Análise: Flamengo joga mal, mas torcida pega o time e o leva à semi da Libertadores
Arquibancada reagiu com apoio após expulsão de Joginho e a momentos delicados contra o Del Valle
Há noites em que um time joga para a arquibancada. Nesta quinta-feira (17), no Maracanã, aconteceu o contrário: foi a arquibancada que jogou pelo Flamengo na Libertadores. O empate por 1 a 1 com o Independiente del Valle não condiz com a atuação que se esperava de uma equipe que chegava ao jogo decisivo com uma vantagem de 2 a 0 construída no Equador. Pelo contrário. Principalmente no primeiro tempo, o time brasileiro esteve muito abaixo, errou passes, perdeu duelos e passou uma sensação incomum de desconcentração.
A vantagem conquistada em Quito era enorme. Pelo contexto da altitude e pela dificuldade que normalmente envolve jogar no Equador, o 2 a 0 poderia até ser tratado como uma goleada. Mas o Flamengo transformou uma situação confortável em uma noite de tensão no Maracanã. Por alguns momentos, flertou com o vexame.
Um primeiro tempo que não combinava com uma noite de Libertadores
O clima no Maracanã parecia estranho. A torcida estava pronta para uma noite de Libertadores, mas o time demorou a entrar nela. O Flamengo não conseguiu impor seu ritmo, teve dificuldades para sair jogando e acumulou erros técnicos. O Del Valle, mais agressivo, aproveitou o cenário para colocar o Rubro-Negro em desconforto.
Lucas Paquetá talvez seja o maior símbolo dessa atuação abaixo do esperado. Um dos jogadores mais identificados com a torcida, o meia teve, segundo a avaliação do próprio Leonardo Jardim, uma partida abaixo de sua dimensão. Foi substituído no início do segundo tempo e deixou o campo entre vaias e aplausos.
Depois da partida, o treinador explicou a escolha por Paquetá e também falou sobre a função que imagina para o jogador dentro de sua equipe.
— Todos sabíamos que eles (Del Valle) viriam mais agressivos, então a ideia foi colocar o Paquetá porque ele é mais físico, pensando nos duelos na entrada da área. Acabou por não acontecer. Lá em Portugal existe uma coisa que dizemos que é 'os melões só vemos se são bons depois de abrir'. Não sei se aqui significa o mesmo. Ele não fez um jogo à sua dimensão. Graças a Deus temos um elenco que, quando um não está bem, temos outro à altura — disse Jardim, técnico do Flamengo.
Jardim também reforçou que enxerga o camisa 10 como um jogador capaz de exercer diferentes funções, mas com preferência pela posição de segundo volante. A substituição, porém, acabou sendo apenas uma parte da mudança necessária. O Flamengo precisava mudar a postura. E quem mais mudou o jogo não estava dentro das quatro linhas.
A torcida entendeu o tamanho da noite
Se o time esteve longe de fazer uma atuação digna de uma decisão de Libertadores, a torcida entregou exatamente o que aquele momento exigia. O Maracanã entendeu que não era uma noite qualquer.

No segundo tempo, principalmente, os rubro-negros empurraram o time, aumentaram o volume das arquibancadas e transformaram o estádio em um fator decisivo. Quando o Flamengo precisou de força para suportar a pressão, encontrou essa força fora do campo. A classificação foi sendo construída também pela atmosfera criada pela torcida.
Jardim reconheceu isso depois da partida. Expulso, Jorginho deixou o time com um jogador a menos em determinado momento, mas o treinador encontrou outro jogador para ocupar aquele espaço: a arquibancada.
"Mesmo assim, conseguimos ser melhores na partida quando estávamos com 10+1. E digo isso porque, quando Jorginho saiu, a torcida entrou, foi o 12º jogador e foi fantástica. Nós nem sentimos falta dele."
A frase resume a noite. O Flamengo não teve a atuação para carregar 70 mil pessoas. Foram as 70 mil pessoas que carregaram o Flamengo. E isso também é Libertadores.

Existe uma força particular em noites como essa, em que a relação entre time e torcida deixa de ser apenas apoio e passa a funcionar como combustível. O Rubro-Negro precisava sobreviver ao jogo. A torcida percebeu antes do time e assumiu a responsabilidade de empurrá-lo até o fim.
Arrascaeta e a assinatura que faltava
Quando a classificação precisava de um rosto, apareceu o de Arrascaeta. O uruguaio saiu do banco e, com a frieza de quem parece cada vez mais acostumado a decidir pelo Flamengo, aproveitou a oportunidade para marcar o gol que trouxe alívio ao Maracanã. Foi a coroação de uma classificação que teve pouco futebol e muita tensão.
Arrascaeta não precisou de uma atuação longa para deixar sua marca. Bastou estar no lugar certo, no momento certo, e fazer aquilo que tantas vezes fez ao longo de sua história no clube: ser decisivo.
Chega a ser curioso que ainda não tenhamos a dimensão exata do tamanho que o uruguaio ocupa na história do Flamengo. Mas é gigante. Gigante.

Talvez algumas eras precisem terminar para que se compreenda completamente o tamanho dos jogadores que fizeram parte delas. O torcedor rubro-negro, porém, ainda tem a oportunidade de acompanhar Arrascaeta em campo e testemunhar, jogo após jogo, a construção dessa história. Que sorte tem o Flamengo. E que sorte tem o torcedor rubro-negro de viver essa era de Arrascaeta.
No Maracanã, a atuação não foi digna da grandeza da noite. A torcida foi. E, no fim, ela levou o Flamengo até a semifinal da Libertadores.
Para acompanhar as notícias do Flamengo, acompanhe o Lance! Todas as informações e acontecimentos atualizados em tempo real.
Tudo sobre

Libertadores
Verón diz que Estudiantes 'não corre risco' de perder vaga na final para o Flamengo
Há 6 horas
Futebol Nacional
Vasco x Flamengo terá mais de mil policiais e segurança reforçada no Nilton Santos
Há 9 horas
Futebol Nacional
Vasco x Flamengo: clubes anunciam venda de ingressos do clássico
Há 11 horas
Fora de Campo
Rizek critica demissão de Filipe Luís: 'Trabalho irretocável'
Há 12 horas
Flamengo
Caso Rojo: Flamengo mantém otimismo para reverter eliminação na Libertadores; entenda os argumentos jurídicos
Há 12 horas
Flamengo
Pulgar revela bastidores de pênalti decisivo de Carrascal em vitória do Flamengo
Há 15 horasMais LANCE!

Sócio-torcedor: clubes brasileiros apostam em tecnologia e benefícios para atrair fãs

Flamengo chega a 69,6% de chance de título no Brasileirão após vitória sobre o Atlético-MG

Vasco x Flamengo: 5 motivos para não perder o clássico pelo Brasileirão

CBF detalha semifinal da Copa do Brasil Feminina; veja datas, horários e onde assistir

Arrascaeta manda recado sobre briga com Palmeiras pela liderança do Brasileirão: 'Não interessa o rival'

Jornalista ironiza lance de pênalti em Flamengo x Atlético

Vasco tem retrospecto desfavorável contra o Flamengo no Nilton Santos; veja números

Mãe de filha de ex-Flamengo revela traições do jogador: 'Eu vi'

Opinião: Flamengo precisa tratar clássico com o Vasco como final de Copa do Mundo

Ressaca pós-eliminação não abala Flamengo, que tem em Carrascal o herói sob regência da torcida

Decisão da arbitragem em Flamengo x Atlético-MG viraliza: 'Claramente'

Jardim vê vitória de campeão do Flamengo e ida à final da Libertadores como 'possível'

Torcida do Palmeiras reage à vitória do Flamengo: 'Vergonha'
