Quem é Letícia Fernanda, técnica de 20 anos à frente do sub-15 feminino do Mirassol
Jovem tem Licença C da CBF, estava no Ituano e foi convidada por Rafa Esteves para comandar as Leoas Paulistas

Qual era sua rotina aos 20 anos? Estudar, trabalhar, sair com os amigos? A de Letícia Fernanda não é tão diferente, se não fosse a responsabilidade à beira do campo. A ex-jogadora assumiu a equipe sub-15 do Mirassol, e é uma das peças do novo projeto de futebol feminino no interior de São Paulo.
Em entrevista exclusiva ao Lance!, ela conta sua história, fala de referências dentro do futebol feminino e do planejamento do Mirassol para a categoria sub-15.
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A trajetória de Letícia Fernanda no futebol
Natural de Sorocaba (SP), aos cinco anos de idade Letícia já estava no futsal. Permaneceu na modalidade até os 15, quando passou a disputar competições da Federação Paulista. Aos 17, fez a transição para o campo e, em 2024, atuou no sub-20 do Ituano Futebol Clube. No mesmo período, iniciou a graduação em Educação Física e decidiu encerrar a trajetória como atleta.
A mudança de função não demorou. Ainda no Ituano, recebeu o convite para integrar a comissão técnica do sub-15 como auxiliar. Circulou por categorias, trabalhou no sub-17 e no sub-20, até assumir a equipe ao fim do Paulista. A transição foi natural, construída nos bastidores. Ela própria identifica no período como jogadora os sinais do que viria depois.
— Eu sempre tive muita característica de liderança e de comunicação. Conversava muito com os meus treinadores sobre o jogo, sobre o time, sobre as meninas — relembra.
O hábito de debater modelo de jogo e ideias táticas chamou a atenção de um dos técnicos com quem trabalhou.
— A gente debatia bastante. Acho que ele gostava disso e viu em mim essa vontade de falar sobre futebol. Sempre gostei de conversar sobre modelo de jogo, sobre as coisas do time — explica ela.
A qualificação formal veio na sequência. Em 2025, concluiu a Licença C da CBF e participou de um curso da Federação Paulista voltado a treinadoras, no qual foi selecionada entre mais de 50 inscritas.
— Foi muito importante para mim. A gente aprendeu em todos os âmbitos, não só da parte de treinadora. Tivemos aula de preparação física, análise de desempenho, treinamento. É um curso muito completo — resume.
O ambiente também ampliou o networking e aproximou Letícia de profissionais que hoje fazem parte do seu círculo. Pouco depois, veio o convite para integrar o projeto do Mirassol. A decisão de deixar o Ituano foi tomada com consciência do momento.
— O Ituano abriu as portas para mim no mercado. Eu sou muito grata. Mas eu senti que era a hora de sair da zona de conforto, de escalar. Fiquei muito feliz com a proposta — diz.
Treinadora vê idade como ponte para se conectar com atletas
A pouca diferença de idade para as atletas não é vista como obstáculo. Pelo contrário.
— Nunca foi algo que me atrapalhou. Acho que me aproxima mais delas. Eu passei por isso há pouco tempo, então consigo entender o que elas estão vivendo e falar a mesma linguagem — avalia.
Dentro de campo, Letícia já tem uma ideia clara do que prefere ver.
— Eu gosto de um jogo de posse, de trabalhar de pé em pé, desenvolver. Mas não é nada engessado. Vai depender muito das características das meninas que a gente tiver — pondera.
Por que o sub-15? Entenda os planos do Mirassol
No Mirassol, o projeto feminino começa pelo sub-15, movimento que contraria a lógica de alguns clubes que iniciam pelo sub-20. Para Letícia, a escolha é estratégica.
— A iniciação é a parte mais importante do desenvolvimento da atleta. Trabalhar desde o sub-15, colocar a metodologia do clube e preparar essa transição de categoria traz um futuro muito melhor do que pensar em resultado a curto prazo — explica.
O elenco ainda está em formação. A peneira, que reúne mais de 100 inscritas, tem maioria de atletas da região e será realizada neste sábado (7), a partir das 13h, no CT 2 do clube. O perfil buscado passa menos por características físicas e mais por postura.
— A gente quer meninas competitivas, dedicadas, que queiram aprender e que acreditem no projeto. Você precisa querer estar aqui para que a gente faça um bom ano — pontua a treinadora.
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O calendário prevê a disputa do Paulista sub-15 e participação em festivais no interior. Há também a possibilidade de torneios no fim da temporada, condicionados ao desempenho na competição estadual. Enquanto isso, a integração entre as comissões é tratada como prioridade.
— Eu converso muito com a Carine (Bosetti), do profissional. A gente debate bastante. Está sendo bem legal essa integração, dá para aprender muito vendo o funcionamento de uma equipe profissional — afirma.

O clube investe em estrutura. O centro de treinamento exclusivo para o futebol feminino está em fase final de reforma e abrigará profissional e base.
— É uma estrutura muito boa, algo que você não encontra em qualquer lugar. Está ficando muito legal e vai dar para fazer um trabalho bem consistente — projeta.
Inserida em uma região tradicionalmente formadora, a equipe aposta na força local para consolidar o projeto. A resposta inicial nas inscrições reforça essa expectativa.
— Mais de 80% das inscritas são da região. Isso é muito importante, porque nem sempre elas têm equipes de base por perto. É uma oportunidade para o futebol feminino crescer aqui — destaca. Fora das quatro linhas, Letícia já percebe o envolvimento da cidade.
— Você sai na rua e tem alguém com a camisa do Mirassol. É uma cidade que abraça muito o clube — relata.
Técnicas como referências
Entre as referências, prefere inspirações próximas. Cita a treinadora Bia Vaz, que foi sua professora no curso, e a própria Carine.
— Gosto de ter referências perto. Ver o dia a dia, aprender com quem está trabalhando ao meu lado. Isso me ensina muito — conclui.
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