Em carta à Fifa, deputados dos EUA criticam custos da Copa do Mundo
Preços dos ingressos e gastos das cidades-sede são alvos de questionamentos

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Um grupo de 69 congressistas norte-americanos enviou uma carta à Fifa pedindo que a entidade baixe o preço dos ingressos da Copa do Mundo e reveja a política de organização do torneio. Na avaliação dos parlamentares, a oferta de bilhetes a preços dinâmicos e as restrições à busca de patrocínios "criaram desafios intransponíveis para os torcedores e as cidades-sede".
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Os valores dos ingressos são alvos de críticas desde que eles se tornaram públicos, e o fato de a Fifa adotar um sistema de preços que varia conforme a demanda torna a questão ainda mais controversa. Em outubro do ano passado, o Lance! mostrou que na plataforma oficial de revenda alguns bilhetes estavam sendo oferecidos por até R$ 300 mil.
À época, a Fifa lançou uma categoria adicional de ingressos a preços "acessíveis", de US$ 60 dólares (R$ 312,60 na cotação atual). A promessa era de que os bilhetes estariam disponíveis para todos os jogos da fase de grupos.
Mas, para os congressistas, os efeitos práticos da medida são muito pequenos frente aos custos altos para quem quiser curtir a Copa do Mundo.
"Entendemos que, em resposta à oposição internacional generalizada aos preços extremamente elevados dos ingressos para a Copa do Mundo, a Fifa disponibilizou um número limitado para as federações nacionais de futebol para distribuição independente a aproximadamente US$ 60 cada. No entanto, esses ingressos representam apenas 1-2% do total de ingressos disponíveis para a Copa do Mundo de 2026, e apenas algumas centenas estarão disponíveis por jogo", diz trecho da carta assinada pela deputada Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e subscrita por outro 68 congressistas, todos do partido Democrata.
"Além dessa pequena parcela de ingressos acessíveis, a grande maioria dos torcedores que viajam de todo o mundo só terá acesso a preços substancialmente inflacionados por meio de um sistema de loteria limitado e plataformas de revenda. Os preços atuais indicam que os ingressos mais baratos para a fase de grupos custam em média mais de US$ 200 (R$ 1.042), enquanto os ingressos mais baratos para a final ultrapassam US$ 4 mil (R$ 20,9 mil)", acrescentam.
No documento, direcionado ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, os deputados afirmam que a atual política de ingressos para a Copa do Mundo "contrasta fortemente com a missão central da Fifa de promover a divulgação e o desenvolvimento acessível e inclusivo do futebol em todo o mundo".

Ajuda financeira às cidades-sede da Copa do Mundo
A carta também pede que a Fifa ajude financeiramente as cidades-sede por causa dos gastos elevados com infraestrutura e para a organização das Fan-Fest.
"Nos Estados Unidos, os contribuintes nos níveis federal, estadual e local estão arcando com custos substanciais para sediar a Copa do Mundo. Embora o Congresso tenha destinado aproximadamente US$ 625 milhões (R$ 3,26 bilhões) para reembolsar as despesas locais com aplicação da lei, os governos locais tiveram que angariar fundos adicionais de até US$ 150 milhões (R$ 782 milhões) por cidade para melhorias de infraestrutura, transporte e preparativos de segurança", prossegue a carta dos congressistas à Fifa.
Recentemente, cidades como Boston, Nova York, Kansas City e Miami sugeriram cancelar as Fan-Fest, que já se tornaram tradicionais na Copa do Mundo, por problemas de financiamento.
"Os Comitês Anfitriões estão coletivamente com um déficit de US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) no financiamento necessário devido aos contratos comerciais da Fifa que restringem a capacidade de suas cidades de aceitar patrocínios locais adicionais. Essas restrições de financiamento criaram obstáculos significativos para as cidades-sede realizarem eventos públicos para os torcedores", apontam os deputados norte-americanos.
O Lance! aguarda um posicionamento da Fifa. Em comunicado divulgado em outubro de 2025, a entidade afirmara que "o modelo de preços (dos ingressos) adotado reflete, de maneira geral, as práticas de mercado existentes e em desenvolvimento em nossos co-anfitriões". Na ocasião, a Fifa acrescentou que a receita da Copa do Mundo "é reinvestida para impulsionar o crescimento do futebol (masculino, feminino e juvenil) em todas as 211 federações membros da Fifa em todo o mundo".

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