menu hamburguer
imagem topo menu
logo Lance!X
Logo Lance!

Pitaco do Guffo: como as novas contratações mudam o Grêmio de patamar

O Grêmio está indo até a Argentina para trazer dois volantes que não disputam a mesma vaga

Luis Castro, treinador do Grêmio e ex-treinador do Botafogo (Foto: Maxi Franzoi/AGIF/GazetaPress)
imagem cameraLuís Castro, treinador do Grêmio (Foto: Maxi Franzoi/AGIF/GazetaPress)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 05/02/2026
23:18

  • Matéria
  • Mais Notícias
Conteúdo Especial
Carregando conteúdo especial...

O Grêmio está indo até a Argentina para trazer dois volantes que não disputam a mesma vaga — disputam o mesmo problema. Juan Nardoni e Leonel Pérez, caso confirmem, devem chegar para mexer no lugar mais sensível de qualquer time que quer ser competitivo em 2026: o corredor central, o espaço onde se ganha jogo sem fazer barulho, onde se perde jogo sem entender por quê.

continua após a publicidade

E aqui está o ponto: não é só sobre "mais nomes" no elenco. É sobre o desenho do time do Luís Castro ganhar novas respostas. Respostas para sair jogando sem rifar. Para pressionar sem partir ao meio. Para atacar sem deixar a zaga exposta ao primeiro contra-ataque bem encaixado.

Nardoni: o elo que o Grêmio procurava (e nem sempre achou)

Nardoni tem 23 anos, 1,80m, e uma característica que o futebol moderno paga caro: consegue ligar setores. Com bola, é o volante "correto" — e isso, num time que quer ser agressivo com posse, não é pouco. Primeiro toque limpo, condução fluida, progressão quando recebe de frente e capacidade de achar lançamentos pelo alto para acelerar a jogada.

continua após a publicidade
Nardoni Racing
Nardoni em ação pelo Racing (Foto: Divulgação / Racing Club)

A ressalva também é clara: de costas, ele não gira com a mesma facilidade. Isso direciona o melhor uso dele. Não é o volante que vai receber pressionado no círculo central, girar em cima de dois e sair com passe vertical de cinema. Ele não é Busquets. O Nardoni é mais "8" do que "5": recebe de frente, dá ritmo, encurta caminho para o ataque.

➡️Pitaco do Guffo: leia todas as colunas

Sem bola, chama atenção por uma coisa que o torcedor do Grêmio aprende a valorizar quando falta: tempo de desarme e leitura para assaltar a pressão. Ele não só marca — ele antecipa. Mas há um alerta tático: no Racing, estava acostumado ao papel de primeiro volante em dupla. Quando virou a referência mais fixa (o "3" da jogada, o cara que corre para trás e protege), sentiu. Posicionamento e transição defensiva longa viraram teste.

continua após a publicidade

Traduzindo para a prática: Nardoni não é, hoje, o volante para ficar sozinho protegendo a zaga em campo aberto. Ele é melhor quando o sistema dá cobertura e quando ele pode ser o construtor recuado, mas não o último homem do meio.

Pérez: o "5 clássico" que organiza sem precisar aparecer

Leonel Pérez, 21 anos, 1,86m, perfil de volante que muita gente acha que sumiu — mas só mudou de função. Ele é o camisa 5 agressivo, combativo, destruidor de jogada. A diferença é que não é um destruidor "cego": também entende a saída, e isso muda a dinâmica do time.

O traço mais importante de Pérez, pensando no modelo de Luís Castro, é o posicionamento: ele se coloca como terceiro homem entre os zagueiros na saída. Isso abre os laterais e estica o campo por fora e libera os volantes construtores para receberem mais altos, em melhor condição, sem precisar buscar a bola no pé do zagueiro.

Num Grêmio que muitas vezes precisou "forçar" a primeira fase de construção, ter um 5 que organiza a base do lance pode ser o detalhe que vira padrão. E aí entra a sinergia: com Arthur e Nardoni por perto, Pérez não precisa inventar verticalidade a cada toque. Ele distribui, dá segurança, encurta o risco — e deixa a criação para quem tem mais repertório nesse segundo passe.

Como as novas contratações podem mudar o Grêmio de patamar? Se a comissão técnica fizer o básico bem feito — não pedir do Nardoni o que ele não é e dar ao Pérez tempo e contexto —, o Tricolor gaúcho ganha algo raro no futebol brasileiro: um meio-campo titular com funções complementares, capaz de sustentar um time mais dominante sem virar uma equipe exposta. O time de Luís Castro quer incomodar os favoritos.

  • Matéria
  • Mais Notícias