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Caso Rojo: Flamengo mantém otimismo para reverter eliminação na Libertadores; entenda os argumentos jurídicos

Rubro-Negro contesta inscrição do zagueiro do Estudiantes e se apoia em precedentes da Conmebol

PorLucas Bayer•Rio de Janeiro (RJ)
27/10/2026 16:45

O Flamengo mantém o otimismo nos bastidores para tentar reverter sua eliminação na semifinal da Libertadores de 2026. O clube contesta a escalação de Marcos Rojo pelo Estudiantes no jogo de volta, no Maracanã, e acredita que existem fundamentos jurídicos para reivindicar os pontos da partida. A discussão, no entanto, está longe de ter um desfecho garantido: embora tenha autorizado provisoriamente a participação do zagueiro, o Corte Arbitral do Esporte (CAS) deixou em aberto a análise definitiva sobre a elegibilidade do jogador e as possíveis consequências esportivas.

O caso ganhou força porque a Conmebol havia rejeitado duas vezes a inscrição de Rojo na Libertadores. Contratado pelo Estudiantes após o encerramento da janela de transferências argentina, o defensor recorreu ao CAS por meio do clube e obteve uma medida cautelar que permitiu sua escalação contra o Flamengo. O time argentino avançou à final após empate sem gols no tempo regulamentar e vitória nos pênaltis, mas o Rubro-Negro formalizou sua oposição à participação do jogador antes do confronto.

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A decisão provisória não determinou a perda de pontos do Estudiantes nem confirmou a irregularidade da inscrição. O documento, porém, também não impediu que a questão fosse examinada posteriormente. É nesse espaço que o Flamengo concentra sua argumentação.

Rojo, jogador do Estudiantes
Rojo, jogador do Estudiantes (Foto: Divulgação)

O que diz a decisão do CAS sobre Marcos Rojo?

Na medida cautelar, o tribunal considerou que o interesse esportivo do jogador em disputar uma partida de relevância excepcional justificava permitir sua participação naquele momento.

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Um trecho importante trata do pedido para impedir que a participação de Rojo pudesse fundamentar uma eventual sanção esportiva ou disciplinar. O CAS rejeitou essa solicitação por considerar prematuro antecipar uma decisão sobre uma punição hipotética.

— No entanto, cabe ao Estudiantes e ao jogador realizar uma avaliação de riscos caso a sentença final do CAS não confirme a elegibilidade do jogador — diz trecho do documento.

A corte ressaltou, contudo, que essa rejeição não significava reconhecer o cabimento de uma eventual sanção nem antecipar o resultado do julgamento definitivo. O documento também atribuiu ao Estudiantes e ao jogador a responsabilidade de avaliar os riscos caso a decisão final não confirme a elegibilidade do defensor.

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Esse ponto ajuda a explicar o otimismo rubro-negro, mas exige cautela. A autorização provisória permitiu que Rojo entrasse em campo, sem encerrar a discussão sobre a regularidade de sua inscrição na competição continental.

Rojo em Flamengo x Estudiantes
Rojo em Flamengo x Estudiantes (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Advogada explica os argumentos de Flamengo e Estudiantes

A advogada Giovana Janoti, do escritório Belinger Inc. e especialista em Direito Desportivo, explica que o caso envolve interpretações distintas sobre os efeitos da decisão provisória e sobre a possibilidade de consequências após o julgamento definitivo.

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— O caso envolve um conflito complexo de interpretação sobre o alcance de decisões provisórias na justiça desportiva internacional. Por um lado, o Estudiantes de La Plata jogou amparado por uma medida cautelar válida emitida pelo TAS, que é o órgão arbitral máximo do esporte. Considerando que a autorização cautelar permitiu a participação de Rojo, mas deixou expressamente em aberto a discussão sobre a elegibilidade do atleta e as eventuais consequências esportivas, sob a ótica da defesa, o clube seguiu uma ordem jurídica vigente no momento da partida, o que tenta afastar a tese de má-fé ou desobediência regulamentar — afirma.

A especialista aponta que a discussão central está na natureza jurídica da autorização e nos efeitos que uma eventual decisão definitiva poderá produzir sobre a partida já disputada.

Do lado do Flamengo, a contestação se apoia na possibilidade de que o julgamento de mérito conclua pela irregularidade da inscrição, mesmo após a autorização provisória concedida pelo tribunal.

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— O questionamento do Flamengo baseia-se na teoria do risco e na potencial retroatividade dos efeitos jurídicos caso a liminar seja revogada no julgamento do mérito. O clube brasileiro fundamenta sua posição no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, que prevê sanções rígidas para a escalação de atletas inelegíveis, argumentando que a decisão provisória do CAS não convalidou definitivamente a transferência feita fora da janela — explica Giovana.

A advogada também destaca que o Flamengo procurou preservar formalmente seus direitos antes da partida. Em documento encaminhado às partes, o clube registrou que a eventual participação de Rojo ocorreria por conta e risco exclusivos do Estudiantes, sem prejuízo de uma reclamação por escalação irregular, nos termos do artigo 24.1.b do Código Disciplinar da Conmebol.

A origem da contratação está no centro da controvérsia

A discussão envolve a maneira como o Estudiantes conseguiu contratar e inscrever Rojo depois do encerramento da janela de transferências.

O clube argentino se apoiou em um acordo coletivo de trabalho na Argentina que permite a inscrição de um jogador fora da janela para substituir outro lesionado, desde que o diagnóstico indique um período de recuperação superior a quatro meses. Foi com esse argumento que a Associação de Futebol Argentino (AFA) autorizou a inscrição de Rojo no campeonato nacional, em substituição a Gabriel Neves, que estava lesionado.

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A controvérsia está no procedimento adotado para a Libertadores. Na lista enviada à Conmebol, o Estudiantes substituiu Santino Crego, que não estava lesionado, por Rojo, enquanto Gabriel Neves permaneceu inscrito.

O questionamento é se a exceção prevista no acordo argentino poderia justificar uma inscrição em condições diferentes das estabelecidas pelas regras internacionais. A análise envolve a compatibilidade do procedimento com as normas da Fifa e da Conmebol, além da possibilidade de a autorização concedida no âmbito nacional produzir efeitos na competição continental.

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A conclusão sobre esses pontos depende da análise do regulamento aplicável e da fundamentação que será apresentada no julgamento definitivo.

Precedentes da Conmebol alimentam a confiança rubro-negra

O Flamengo também considera precedentes de punições por escalação irregular em competições sul-americanas. Dois casos envolvendo clubes brasileiros aparecem como referência: o Santos, em 2018, e a Chapecoense, no mesmo ano.

O Santos foi eliminado da Libertadores após escalar Carlos Sánchez em situação considerada irregular. Já a Chapecoense perdeu pontos pela escalação do zagueiro Luiz Otávio, resultado que comprometeu suas chances de avançar na fase de grupos.

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Os episódios demonstram que irregularidades na escalação podem provocar consequências esportivas severas. No entanto, não garantem que o caso de Rojo terá o mesmo desfecho, já que as circunstâncias e os fundamentos jurídicos precisam ser analisados individualmente.

O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol prevê que uma equipe considerada responsável pela escalação indevida de um jogador pode ser declarada perdedora por 3 a 0. É com base nesse tipo de consequência que o Flamengo sustenta sua reivindicação. A data do julgamento ainda não foi definida.

➡️ Flamengo tenta reverter eliminação na Libertadores: veja casos em que a Conmebol mudou resultados

O que precisa acontecer para o Flamengo voltar à final?

Para Giovana Janoti, o desfecho depende do andamento do processo e da interpretação do tribunal sobre a regularidade da inscrição. A possibilidade de mudança no cenário antes da final da Libertadores, marcada para 28 de novembro, está relacionada à conclusão do julgamento e aos efeitos que uma eventual decisão poderá produzir.

— Para que o cenário se altere antes da final de 28 de novembro, o CAS precisaria julgar o mérito da inscrição de Marcos Rojo de forma definitiva e considerar o registro irregular, invalidando os efeitos da liminar anterior. Caso contrário, a tendência dos tribunais desportivos é preservar o resultado obtido dentro das quatro linhas sob a égide da ordem judicial que estava ativa no dia do confronto — conclui a advogada da Belinger Inc.

O Flamengo aguarda o julgamento definitivo, que ainda não tem data anunciada. Enquanto isso, o Estudiantes demonstra confiança em manter a vaga conquistada em campo, respaldado pela autorização cautelar que permitiu a utilização do defensor na semifinal.

A disputa jurídica, portanto, tem dois pontos fundamentais: a regularidade da inscrição de Rojo e os efeitos de uma eventual decisão desfavorável ao clube argentino. O Flamengo vê motivos para acreditar na reversão, mas a autorização provisória do CAS, por si só, não assegura a classificação rubro-negra à final da Libertadores.

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