Pitaco do Guffo: a ressurreição do São Paulo
Trabalho de Hernán Crespo lidera algo impensável um mês atrás

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O tricolor paulista começou a temporada submerso em um dos maiores escândalos da sua história, e havia no Morumbis uma perspectiva de um ano difícil. Mas, após os bons desempenhos e resultados no Brasileirão e a retomada no Paulista, o trabalho de Hernán Crespo lidera algo impensável um mês atrás: a ressurreição do São Paulo.
A história do SPFC sempre apontou para o mesmo lugar: quando o time controlava o corredor central, ele deixava de depender de "momentos" e passava a depender de um modelo. Em 2026, Crespo está construindo exatamente isso, e o "milagre" desse ressurgimento atende pelo atual meio campo: Bobadilla, Marcos Antônio e Danielzinho — um trio que dita ritmo, dá saída e sustenta a posse sem transformar o jogo em lentidão.
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A engenharia do motor do time
O desenho base do time de Crespo tem sido o 3-4-3/3-4-2-1 em fase ofensiva, com trio de zaga (Sabino, Arboleda e Alan Franco), alas que dão amplitude com critério (Mike e Enzo) e um meio-campo que se organiza por funções complementares. A chave está no fato de que os alas nem sempre são os caras do fundo; então, o São Paulo precisa que o meio-campo preencha os corredores internos e chegue junto da área para não atacar com pouca gente.
Marcos Antônio é o jogador que transforma essa saída em vantagem territorial. Ele tem um padrão valioso: domina e passa rápido, sem prender a bola, e com leitura para acionar a inversão no tempo certo. Quando ele orienta o jogo para o lado fraco e depois acelera a troca de corredor, o São Paulo cria 1 contra 1 para o ala ou faz o adversário correr lateralmente até perder a referência. É controle que machuca — não é posse para estatística.
Danielzinho complementa esse controle com volume e segurança, mas com uma diferença que muda o desenho: ele não fica apenas como apoio de segurança; ele pisa em zonas mais altas quando o time precisa, vira opção de tabela e aparece para finalizar. Isso ajuda a explicar por que os meio-campistas estão participando mais da zona de decisão: se os alas não atacam a última linha o tempo todo, o São Paulo "compensa" com chegada de segundo e terceiro homem.
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Coordenados ou nada
Na prática, o meia Bobadilla é o cara que garante a recuperação curta para o São Paulo repetir ataques — e isso conversa direto com a característica do time: com Luciano e Calleri na frente, não é uma equipe construída para viver de transição longa; é um time para subir bloco com posse, cercar e atacar de novo. Ou ataca coordenado, ou nada.

A ressurreição do São Paulo traz uma pergunta: será que o time pode surpreender os favoritos na temporada? Eu afirmo que sim, pois não depende de uma "inspiração", depende de uma estrutura coordenada que se repete. O motor está estabelecido e funcionando. Quando você tem um meio-campo que gira o jogo com qualidade e que chega coordenado na área adversária, você vira um time de padrões. E no disputado futebol brasileiro, padrão com qualidade pode pontuar mais do que brilho intermitente.
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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