Pré-Copa do Mundo, Ancelotti sonha com 'final perfeita' para Champions League
Italiano torce pela eliminação de seus astros na competição para evitar baixas no elenco

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A duas semanas de anunciar a lista definitiva dos jogadores que representarão a Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026, Carlo Ancelotti vive um paradoxo tático e emocional. O maior vencedor da história da Champions League teria como um "sonho", de forma pragmática, para que a decisão do torneio não conte com nenhum atleta de seu escopo brasileiro. O "cenário perfeito" para o treinador italiano seria uma final entre Bayern de Munique e Atlético de Madrid, as únicas equipes das semifinais que não possuem jogadores selecionáveis para o Brasil.
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O devaneio por uma final alemã-espanhola tem uma justificativa clara: sobrevivência física. O caos médico já se instaurou na Seleção, privando Ancelotti de peças fundamentais. Éder Militão (lesão no tendão da coxa) e Rodrygo (rompimento do ligamento do joelho) estão fora. O sinal de alerta segue piscando com o grupo de dúvidas, que inclui Estêvão (lesão na posterior da coxa direita), Alisson (problema muscular na coxa) e Raphinha (contusão na coxa).
Eliminações precoces no campeonato europeu significam uma tentativa de estancar a drenagem de um elenco que diminui a cada passo que a Copa do Mundo se aproxima.
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O "favor" que o Bayern pode fazer ao Brasil
Um dos focos de tensão para a comissão técnica está em Munique. O Bayern recebe o Paris Saint-Germain precisando reverter um eletrizante 5 a 4 sofrido na França. Para o Brasil, uma virada bávara, e o retorno do time alemão à uma final desde 2019/20, conquistado justamente sobre os parisienses, seria um alívio.
A queda do PSG significaria um desgaste a menos para a dupla Marquinhos e Lucas Beraldo. A saúde de Marquinhos é tratada como prioridade, visto que dores no quadril já o tiraram do amistoso contra a França, forçando Ancelotti a poupá-lo. O calendário do PSG agrava o temor: na reta final da Ligue 1 (campeonato francês), o time tem o Lens na sua cola disputando ponto a ponto e ainda precisa disputar um jogo atrasado da 29ª rodada. Cada minuto em campo é um risco iminente.
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O medo de perder os "Gabriéis" do Arsenal
O outro lado da chave, para o bem da Seleção de Ancelotti, veste as cores do Atlético de Madrid. Após um empate no jogo de ida na Espanha, os rojiblancos vão a Londres decidir a vaga contra o Arsenal. A queda da equipe londrina pouparia Gabriel Martinelli e Gabriel Magalhães do jogo mais tenso da temporada. Magalhães, inclusive, é outro que acendeu a luz amarela após ser cortado do amistoso contra a França por conta de dores no joelho direito, fruto do embate contra o Manchester City.
O problema para o plano do italiano é a fome de glória dos clubes. O Arsenal tenta quebrar um incômodo jejum e voltar a uma final europeia que não disputa desde a temporada 2005/06, enquanto o Atlético persegue a taça inédita após bater na trave em 2015/16. Como agravante, a vida dos gunners na Premier League é uma maratona: restam três rodadas decisivas, e o campeonato só se encerra no dia 24 de maio.
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A ironia do "rei da Europa"
O fato mais curioso dessa narrativa é o papel de Carlo Ancelotti. Justamente ele, o recordista absoluto da Champions League com sete títulos conquistados — dois como jogador do Milan (1989 e 1990), dois como técnico do clube italiano (2003 e 2007) e três no comando do Real Madrid (2014, 2022 e 2024) —, hoje jogaria suas fichas contra a competição que o eternizou.
Mais do que os números, o que define Ancelotti é sua habilidade de gerir vestiários estrelados com serenidade, respeito e confiança. O "gestor de pessoas" exemplar sabe ler o momento de seus atletas. Seu estilo tranquilo, que tanto contrasta com o caos do futebol de elite, é o que o faz enxergar a realidade de forma fria: sendo a Seleção Brasileira um celeiro de craques altamente requisitados, o melhor atalho para a glória no Mundial é, ironicamente, o fracasso de seus pilares na Europa.

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