Bobeou, Gorne voltou: atacante fala ao LANCE! após gols nos EUA
Centroavante xodó da torcida do Botafogo foi bem no empréstimo ao North Carolina, e retorna ao Glorioso para iniciar os trabalhos de olho em oportunidades pelo time principal

Os 31 gols de Renan Gorne em 2016, pelo time de juniores, surtiram mais efeito para a torcida do que para ter chances no time principal. O centroavante virou xodó, mas teve apenas uma chance no Botafogo de Jair Ventura esse ano. Foi emprestado para o North Carolina, da NASL, paralela à MLS, principal liga de futebol dos Estados Unidos. Parecia que ficaria escondido, mas o atleta de 21 anos aproveitou a chance. Foram seis gols e duas assistências em 13 jogos. Ajudou a equipe americana a retornar ao mata-mata local após cinco anos, e ao fim da participação com a equipe da parte de cima do continente, ele se reapresenta novamente ao Glorioso esta semana, esperando, em 2018, ter sucesso semelhante. Agora vestindo preto e branco, como revela em entrevista exclusiva ao LANCE!.
- Volto para o Brasil como um jogador que conseguiu evoluir aqui, onde o futebol está crescendo muito. Consegui desenvolver muito minha parte física, tinha que aproveitar ao máximo. Volto mais preparado do que estava para, quem sabe, no ano que vem, ser aproveitado melhor no inicio e no restante da temporada - acredita.
Uma grande inspiração que Gorne pode ter está no próprio elenco do Glorioso. Igor Rabello era subutilizado e não tinha boas perspectivas para 2016. O zagueiro, porém, foi emprestado para o Náutico, onde teve grande participação. Retornou ao Alvinegro e está cada vez mais consolidado como titular.
- Com o Rabello eu jogava ano sim, ano não (na base). Ele é de 1995 e eu sou de 1996. A gente pega um exemplo desses e torce para que aconteça da mesma forma. Ele voltou com confiança, jogando bola e hoje é titular da posição. Espero voltar e seguir o que ele conseguiu. Temos que pegar exemplos positivos para nos motivarmos - crê.
Com a torcida do Botafogo, o ditado "Bobeou, dançou", virou "Bobeou, Gorneou". Em terras ianques não foi possível emplacar marca parecida, mas a hashtag #GorneintheUSA deu sorte.
- Não deu para brincar com o "bobeou, dançou". Eles têm um ditado com o mesmo sentido, mas é "You snooze, you lose" ("cochilou, perdeu", em tradução livre), aí não tinha como (risos). Já pensou? "You Gorneoose"? Mas a #GorneintheUSA a torcida fez até música - lembra, às gargalhadas.
BATE-BOLA:
Como foi a adaptação? Já conhecia os EUA? Já falava inglês?
Foi tranquila. Já tinha vindo aos EUA em 2010, com 14 anos. O Botafogo me emprestou para um intercâmbio na UFA Academy, um clube de formação, em Atlanta. Eu já fazia curso de inglês, mas lá eu melhorei muito. Estive também aqui em 2011, com a Seleção sub-15, para o Nike Friendlies. Em 2012, tive uma experiência no Manchester City (Inglaterra). Então, quando vim para os EUA esse ano, já falava bem.
Como foi com a torcida? O time não ia para os playoffs desde 2012, e você ajudou na campanha...
Eu sabia que a torcida eu ia conquistar fazendo boas partidas. No meu primeiro jogo em casa eu fiz o primeiro gol e fui tendo boas atuações, e aí tive a torcida do meu lado. Eles sempre apoiavam, tinha uma relação mais próxima também. Meu irmão conheceu um torcedor que dizia: "eu ensino meu filho a torcer pelo time da cidade". Estou muito feliz pela campanha do time e acho que pude contribuir. Outros jogadores também se empenharam bastante.
No último jogo você sofreu um choque forte com um adversário. Como foi?
O nosso camisa 10 lançou a bola nas costas da defesa e, quando ia chutar, o zagueiro me empurrou. Bati a cabeça no joelho do goleiro e tive que sair. Não foi nada de grave, mas eu fiquei meio grogue, deu um susto.
Você acredita ter recuperado a confiança nesse período nos EUA?
Acredito que jogador precisa estar jogando para estar bem fisicamente, e a confiança vem de acordo com as partidas. Eu sabia que era questão de tempo para adquirir a confiança no clube, porque quando eu vim eu sabia que era uma oportunidade, que contavam comigo. Pensei em fazer tudo tranquilo, sem pressão. A confiança, então, foi voltando, eu pude fazer esse fim de temporada como fiz. É importante para o jogador tem sequência de jogos para adquirir confiança. Graças a Deus eu pude jogar, crescer e ganhar confiança.
A torcida do Botafogo brinca com a sua semelhança com seu irmão. E lá?
Quando meu irmão estava lá, ele e minha família ficaram num camarote. Íamos jogar e quem não era relacionado vai ia para camarote do clube. Teve um jogador que até brincou: "Olho para o campo, o Renan está no campo. Olho para o lado, o Renan está aqui (risos)".
Conseguiu acompanhar os mata-matas do Botafogo?
Acompanhei, sim. Lembro o jogo contra o Nacional-URU, no Nilton Santos (vitória por 2 a 0, nas oitavas de final). Eu fiquei assistindo no telefone, botei caixa de som... torci para caramba na Copa do Brasil, também. Queríamos os dois títulos...
E o drama do Roger?
O Roger é um cara sensacional, chega sempre rindo, para cima. Quando eu soube da notícia, foi um baque. A gente não quer que as pessoas tenham isso. Que bom que ele pôde ter o diagnóstico cedo. Quando eu soube, fiquei triste, mandei apoio para ele e fico feliz que ele esteja recuperado, voltando a fazer o que gosta. Eu me espelho muito nele e desejo tudo de bom.

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