "Meninas da Águia: a história de como o São José levou o futebol feminino brasileiro ao topo do mundo".
A escolha do tema veio a partir da percepção de que, mesmo uma década depois, o título do São José ainda era pouco documentado. Segundo a pesquisadora, a escassez de registros chamou atenção logo no início do processo.
— Quando comecei a pesquisar, percebi que havia pouquíssima coisa disponível. Não existiam muitas entrevistas, relatos aprofundados ou materiais que contextualizassem o que aquele Mundial realmente representou — explicou em entrevista ao Lance!.
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Ao longo da apuração, Beatriz entrevistou jogadoras campeãs, membros da comissão técnica e pesquisadores da modalidade. O objetivo foi reconstruir a trajetória do São José a partir de diferentes olhares. Para ela, o principal aprendizado foi entender como aquela geração funcionou como base para o cenário atual.
— Todas as pessoas com quem conversei têm a sensação de que valeu a pena. Que alguém precisava passar por aquilo para que o futebol feminino chegasse onde está hoje — afirmou Beatriz.

Sustentado por um projeto ligado ao poder público, o São José perdeu força com mudanças de gestão e com a entrada massiva dos clubes de camisa no futebol feminino. Ainda assim, o legado permanece.
— As próprias jogadoras se reconhecem como campeãs mundiais. Independentemente do reconhecimento oficial da Fifa, existe uma memória construída ali que não pode ser ignorada — defende a autora.
Onze anos depois, com o Corinthians diante do mesmo Arsenal, a história se reencontra. O contexto é outro, os investimentos são maiores e o futebol feminino vive uma nova fase. Mas o caminho que leva até essa final passa, inevitavelmente, por aquela madrugada em Tóquio — quando o São José mostrou que era possível o Brasil vencer o mundo.
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