Herói da meta: Everson brilha em disputa de pênaltis e garante Supercopa do Brasil para o Atlético
Goleiro foi decisivo nas penalidades e ajudou a garantir mais um título para o Galo

O jogo começou tranquilo para Everson. Contudo, a decisão entre Atlético-MG e Flamengo pela Supercopa do Brasil ultrapassou todas as expectativas, inclusive as do goleiro. Contestado no início de sua passagem no clube, ele entrou em campo para completar seu 101° jogo pelo Galo, e quase viu as chances do quarto título irem embora após um 'apagão' da equipe no segundo tempo. Com o empate e a final indo para as penalidades, o goleiro garantiu mais uma taça para o time que aprendeu a viver, em atuação decisiva nos pênaltis, pegando três cobranças.
Acostumado com decisões, Everson não teve muito trabalho nos minutos iniciais, quando Keno, Nacho e Hulk tentavam encontrar espaços na área rubro-negra. Porém, não demorou para o Flamengo crescer e levar perigo. Seguro, o arqueiro atleticano acompanhou os lances, assim como ajudou a organizar a saída de bola. Em mais de um lance, ficou adiantado para se tornar opção de passe no início das jogadas, característica comum para ele. Ao final do primeiro tempo, o primeiro gol saiu dos pés de Nacho.
Confiantes, goleiro e equipe retornaram ao gramado para a segunda etapa, mas esta não aconteceu como o planejado. Aos 11 minutos, Everson espalmou o cabeceio de Bruno Henrique, mas Gabi aproveitou o rebote e igualou o placar. Oito minutos depois, Bruno Henrique chegou na área mais uma vez e conseguiu enganar o goleiro, que assistiu o segundo gol do Flamengo de joelhos. O que poderia ter sido um dia triste para ele, o goleiro transformou em história para contar.
Insistente, o Galo conseguiu empatar o jogo, mas segurar o resultado foi uma tarefa árdua. Depois do gol de Hulk, o rubro-negro pressionou o Atlético-MG, mas Everson estava lá. Em pouco tempo, foi para o chão, pulou nos ângulos da meta e fez defesas improváveis. De cabeça erguida, o time conquistou a oportunidade de levar a decisão para os pênaltis.
Após os 90 minutos de futebol em alto nível, as equipes se enfileiraram para descobrir quem levaria a Supercopa. As cinco primeiras cobranças de cada time ocorreram dentro do planejado, com direito a bonitas conversões. No sexto pênalti para o Galo, Guga falhou. A decisão poderia ter encerrado ali, mas o goleiro não estava disposto a ir embora sem a taça e defendeu a sexta tentativa do Flamengo.
Logo depois, Everson teve a chance de converter. Olhou para a bola, para a conhecida meta e desferiu o chute. Mais um lance difícil de ver: o arqueiro isolou a bola na arquibancada. Na sequência, se Matheuzinho fizesse, o título ficaria para o Fla. Porém, o goleiro do Galo defendeu e manteve o time na briga pelo título.
Depois de muitas cobranças desperdiçadas das equipes, o que parecia impossível aconteceu diante de todos: o Atlético preparou Hulk para fazer sua segunda cobrança, assim como o Flamengo já buscava o batedor para o oitavo pênalti. Após a conversão do centroavante do Galo, ele se dirigiu a Everson e o encorajou: - Vai que é sua.
A motivação não poderia funcionado melhor. Concentrado, Everson fez a última oração e se posicionou na meta. Escolhido pelo Flamengo, Vitinho foi para a bola, mas o protagonismo foi todo do goleiro, que fez mais uma defesa segura. Assim, transportou o Atlético-MG à história do futebol nacional, de novo.
De todos os presentes, ninguém viveu um dia como Everson. Contestado no início de sua trajetória no Galo, o goleiro, que já conta com o carinho da torcida, mostrou a que veio. Talvez apenas uma palavra possa definir o tamanho da coragem de Everson que, de terço em mãos, não desacreditou: fé. Como ele mesmo ressaltou no final da partida, o campeão só se descobre no último minuto.
- Cara, estou aqui há um ano meio e aprendi a viver o Atlético. É isso ai, sofrimento. Três penaltris para eles serem campeões, e nossa torcida gritou "eu acredito!". Gritaram "campeão" antes da hora, mas o campeão é o Galo. Merecidamente, pelo o que fizemos ano passado. Colocamos mais uma vez nosso nome na história do clube - disse.

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