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Do interior do Paraná ao topo do Palmeiras e da Seleção Brasileira: prazer, Amanda Gutierres

Fã de Marta e maior artilheira do Palmeiras, Gutierres projeta carreira e Copa do Mundo

PorGiselly Correa BarataSão Paulo (SP)
10/05/2025 13:00
Atualizado em 15/05/2025 13:23

Supervisionado porGiselly Correa Barata,
Amanda Gutierres comemora gol marcado contra os EUA em vitória do Brasil por 2 a 1. (Foto: Rafael Ribeiro)
Em entrevista exclusiva ao Lance!, atacante fala sobre Copa do Mundo, Palmeiras e desejo de atuar no futebol inglês

O sotaque paranaense não esconde as raízes da atacante Amanda Gutierres, do Palmeiras e da Seleção Brasileira. Aos 24 anos, ela se tornou a maior artilheira do futebol feminino no Alviverde, com 58 gols, e as realizações não param por aí. 

Se confiança é a substância dos bons atacantes, Gutierres aprendeu cedo como cultivá-la. Seja jogando futebol com garotos em Santa Cruz do Monte Castelo, no Paraná, município de pouco mais de 8.000 habitantes, ou decidindo a vitória do Brasil diante dos Estados Unidos, nos acréscimos, em San José, na Califórnia, ela não é de se intimidar. 

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— Falei cedo que era isso (ser jogadora) que eu queria. Na minha casa eu não brincava de boneca, só minha irmã (...) eu assistia aos jogos da Seleção e falava que iria jogar ao lado da Marta — lembra ela, que recebeu o apelido da ídola durante a infância.

Ainda na adolescência, Amanda mudou para São Paulo, mesmo sem ter clube para treinar, motivada pelo desejo de ser atleta profissional. Os caminhos, embora tortuosos, a levaram ao caminho desejado. 

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O sonho de jogar com Marta na Seleção Brasileira

A atacante nasceu em 2001 e faz parte geração que viu Marta brilhar na televisão aberta. Nos dribles e belos gols da Rainha, a jovem projetou a própria trajetória. 

Menos de duas décadas se passaram. Amanda não só conheceu, como atuou com a Rainha, embora ainda não tenham disputado partidas oficiais juntas, apenas jogos amistosos.

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Em 2024, Gutierres marcou dois gols na vitória do Brasil diante da Austrália. Nesta temporada, fez o gol decisivo da vitória por 2 a 1 contra os Estados Unidos.

Sem atribuir a si todo mérito, ela destaca as mudanças promovidas pelo técnico Arthur Elias e projeta as próximas competições, como Copa América Feminina, em julho, e Copa do Mundo, em 2027.

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—  A expectativa é muito boa. O Arthur e a Seleção têm mostrado muito trabalho nos últimos anos. É uma seleção que já mudou a visão do torcedor, trouxe a torcida para perto e isso faz total diferença. —  avalia a jogadora.

Entre tantos sonhos realizados pela jovem, um segue no radar: conquistar a Copa do Mundo pela Seleção Brasileira.

Amanda Gutierres comemora gol no amistooso entre Estados Unidos x Brasil no PayPal Park, na cidade de San Jose. (Foto: Rafael Ribeiro)
Brasil venceu por 2 a 1 com gol de Gutierres. (Foto: Rafael Ribeiro)

O começo de tudo

Durante um Natal, no Paraná, os tios propuseram a mudança para a capital paulista visando mais possibilidades no esporte. Ela topou e, na procura por clubes, ingressou no Vila Guarany, mesmo sem ajuda de custo. 

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Em pouco tempo, Gutierres passou por Guarany, União Suzano — onde foi artilheira do Paulistão Sub-17 —, Embu das Artes e teve uma breve passagem pelo Foz Cataratas. Assim, pavimentou seu caminho até o Santos.

Em 2018, ela se tornou uma "sereia da vila", inicialmente na categoria de base, mas não demorou para receber oportunidades no time principal. Na passagem, foram três temporadas com a camisa do Peixe, com 21 gols em 65 jogos, até a saída do clube, no fim da temporada 2021.

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—  Foi uma decisão difícil sair do Santos, pois foi um lugar que me acolheu muito, já tinha três anos lá e me sentia em casa. Mas chegou um momento que eu queria novos desafios, aquilo já estava cômodo. — relembra. 

Determinada, Amanda Gutierres mirou uma nova empreitada, mais uma vez, longe de casa. 

—  Meu sonho era jogar na Europa. Comentei isso com meu empresário e com algumas meninas que eu era próxima. Passou duas semanas e ele me ligou, falando do Bordeaux. Então aconteceu: eu pensei se valia a pena, se era o que eu queria. Pensei: eu pedi isso, então eu vou. —  conta ela. 

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E assim aconteceu. Em 2020, foi anunciada pelo Bourdeaux, da França. A experiência foi um aprendizado para a atleta, apesar dos desafios como alimentação e adaptação à língua e cultura local. "Hoje eu vejo como isso me ajudou", reflete a jogadora. 

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Amanda Gutierres e o Palmeiras: o caminho até a artilharia

O retorno ao Brasil teve um destino inusitado: o Palmeiras, rival do Santos, para a disputa do Brasileirão Feminino 2022. Gutierres teve outras propostas, mas o projeto alviverde a conquistou. 

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— Eu fiquei muito feliz pois tenho muitos familiares palmeirenses. Quando estava no Santos eles diziam: 'vá jogar no Palmeiras (risos), você vai ser feliz lá, vai ser a melhor fase da sua carreira' — revela.  

O carinho pelo Santos pesou, mas não foi determinante. E, desde a chegada, o Alviverde tornou-se casa, como quem já está há muito tempo. A competitividade, característica marcante de Gutierres, guiou a decisão.

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— O Palmeiras vem crescendo muito, sendo um time muito respeitado e em nenhum momento entramos em campo pensando em perder ou empatar — diz ela. 

Partida entre Palmeiras e Corinthians, válida pela final (volta) do Campeonato Paulista Feminino, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas-SP. (Foto: Fabio Menotti/Palmeiras
Amanda Gutierres e as companheiras de time na final do Paulistão 2024, diante do Corinthians. (Foto: Fabio Menotti/Palmeiras)

Amanda destaca que o Palmeiras cresceu não só dentro de campo, mas em investimento na modalidade. Para ela, o cenário incentiva clubes de menor expressão, elevando, assim, o nível competitivo. E fala de mais um desejo na carreira.

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—  No momento não penso em sair daqui (do Palmeiras), mas claro que ainda tenho um desejo: o de jogar na Inglaterra (...) vou trabalhar para isso, mas se não for isso, tenho certeza que farei boas escolhas. —  comenta a atleta.

De ponta à centroavante: o surgimento da 'Gutigol'

Ainda como atleta amadora no Paraná, Gutierres atuava nos setores de meio-campo e ataque, seja no campo ou na quadra. Forte fisicamente e com finalização calibrada, ela se destacou pelo faro de gol. 

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Ao longo da carreira, ela atuou em diferentes posições de ataque, como ponta e falsa nove, e atribui a versatilidade às necessidades de cada equipe que defendeu. Atualmente, vive a melhor fase da carreira com uma função bem definida: a de finalizadora.

— Dos últimos anos para cá eu comecei a ficar mais dentro da área, mais como centroavante do que atacante de beirada ou falsa nove. — especifica. 

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Amanda Gutierres já vestiu a camisa oito do Verdão. (Foto: Priscila Pedroso/Palmeiras)
Amanda Gutierres já vestiu a camisa oito do Verdão. (Foto: Priscila Pedroso/Palmeiras)

Duas vezes artilheira do Brasileirão Feminino (2023 e 2024), Amanda não acredita que o futebol brasileiro não produza mais camisas nove.

—  O Brasil tem, sim, grandes centroavantes. Falando do masculino, temos o Pedro (do Flamengo). Falam que não tem, mas vejo o Pedro como baita centroavante. No Feminino também, temos várias. — opina.

Saúde mental e vida pessoal

Ser atleta de alto rendimento é conviver cobrança e críticas. Quando se é mulher, elas ganham endosso de preconceito e viés machista.

Para manter o aspecto mental em alta, Amanda Gutierres prioriza o "mundo real" e se blinda do que abala a confiança.

— Eu passo, às vezes, com a psicóloga. Acredito que o que atrapalha muitas jogadoras é a internet. É um pouco difícil, nem todos reagem igualmente, mas sempre penso que elogio e crítica estão sempre no mesmo nível. — explica a jogadora. 

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Confiança em si e no grupo são marcas da paranaense. Antes das partidas ou em momentos de descontração, gosta de escutar Projota, reggae e modão.

Aos fins de semana, tererê e pratos à base de mandioca estão no cardápio. No tempo livre, jogos online e passeios com família e amigos. Assim, Gutierres mantém o vínculo com as raízes, os pés no chão e a cabeça no que importa.

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