De amado a odiado: a história de Leonardo Jardim com o Cruzeiro
O treinador irá reencontrar a Raposa nesta quarta-feira

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Leonardo Jardim irá se reencontrar com o Cruzeiro na noite desta quarta-feira (11), no jogo do Flamengo contra a Raposa, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. O técnico enfrenta sua ex-equipe uma semana depois de ser apresentado pelo Rubro-Negro.
Leonardo Jardim chegou ao Cabuloso no começo da última temporada, depois de uma saída conturbada de Fernando Diniz.
– Falei com o Pedro (Lourenço), com o Alexandre (Mattos), que apresentaram um projeto interessante, sabendo que o Maior de Minas tinha um projeto em mãos que poderia ser do meu interesse. Aceitei. Não é financeiro, é uma opção de vida vir ao Brasil, que é o país do futebol, o país com mais talentos no mundo – destacou o comandante em sua apresentação no Cabuloso.
Entretanto, o início da passagem de Leonardo Jardim não foi fácil. Ele levou quatro partidas para conquistar sua primeira vitória. Nos três primeiros jogos, perdeu para o Democrata-GV e empatou duas vezes em 1 a 1 com o América-MG, sendo eliminado nos pênaltis por 4 a 2. Após a queda na semifinal do Mineiro, o treinador disse que ter investimento não era sinônimo de ter bons jogadores.
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– Em relação ao efetivo, com certeza que podemos melhorar, a direção sabe qual a minha opinião, em algumas peças que possa faltar, de forma a tornar a equipe competitiva. Esse é o objetivo e aproveitamos esse período de cinco semanas para tentar retificar esse tipo de situações e nós conseguimos progredir para outro nível – analisou na época.
Vexame na Sul-Americana e virada de chave
Em maio de 2025, o Cruzeiro foi eliminado na Sul-Americana ainda na fase de grupos depois de um empate com o Mushuc Runa, do Equador. Na ocasião, Leonardo Jardim desmereceu a competição.
– O Cruzeiro não pode jogar essa competição. Não queremos jogar esse torneio no futuro, e acho que os cruzeirenses também não querem. Queremos jogar outra competição, onde jogam os melhores. Por isso temos que estar focados nas outras competições de forma a não voltar para ela nos próximos anos – disparou.
Entretanto, em maio também ocorreu a maior virada de chave da temporada, após o alvará de Pedrinho para que Leonardo Jardim fizesse o que bem entendesse, o que culminou na saída de Dudu. O jogo que cravou esse momento foi a vitória por 1 a 0 contra o Vasco, com bela atuação de Cássio.

– Vocês sabem que a temporada começou de uma forma muito difícil. Foi por isso que eu vim. Quando está bem, não é necessário trocar o treinador. E os nossos jogadores deram uma demonstração de que era possível jogar nos primeiros lugares do campeonato, a partir do jogo do São Paulo. Eu não não me esqueço na antevéspera do jogo contra o São Paulo, eu reuni os jogadores e disse: 'Temos o jogo do São Paulo e temos o jogo contra o Bahia, se não mudarmos os comportamentos e se não mudarmos a atitude, eu não estou aqui fazendo nada' – revelou em dezembro de 2025.
– Saí da reunião, encontrei o nosso presidente e disse: 'Presidente, amanhã, eu vou fazer algumas alterações, se não correr bem, depois do jogo contra o Bahia eu vou embora e vocês não precisam me pagar nem um tostão. Porque não estou aqui para ser mais um, estou aqui para conseguir os objetivos do clube e acredito que esses jogadores têm capacidade' – relembrou.
Cruzeiro embala e briga por títulos
Depois do triunfo contra o Vasco em Sete Lagoas, o Cruzeiro engatou uma sequência de 16 partidas invicto, contando com vitórias contra Palmeiras e Flamengo. No fim, a Raposa terminou o Campeonato Brasileiro na terceira posição.
- Não foi uma vitória por favor, em que o adversário tem 10 situações e a gente faz os gols. O Cruzeiro venceu porque fomos melhores que o Flamengo. Realmente não somos, mas hoje fomos melhores. O Cruzeiro ganhou e justificou a vitória, principalmente pela segunda parte que fez, muito boa. Criamos situações, e o adversário não foi tão forte como na primeira – disse após a vitória contra o Rubro-Negro.

Queda de rendimento e indícios de saída
Depois de engrenar na temporada, a Raposa terminou o ano oscilando. Nos últimos 15 jogos de 2025, venceu cinco partidas, empatou oito e perdeu duas. No entanto, alguns tropeços foram cruciais na briga por títulos, como os empates com Sport e Ceará, e as derrotas para Santos e Corinthians.
Antes, em um duelo contra o Palmeiras, Leonardo Jardim chegou a dar indícios de insatisfação, mas com o futebol brasileiro e não com o Cruzeiro.
– Dizem bem-vindo ao Brasil. Não quero isso. Gosto de controlar o jogo, que os jogadores sejam responsáveis pelo resultado. Tive com Gabriel e ele perguntou 'Mister, o Brasil está no top 5 de sua experiência internacional?'. Eu disse que não. Não estou aqui para puxar s.. de ninguém. Enquanto o grupo profissional for gerido, arbitrado por amadores... enquanto não houver gramados iguais, enquanto não houver sindicato de jogadores fortes para defender os interesses de um calendário, não vamos estar no top 5. Temos talento, emoção, torcedores mais espetaculares com quem trabalhei. Mas, sinceramente, não sei se isso tudo vale a pena. Acho melhor acabar por aqui – desatacou Leonardo Jardim.
Despedida e mudança de ideia
Leonardo Jardim se despediu do Cruzeiro após a eliminação na Copa do Brasil para o Corinthians. O treinador teve uma coletiva de despedida na Toca da Raposa II, onde destacou que estava deixando a equipe por motivos pessoais.
– Esses momentos não são fáceis, mas temos que ser racionais. Quando vim para o Cruzeiro, passei 45 dias com viagens, minha esposa no hospital. Quando ela saiu, vim para o Cruzeiro. Estou dentro do projeto para dar meu melhor, não pelo salário. Foi nesse convite do Pedrinho que dediquei 100%. Ainda bem, nosso contrato era até 2025, final. Havia possibilidade de sair, acionei uma cláusula e não renovar para 2026. Por motivos que são muito pessoais – disse o técnico.
– O desgaste que tive este ano, no lado pessoal e profissional. Alguns profissionais me alertaram, para me preservar. Não é a primeira vez que faço isso, parei depois do Monaco também. O trabalho de treinador não pode ser feito de qualquer forma, tem que ser a 200%. Não consigo dar esses 100% agora, no próximo ano. Vou tirar meu time de campo. Mas com certeza que tenho uma gratidão grande por trabalhar no Cruzeiro. Os torcedores fantásticos, o apoio do Pedrinho – complementou Leonardo Jardim.

Na época, o dono da SAF celeste, Pedro Lourenço, ressaltou que fez de tudo para manter o treinador na Toca da Raposa.
– A saída do Jardim, é uma coisa que lutamos muito para não acontecer. Mas ele tem uma necessidade, precisa ficar fora por compromissos familiares. Fica aqui uma gratidão muito grande pelo Jardim, pela comissão técnica dele toda, fantástica. Tenho que agradecer a ele e o trabalho dele. Dizer a todos que o Jardim nunca pediu nada que não pudéssemos fazer – comentou.
De amado a odiado
Como se vê, Leonardo Jardim deixou a Toca da Raposa II pela porta da frente, apoiado pela torcida e deixando saudades até mesmo nos diretores. Entretanto, tudo mudou em março de 2026, quando o comandante retornou ao Brasil, mas para fechar com o Flamengo. Um ano antes, o técnico chegou a dizer, mais de uma vez, que no futebol brasileiro, só trinaria o Cruzeiro.
– Toda a minha estrutura está 100% no futebol. Não aceito o futebol a 50%, aceito o futebol 100%. Mas vou deixar claro. O que é notícia é que no Brasil só vou treinar o Cruzeiro. E isso que é uma verdadeira notícia. Não vou treinar outro clube no Brasil – disse Leonardo Jardim após derrota para o Santos.
Entretanto, ele assinou contrato com o Flamengo a dois jogos de enfrentar o Cruzeiro. Em sua apresentação, ressaltou que não traiu a Raposa e que os jornalistas poderiam até mesmo questionar Pedro Lourenço.
– A relação, o carinho e a amizade que eu tenho com as pessoas, nada mudou. 'Ah, você traiu o Cruzeiro'. É só falar com o dono do Cruzeiro, ele é meu amigo, torcedor do clube e o dono. É só os jornalistas perguntarem a ele se eu traí em alguma situação. Sempre joguei com as coisas em cima da mesa. É só perguntar a ele. No Brasil todos dão opinião. O carinho é o mesmo, amizade que tenho com pessoas lá dentro. Muitas mandaram mensagens me felicitando por voltar ao Brasil. Quero jogar a 200% – comentou Jardim.
Entretanto, depois do título do Cruzeiro no Campeonato Mineiro, Pedrinho não demonstrou ter guardado tanto sentimento pelo treinador depois do acerto com o Flamengo.

– O Jardim, ele tinha contrato, todo mundo sabe, desse ano de 2026. E ele falou comigo que não ia ser mais técnico, que ele queria ser gestor e me pediu para tirar a multa do contrato dele. E eu, pelo bom trabalho, eu tirei. E ele chegou e falou: 'Ó, não vou ficar mais, vou embora que eu tenho que ficar dois meses lá para resolver problemas pessoais'. E assim foi – revelou Pedro Lourenço em entrevista à Sportv.
– Eu sempre falo que o futebol eu tenho que fazer curso, porque é difícil para mim, as verdades não duram 24 horas. Então é meio complicado – complementou Pedrinho.
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