Pitaco do Guffo: como as novas contratações mudam o Grêmio de patamar
O Grêmio está indo até a Argentina para trazer dois volantes que não disputam a mesma vaga

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O Grêmio está indo até a Argentina para trazer dois volantes que não disputam a mesma vaga — disputam o mesmo problema. Juan Nardoni e Leonel Pérez, caso confirmem, devem chegar para mexer no lugar mais sensível de qualquer time que quer ser competitivo em 2026: o corredor central, o espaço onde se ganha jogo sem fazer barulho, onde se perde jogo sem entender por quê.
E aqui está o ponto: não é só sobre "mais nomes" no elenco. É sobre o desenho do time do Luís Castro ganhar novas respostas. Respostas para sair jogando sem rifar. Para pressionar sem partir ao meio. Para atacar sem deixar a zaga exposta ao primeiro contra-ataque bem encaixado.
Nardoni: o elo que o Grêmio procurava (e nem sempre achou)
Nardoni tem 23 anos, 1,80m, e uma característica que o futebol moderno paga caro: consegue ligar setores. Com bola, é o volante "correto" — e isso, num time que quer ser agressivo com posse, não é pouco. Primeiro toque limpo, condução fluida, progressão quando recebe de frente e capacidade de achar lançamentos pelo alto para acelerar a jogada.

A ressalva também é clara: de costas, ele não gira com a mesma facilidade. Isso direciona o melhor uso dele. Não é o volante que vai receber pressionado no círculo central, girar em cima de dois e sair com passe vertical de cinema. Ele não é Busquets. O Nardoni é mais "8" do que "5": recebe de frente, dá ritmo, encurta caminho para o ataque.
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Sem bola, chama atenção por uma coisa que o torcedor do Grêmio aprende a valorizar quando falta: tempo de desarme e leitura para assaltar a pressão. Ele não só marca — ele antecipa. Mas há um alerta tático: no Racing, estava acostumado ao papel de primeiro volante em dupla. Quando virou a referência mais fixa (o "3" da jogada, o cara que corre para trás e protege), sentiu. Posicionamento e transição defensiva longa viraram teste.
Traduzindo para a prática: Nardoni não é, hoje, o volante para ficar sozinho protegendo a zaga em campo aberto. Ele é melhor quando o sistema dá cobertura e quando ele pode ser o construtor recuado, mas não o último homem do meio.
Pérez: o "5 clássico" que organiza sem precisar aparecer
Leonel Pérez, 21 anos, 1,86m, perfil de volante que muita gente acha que sumiu — mas só mudou de função. Ele é o camisa 5 agressivo, combativo, destruidor de jogada. A diferença é que não é um destruidor "cego": também entende a saída, e isso muda a dinâmica do time.
O traço mais importante de Pérez, pensando no modelo de Luís Castro, é o posicionamento: ele se coloca como terceiro homem entre os zagueiros na saída. Isso abre os laterais e estica o campo por fora e libera os volantes construtores para receberem mais altos, em melhor condição, sem precisar buscar a bola no pé do zagueiro.
Num Grêmio que muitas vezes precisou "forçar" a primeira fase de construção, ter um 5 que organiza a base do lance pode ser o detalhe que vira padrão. E aí entra a sinergia: com Arthur e Nardoni por perto, Pérez não precisa inventar verticalidade a cada toque. Ele distribui, dá segurança, encurta o risco — e deixa a criação para quem tem mais repertório nesse segundo passe.
Como as novas contratações podem mudar o Grêmio de patamar? Se a comissão técnica fizer o básico bem feito — não pedir do Nardoni o que ele não é e dar ao Pérez tempo e contexto —, o Tricolor gaúcho ganha algo raro no futebol brasileiro: um meio-campo titular com funções complementares, capaz de sustentar um time mais dominante sem virar uma equipe exposta. O time de Luís Castro quer incomodar os favoritos.
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