Conheça o projeto que mudou a história do Lanús, carrasco do Flamengo na Recopa
"Clube de bairro" saiu da terceira divisão para o protagonismo continental

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O Lanús conquistou a Recopa Sul-Americana ao derrotar o Flamengo na madrugada desta sexta-feira (27), em pleno Maracanã, e consolidou um processo de reestruturação iniciado no fim da década de 1970. Após período de crise financeira e rebaixamento à terceira divisão argentina, o clube reorganizou a gestão, ampliou o quadro de sócios, investiu em estrutura e passou a disputar títulos nacionais e continentais.
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Com sede na cidade de Lanús, na província de Buenos Aires, o time reforça a identidade local ao se definir como "clube de bairro". A ligação com a comunidade foi decisiva na reconstrução. No fim dos anos 70, a instituição acumulava dívidas judiciais e enfrentava conflitos internos. Na década seguinte, um grupo de sócios assumiu a direção, pacificou o ambiente político e estabeleceu como meta tornar o clube sustentável e integrado à cidade.

A reorganização financeira incluiu acordos para parcelamento de dívidas e ampliação do quadro social, que saltou de cerca de 2 mil para 10 mil associados nos primeiros anos do novo modelo. O crescimento permitiu investimentos estruturais e a retomada esportiva. O acesso da terceira para a segunda divisão ocorreu em 1981. O retorno à elite argentina foi confirmado em 1990.
A consolidação administrativa teve como marco a modernização do estádio La Fortaleza. Até o início da década de 1990, o local tinha capacidade reduzida e estrutura limitada, comportando apenas 7 mil pessoas. A partir da mobilização de dirigentes e empresários da cidade, o estádio foi reformado e ampliado. Hoje, comporta 47 mil torcedores em um terreno de 27 hectares.
Paralelamente, o clube estruturou uma sede social com mais de 30 modalidades esportivas, incluindo ginásio poliesportivo e piscina olímpica. O modelo mantém o futebol profissional como parte de um projeto social mais amplo, sustentado por cerca de 40 mil sócios.


No campo esportivo, os resultados passaram a refletir a reorganização. O Lanús conquistou a Copa Conmebol em 1996. Em 2007, venceu o Campeonato Argentino pela primeira vez, sob comando de Ramón Cabrero, em um momento apontado como salto de visibilidade nacional. O clube voltou a ser campeão argentino em 2016.
No cenário continental, venceu a Copa Sul-Americana em 2013 e repetiu o feito em 2025, ao superar o Atlético-MG na decisão. Foi vice-campeão da Libertadores em 2017. A Recopa Sul-Americana de 2026, conquistada sobre o Flamengo, amplia a galeria de títulos internacionais.

O modelo financeiro tem como base a formação e venda de jogadores. O orçamento anual gira em torno de 450 milhões de pesos argentinos, valor inferior ao de clubes brasileiros de grande porte. A categoria de base é tratada como ativo estratégico para equilíbrio das contas.
A atuação social inclui um projeto educacional próprio. A escola do clube foi criada em 2006 com ensino infantil, ampliada para o nível primário em 2009 e para o secundário em 2012. As unidades funcionam próximas ao estádio e dentro do complexo esportivo. A proposta é oferecer formação acadêmica aos moradores da cidade, sem vínculo obrigatório com o futebol.
A conquista no Maracanã reforça a trajetória iniciada há quase 40 anos, quando o Lanús optou por um modelo de gestão sustentado por sócios, participação comunitária e controle financeiro. O título da Recopa é resultado de um processo que transformou um clube ameaçado de fechar as portas em competidor frequente em decisões continentais.

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