Chris Massis, dirigente e filha do presidente em exercício, fala sobre futebol feminino em meio à crise no São Paulo
Ela atua como diretora adjunta da base feminina

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O futebol feminino do São Paulo entra em um momento de atenção diante das mudanças institucionais do clube. Julio Casares já foi afastado da presidência, após decisão do Conselho Deliberativo na última sexta-feira (16), e o Tricolor agora aguarda a convocação da Assembleia Geral, que pode confirmar o impeachment do dirigente — a possibilidade de renúncia também ganhou força. Enquanto isso, o então vice, Harry Massis, exerce a presidência do São Paulo.
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O Lance! conversou com exclusividade com Chris Massis, filha do presidente em exercício e diretora adjunta da base do futebol feminino do São Paulo, para falar sobre o cenário da modalidade no Tricolor.
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Como o momento político interfere no futebol feminino
A mudança no poder máximo do clube inevitavelmente gera reflexos em todos os departamentos, inclusive no futebol feminino. O afastamento de Casares ocorre em meio a um contexto de instabilidade interna, o que impõe cautela na condução de projetos esportivos de médio e longo prazo, mesmo aqueles já consolidados.
Com um orçamento de quase R$ 1 bilhão aprovado para 2026 em votação apertada no Conselho Deliberativo, o desafio da gestão em exercício será transformar números em governança e previsibilidade. Para o futebol feminino, o objetivo é claro: preservar avanços esportivos enquanto o clube atravessa um dos períodos políticos mais delicados de sua história.
Laços familiares
Em meio a esse cenário turbulento, a relação histórica de Harry Massis com o futebol feminino ganha destaque. Em entrevista ao Lance!, Chris Massis detalhou a proximidade do pai com a modalidade e explicou que o apoio não é recente.
— O meu pai, apesar de já ter 80 anos, agora em março ele completa 81, sempre foi uma pessoa muito à frente do seu tempo. Ele sempre entendeu a importância do futebol feminino, apesar de ter vivido toda a época da proibição, de 1940 a 1980, durante a ditadura — afirmou.
Harry Massis tem uma relação antiga com o São Paulo. Sócio desde 1964, conselheiro vitalício e dirigente com passagem por diferentes gestões, ele fez questão de sinalizar, em movimentos públicos, atenção ao futebol feminino. Em suas redes sociais, celebrou conquistas recentes da modalidade, incluindo títulos em diferentes categorias.
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Segundo Chris, o retorno do futebol feminino profissional do São Paulo, em 2019, foi um marco que aproximou ainda mais Massis da modalidade, movimento reforçado quando ela própria passou a integrar a estrutura do clube no segundo mandato de Julio Casares.
— Desde que o São Paulo voltou com o profissional, ele entende a importância dessa modalidade. E ainda mais por eu ter assumido o cargo de diretoria adjunta da base, isso o aproximou ainda mais do futebol feminino, inclusive por questões familiares.
A dirigente reforçou que o contato sempre foi direto e constante, tanto por sua relação pessoal quanto institucional, com diálogo frequente também com Juliana Vidal, diretora da base feminina.
— Por ele ser meu pai, eu sempre encaminhei as novidades para ele. Ele sempre torceu pela gente. A Juliana sempre teve um relacionamento muito tranquilo com ele, sempre mandou todas as nossas conquistas. A gente sempre teve muito diálogo e acesso a ele. Acho que ele sempre torceu um pouquinho mais do que os outros diretores, por motivos normais — compartilha Chris.
Chris reconhece que, neste momento, o foco de Massis está voltado ao futebol masculino profissional, diante da gravidade da crise enfrentada pelo clube.
— É lógico que o foco dele agora é o futebol masculino profissional, porque a situação é caótica. São muitos inquéritos criminais, uma coisa horrorosa, algo que a gente nunca viveu antes com essa intensidade e essa exposição de mídia — avalia.
Ainda assim, ela acredita que a reorganização institucional pode beneficiar todas as áreas do clube, inclusive o futebol feminino.
— A gente espera que seja um momento em que o futebol, como modalidade no geral, se beneficie. Não só o masculino, como o feminino também, porque quando as contas estão em ordem, todo mundo se beneficia — diz.
Chris também enalteceu a presença recorrente de Harry Massis em decisões e conquistas do futebol feminino.
— O antigo presidente nunca participou de título nenhum do futebol feminino. Quando fomos campeãs da Supercopa, quem entregou a taça foi meu pai. Quando fomos vice-campeãs paulistas na Neo Química Arena, também foi ele que esteve presente. Sempre que tinha que ter um representante do clube, era meu pai.
Ela ainda detalhou sua entrada formal no São Paulo, já no segundo mandato de Casares.
— Eu sempre tive muita vontade de participar. Era próxima do Belardo, que era diretor do profissional, mas com a dança das cadeiras ele foi para Cotia, a Cleo assumiu o profissional e eu fiquei com a Juliana na base.
Questionada sobre sua manifestação pública no dia da votação que afastou o então presidente, Chris fez questão de diferenciar suas posições como dirigente e como sócia do clube.
— Naquele momento eu estava declarando a minha posição como sócia, não como diretora. Como diretora, eu jamais poderia fazer isso. Mas naquele dia deixei o coração falar mais alto e estava disposta a arcar com as consequências.
E afirmou que o pai nunca buscou protagonismo político, mas se sentiu obrigado a agir diante da gravidade da situação.
— É uma coisa que ele nunca quis. Nunca quis esse protagonismo. Mas quando o São Paulo começou a figurar nas páginas policiais, ele entendeu que o cargo tinha essa prerrogativa e se colocou à disposição do clube pelo amor que sente pelo São Paulo.
Questionada sobre o momento de 'ruptura' com Casares, ela preferiu não falar sobre o tema. Por fim, Chris reforçou a ligação histórica da família com o Tricolor.
— Meu pai é sócio desde 1964. Meu avô já era são-paulino. Somos de uma época em que as torcidas assistiam aos jogos juntas. Não existe nada que desabone o meu pai como são-paulino, como diretor, como vice-presidente e agora como presidente em exercício.

São Paulo vem de temporada de feitos históricos
Apesar dos sinais de apoio, a indefinição sobre a presidência definitiva e o prazo para a decisão dos sócios criam um período de incerteza, que pode impactar planejamentos mais sensíveis, como orçamento e novos investimentos.
O São Paulo chega a esse momento com o futebol feminino marcado por resultados expressivos dentro de campo, como títulos nas categorias de base e da Supercopa Feminina, além de participação inédita na Libertadores Feminina, todos na gestão Casares.
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O futebol feminino do São Paulo Futebol Clube foi criado oficialmente em 1997 e teve impacto imediato no cenário nacional. Naquele primeiro ano, a equipe disputou competições organizadas pela federação estadual e pela CBF, conquistando o Campeonato Paulista, a Taça Brasil, o Torneio de Campo Grande e o Torneio da Primavera.
Nos anos seguintes, o São Paulo manteve presença competitiva, conquistando novamente o Paulista e a Copa Eduardo José Farah em 1999. A modalidade, porém, foi descontinuada em 2000 e passou por tentativas pontuais de retomada em 2001, 2005 e 2015, todas encerradas por dificuldades financeiras e estruturais.
A consolidação definitiva ocorreu a partir de 2017, com a parceria firmada com o Centro Olímpico, inicialmente focada nas categorias de base. Em janeiro de 2019, o São Paulo anunciou o retorno oficial às competições profissionais, com participação no Campeonato Paulista e no Campeonato Brasileiro, diante das novas exigências da CBF e da Conmebol.
A partir de 2021, o São Paulo ampliou seu protagonismo no cenário nacional. O clube conquistou a Brasil Ladies Cup no mesmo ano, a Copa Ouro em 2022 e, em 2025, venceu a Supercopa do Brasil, título inédito para a equipe feminina tricolor. Nesse período, o time também manteve participações regulares no Campeonato Brasileiro da Série A1, com um vice-campeonato, e no Campeonato Paulista, além de fortalecer a integração entre categorias de base e elenco profissional.
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A base do futebol feminino do São Paulo, por sua vez, se firmou como uma das mais fortes do país nos últimos anos. O clube conquistou títulos internacionais como a Festa Evolução Sub-16 (2018 e 2023) e Sub-14 (2024 e 2025), além de resultados expressivos em nível nacional, com os títulos do Brasileiro Sub-16 (2019), Sub-18 (2021) e múltiplas conquistas na Liga de Desenvolvimento e na Nike Premier Cup Sub-17. No cenário estadual, o Tricolor acumulou títulos frequentes, especialmente no Paulista Sub-17, vencido seis vezes entre 2017 e 2023, além de troféus recentes no Sub-20 e Sub-15.
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