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Análise: o Flamengo que a Libertadores teme apareceu no Maracanã

Rubro-Negro domina o Cruzeiro no Maracanã e mostra o nível que pode alcançar na Libertadores

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
20/08/2026 06:30

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O Flamengo não apenas eliminou o Cruzeiro. Mandou um recado para a Libertadores. Em uma noite de sintonia perfeita com o Maracanã, o Rubro-Negro sufocou o adversário desde os primeiros minutos, transformou a superioridade técnica em domínio territorial e construiu uma classificação incontestável às quartas de final. O 2 a 1, mais do que confirmar a vaga, mostrou novamente o tamanho do teto deste elenco.

Primeiro tempo avassalador com o apoio da torcida

O primeiro tempo talvez seja o melhor exemplo disso. O Flamengo entrou com a intensidade, pressão e agressividade que há algum tempo o torcedor cobrava. O Cruzeiro simplesmente não conseguiu respirar. A equipe de Leonardo Jardim recuperava a bola rapidamente, ocupava o campo ofensivo e fazia o adversário jogar cada vez mais perto da própria área. E havia um ingrediente a mais: o Maracanã jogou junto.

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A torcida cantou praticamente durante toda a partida e criou um ambiente que empurrou o time. A sensação era de que arquibancada e campo estavam na mesma frequência. O Flamengo pressionava, o estádio respondia; o estádio aumentava o volume, e o time acelerava ainda mais.

Não é por acaso que o fator casa tem sido tão importante na Libertadores. O Flamengo venceu os últimos nove jogos que disputou como mandante na competição. São nove vitórias em nove partidas, com 17 gols marcados e apenas três sofridos. É um domínio que ajuda a explicar por que decidir em casa pode ser uma vantagem enorme no mata-mata.

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A escolha por Pedro fez diferença

Leonardo Jardim também acertou na escalação. A presença de Pedro desde o início mudou o funcionamento ofensivo do Flamengo. O centroavante atuou como referência, deu profundidade e, principalmente, mostrou uma capacidade de associar o jogo que fez diferença justamente nos momentos decisivos. Não marcou, mas participou diretamente dos dois gols.

Os passes para Arrascaeta e Samuel Lino tiveram algo em comum: Pedro enxergou antes a jogada que iria acontecer. Em ambos os lances, deixou os companheiros em condições privilegiadas para finalizar.

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Os números reforçam a influência do camisa 9: foram duas assistências, uma grande chance criada e cinco passes decisivos. É difícil imaginar, diante de uma atuação como essa, que Pedro não seja titular em jogos desse tamanho.

Jogadores do Flamengo comemoram gol no jogo contra o Cruzeiro pela Libertadores
Jogadores do Flamengo comemoram gol no jogo contra o Cruzeiro pela Libertadores (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Arrascaeta continua sendo diferente

E, quando existe espaço para decidir, Arrascaeta continua sendo Arrascaeta. O uruguaio marcou um golaço e novamente mostrou por que é um jogador acima da média. Quanto mais tempo passa no Flamengo, mais a história do camisa 10 se mistura à do clube. E, aos 32 anos, segue capaz de produzir momentos que poucos jogadores conseguem.

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Jardim não economizou nos elogios.

"O Arrascaeta é fantástico. Uma pena é que ele não consegue fazer todos os jogos de dois em dois dias e jogar 90 minutos. [...] É um jogador fantástico. É importante que ele esteja presente, de início ou entrando. Ele consegue ter uma qualidade acima da média."

A Libertadores também ajuda a dimensionar o tamanho do uruguaio. Arrascaeta já soma 19 gols e 23 assistências na competição. Está a apenas um gol de entrar em um grupo histórico: o de jogadores com pelo menos 20 gols e 20 assistências no torneio, como Juan Román Riquelme, com 25 gols e 26 assistências.

Gerson em Flamengo x Cruzeiro
Arrascaeta contra o Cruzeiro no Maracanã (Foto: Pablo Porciuncula/AFP)

Samuel Lino virou peça fundamental

Samuel Lino merece um capítulo à parte. O atacante vem sendo um dos principais jogadores do Flamengo desde o retorno após a Copa do Mundo e voltou a mostrar isso contra o Cruzeiro. Depois de sofrer no lance que originou o gol celeste no primeiro jogo, no Mineirão, o camisa 16 teve a resposta que precisava. E foi com estilo.

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O drible desconcertante antes da finalização foi mais uma demonstração de confiança. Lino deixou o marcador para trás e marcou um gol que resumiu o momento que vive: mais participativo, agressivo e cada vez mais integrado ao funcionamento ofensivo de Jardim.

Jardim também merece os créditos

A classificação não pode ser analisada apenas pela qualidade individual dos jogadores. Leonardo Jardim também tem participação importante nessa evolução. O Flamengo mostrou contra o Cruzeiro uma equipe mais organizada, com melhor saída de bola, pressão mais coordenada e maior capacidade de ocupar os espaços. É exatamente o tipo de intensidade que desapareceu em alguns dos jogos após a Copa do Mundo e que o treinador vinha cobrando publicamente.

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Contra o Cruzeiro, ela reapareceu.

O recado para a Libertadores

O Flamengo é o atual campeão da Libertadores. É tetracampeão e, ao lado de toda a sua história na competição, possui um elenco que poucos clubes da América do Sul conseguem igualar em qualidade e profundidade.

Por isso, seria exagero cravar que o Rubro-Negro será campeão novamente. Futebol não funciona assim. Mas também seria impossível ignorar o que aconteceu no Maracanã.

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Se o Flamengo conseguir repetir por mais vezes o nível apresentado no primeiro tempo contra o Cruzeiro, será muito difícil encontrar uma equipe sul-americana capaz de enfrentá-lo de igual para igual. Essa é a principal mensagem deixada pela classificação.

O time que sofreu críticas pela falta de intensidade contra São Paulo e Internacional, recentemente, apresentou justamente o contrário diante do Cruzeiro. Foi agressivo, dominante e mentalmente superior. Jogou com urgência desde o primeiro minuto e não permitiu que o adversário acreditasse que poderia controlar a partida. E, no mata-mata, isso pesa.

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O Flamengo agora está nas quartas de final. Além da vaga, leva consigo uma certeza: quando esse elenco joga no limite de sua capacidade, a Libertadores fica pequena para quem estiver do outro lado. A noite no Maracanã foi de sonho. Mas, principalmente, foi um aviso para os adversários.


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