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A culpa dos resultados ruins do Fluminense é só do Zubeldía?

Tricolor ficou no empate com o Independiente Rivadavia no Maracanã

PorPedro BrandãoRio de Janeiro (RJ)
12/08/2026 06:30
Zubeldía no banco do Fluminense
Zubeldía no banco do Fluminense (Foto: Lucas Merçon/ Fluminense FC)

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O empate por 0 a 0 com o Independiente Rivadavia, nesta terça-feira (11), no Maracanã, foi mais um capítulo de um momento que deixou de ser apenas uma sequência ruim de resultados no Fluminense. O time de Luis Zubeldía voltou a apresentar problemas técnicos, pouca capacidade de transformar posse em perigo e erros que ofereceram ao adversário exatamente o cenário que ele buscava: campo para contra-atacar.

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O resultado ampliou para oito partidas o maior jejum de vitórias do Fluminense desde julho de 2024. São sete empates e uma derrota, com apenas 29,2% de aproveitamento. Nesse período, o Tricolor marcou cinco gols e sofreu sete. Criou 12 grandes chances e permitiu 13 aos adversários.

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Os números ajudam a dimensionar uma equipe que tem a bola, mas faz pouco com ela. O Fluminense registra 57,3% de posse no recorte e precisa, em média, de 24,2 finalizações para marcar um gol. Os adversários precisam de 14,3 para balançar a rede tricolor.

Martinelli, Hércules, Nonato, Guilherme Arana, Rodrigo Castillo e Hulk cometeram erros técnicos em diferentes momentos. Passes simples saíram errados, domínios escaparam e decisões demoradas permitiram que o Rivadavia recuperasse a bola com espaço para correr. O problema não era apenas perder a posse. Era onde e como ela era perdida.

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O time argentino entrou no Maracanã disposto a defender em bloco, suportar períodos sem a bola e acelerar assim que recuperasse a posse. O Fluminense sabia disso desde a fase de grupos. Ainda assim, alimentou repetidamente a principal característica do adversário.

Thiago Silva foi direto ao analisar a partida.

— É verdade que a bola é um pouco diferente, o campo está um pouco mais duro, beneficia quem quer jogar um pouco na transição, como eles. E a gente estava dando o que eles queriam. É isso que eu não entendo. Eles querem transição, a gente está dando transição — afirmou.

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A melhor oportunidade argentina nasceu justamente em um desses momentos. Álex Arce encontrou Bonifacio nas costas da defesa no início do segundo tempo, e Fábio precisou fazer grande defesa para impedir o gol. Pouco depois, Matías Fernández ainda acertou a trave em chute de fora da área.

No primeiro tempo, Ignácio já havia perdido uma bola dentro da própria área e precisou ser salvo por Thiago Silva.

— Hoje nós erramos muito, tanto em controle de bola quanto em passes. E isso vai tirando a nossa confiança e vai dando confiança para o adversário que queria a transição. Eles fizeram um jogo impecável nesse sentido — completou o capitão.

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Thiago Silva orienta jogadores do Fluminense em campo
Thiago Silva orienta jogadores do Fluminense em campo (Foto: Marcelo Gonçalves/ Fluminense FC)

Faltou futebol e também senso de urgência

O Fluminense não fez apenas uma partida tecnicamente ruim. Também demorou para entender o peso do jogo. Era o primeiro duelo de um mata-mata de Libertadores, dentro do Maracanã, contra um adversário que havia viajado à Argentina com a possibilidade de decidir a classificação em casa. Ainda assim, o Tricolor passou grandes períodos circulando a bola sem velocidade, profundidade ou agressividade.

Zubeldía identificou o problema cedo. Ainda durante o primeiro tempo, colocou seis jogadores para aquecer. No intervalo, retirou Hércules e Castillo para as entradas de Lucho Acosta e Canobbio.

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A equipe melhorou, mas não a ponto de assumir completamente o jogo. Lucho deu mais mobilidade ao meio. Depois entraram Cano, Ganso e Savarino. O Fluminense aumentou sua presença no campo ofensivo, mas nunca conseguiu estabelecer uma pressão contínua.

— Tivemos muito a bola, mas, evidentemente, não tivemos os recursos necessários para criar situações ou fazer uma boa partida — reconheceu o treinador.

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Faltou a sensação de que o Rivadavia estava encurralado. Mesmo nos minutos finais, quando o contexto exigia volume, o Tricolor alternou ataques com erros e permitiu que o jogo continuasse aberto. Ganso obrigou Bolcato a defender um desvio na primeira trave, Cano isolou o rebote e Savarino quase marcou em uma finalização de muito longe. Foram lampejos. Não uma blitz.

— A torcida tem total razão nesse tipo de cobrança, porque há algum tempo a gente não vem desempenhando o nosso melhor papel. Tecnicamente, fisicamente, a gente não está entregando aquilo que eles esperam da gente. Nosso jogo foi muito abaixo daquilo que a gente é capaz de fazer. Agora não é hora de apontar dedos. É cada um tomar a responsabilidade que tem que tomar, para que a gente pelo menos jogue um pouquinho mais, tente jogar um pouquinho mais — disse mais Thiago Silva.

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O Fluminense fica mais com a bola do que seus adversários, mas cria menos grandes chances do que permite. Também necessita de quase dez finalizações a mais para marcar do que os rivais precisam para fazer um gol contra a equipe.

Zubeldía chega pressionadíssimo contra o Palmeiras. Não apenas pelo oitavo jogo consecutivo sem vitória, mas porque a atuação não apresentou uma resposta clara para os problemas que vêm acompanhando a equipe. Zubeldía mudou jogadores, alterou características do ataque e mexeu cedo. O Fluminense, porém, voltou a apresentar pouca fluidez e erros técnicos em quantidade alta. Hulk, um dos piores em campo, defendeu o argentino.

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— A cobrança é natural de dizer: "O culpado é o treinador", mas não é. A gente sabe que o culpado não é só o treinador. Somos nós, jogadores, que entramos em campo.

Hulk pelo Fluminense contra o Independiente Rivadavia
Hulk pelo Fluminense contra o Independiente Rivadavia (FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C)

O que vem por aí para o Fluminense?

O Fluminense volta a enfrentar o Independiente Rivadavia na próxima terça-feira (18), em Mendoza, na Argentina. Antes disso, o Tricolor entra em campo contra o Palmeiras, no sábado, pelo Brasileirão, no Maracanã.

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