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José Boto e Saúl condenam redução do limite de estrangeiros no Brasileirão: 'Não é preciso de lei'

Dirigente e volante do Flamengo, ambos europeus, preocupam-se com queda de nível

PorPedro Werneck•Rio de Janeiro (RJ)
01/10/2026 14:52
José Boto, diretor do Flamengo, se posicionou sobre bets e estrangeiros em conversa com a imprensa no Ninho do Urubu
ScreenshoJosé Boto, diretor do Flamengo, se posicionou sobre bets e estrangeiros em conversa com a imprensa no Ninho do Urubu (Foto: Pedro Werneck / Lance!)

O diretor de futebol rubro-negro, José Boto, e o volante Saúl se mostraram preocupados com as consequências da redução do limite de estrangeiros do Brasileirão. Em entrevista no Ninho do Urubu, nesta quinta-feira (1º), após o treino do Flamengo, ambos avaliaram que a limitação a cinco atletas do exterior por partida tende a reduzir a competitividade do futebol nacional.

Para o dirigente português, o exemplo da Espanha, atual campeã mundial, contraria a tese que fundamentou a mudança aprovada pela maioria dos clubes na CBF.

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— Aqui me expresso não como diretor do Flamengo, mas como alguém do futebol. Vocês olham para a Espanha, no outro dia jogavam Atlético de Madrid e Real Madrid, com três ou quatro espanhóis em campo? E a Espanha é campeã do mundo. Ou seja, não é por decretar que têm que jogar não sei quantos brasileiros ou que não podem jogar não sei quantos estrangeiros que você vai melhorar a qualidade do futebol brasileiro, pelo contrário. Os bons jogadores brasileiros os clubes não têm capacidade de reter. Jogadores como o Estêvão saem muito jovens daqui, porque os europeus têm capacidade financeira e de seduzi-los — analisou Boto.

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O dirigente também citou a realidade da liga portuguesa, seu país de origem, destacando que a formação de atletas não foi prejudicada pela presença de peças estrangeiras.

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— Então, vai ficar aqui uma segunda prateleira de jogadores, sem a mesma qualidade. Quem tem qualidade vai jogar. Não é preciso de uma lei para isso. O que temos que trabalhar é a formação. Eu falo de Portugal, que tem boa formação e não tem limite de estrangeiros. Você pode jogar com 11 brasileiros lá, e isso não impacta na qualidade dos jogadores produzidos. Esta é minha opinião de fora. Isso vai, mais uma vez, fazer com que a qualidade do futebol brasileiro diminua — concluiu.

Representante espanhol no elenco do Flamengo, o meio-campista Saúl apresentou visão parecida.

— Não cabe a mim falar, mas eu acredito que isso não seja bom para a liga. Para você colocar mais jogadores brasileiros, tem que ser porque eles têm bom nível, não só porque são brasileiros. Se isso (redução) for feito, eu acredito que vai baixar o nível do Brasileirão. Não é bom para a liga — afirmou.

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Saúl conversa com a imprensa após treino do Flamengo no Ninho do Urubu
Saúl conversa com a imprensa após treino do Flamengo no Ninho do Urubu (Foto: Pedro Werneck / Lance!)

➡️ Novo limite de estrangeiros do Brasileirão é diferente das ligas europeias

Redução de estrangeiros no Brasileirão

Em reunião com a CBF, os clubes das Séries A e B aprovaram a diminuição do número de atletas não-nacionais nos elencos a partir do próximo ano. Desde 2024, cada agremiação pode relacionar no máximo nove peças de fora do país por partida, mas, a partir de 2027, haverá um corte anual de uma vaga até atingir a meta do regulamento.

  • 2027: até 8 estrangeiros
  • 2028: até 7 estrangeiros
  • 2029: até 6 estrangeiros
  • 2030 em diante: até 5 estrangeiros

A entidade se baseou em um estudo que apontou uma queda de 40% nos minutos jogados por jovens sub-23 no Brasil desde que o limite de jogadores nascidos no exterior subiu para nove. Outro ponto aprovado pelos clubes foi a divisão das 50 inscrições permitidas por time em duas listas distintas:

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  • Lista A: Jogadores sem restrição de idade.
  • Lista B: Atletas de até 23 anos (sem a exigência de terem sido formados na base do próprio clube).

A transição no regulamento acontecerá na seguinte proporção:

  • 2027: 30 atletas na Lista A / 20 atletas na Lista B
  • 2028: 29 atletas na Lista A / 21 atletas na Lista B
  • 2029: 27 atletas na Lista A / 23 atletas na Lista B
  • 2030 em diante: 25 atletas na Lista A / 25 atletas na Lista B
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