Paula Gonçalves

Paula Gonçalves conseguiu seu melhor resultado da carreira no Aberto do Rio (Foto: Divulgação)

Carlos Antunes e Jonas Moura
19/02/2016
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

Sensação do Aberto do Rio, Paula Gonçalves (285 da WTA e quarta melhor tenista do Brasil) chama a atenção não só pelo bom desempenho nas quadras do Jockey Club, onde acontece o torneio. A preocupação com os estudos e o gosto pela moda também são marcas da paulista de 25 anos.

– Gosto de moda e gostaria de seguir a carreira como designer no futuro. Mas só depois, porque agora estou focada no tênis – disse a atleta em entrevista ao LANCE!, após vencer a sueca Johanna Larson (48) por 2 a 0 (6-3 e 6-1) e se classificar para inéditas quartas de final. Nesta sexta-feira, ela encara a americana Shelby Rogers (131) por vaga na semi.

Depois de furar o qualifying e sacramentar a primeira vitória de sua carreira no circuito profissional, na estreia contra a israelense Julia Glushko (125), Paula começa a viver o dia a dia de uma atleta querida pelo público. Mas garante que a tranquilidade mantida na quadra é a mesma de sua vida fora dela.

– Na maior parte do meu tempo, estou viajando. Quando não estou, fico em casa. Sou muito família. Cinema e seriado são alguns dos meu hobbies. Às vezes vejo umas 50 séries ao mesmo tempo – afirmou a jogadora, que atualmente acompanha “Modern Family”, no Netflix.

Diferentemente do que acontece com muitos atletas de alto rendimento, Paula completou o ensino médio e conseguiu conciliar a vida acadêmica com o esporte. Aos 15 anos, deixou a cidade natal Campinas (SP) para treinar em Serra Negra (SP). Fã do ex-velejador Lars Grael, de Guga e do suíço Roger Federer (3), ela é comandada pelo ex-tenista Carlos Kirmayr, destaque do esporte no país na década de 80.

Mesmo com a rotina de viagens, a paulista não abriu mão de estudar. Inicialmente, a opção foi cursar administração à distância. Após dois anos, resolveu trancar, mas já tem meta de retomar a prática, desta vez em gestão ambiental.

Campeã do WTA de Bogotá (COL) com Bia Maia (228) no ano passado, Paula é a melhor duplista do Brasil (103 do mundo) hoje. E ela mostra que pode ir mais longe.

– Estou tranquila, cumprindo minha programação normal. Espero seguir assim e chegar à final.

Irmão e pai exigente inspiraram

A ligação de Paula Gonçalves com o tênis começou cedo. Afinal, ela nasceu em uma família de fãs de esporte. O pai Renato e o irmão Caio incentivaram a paulista desde criança. Mas ela precisou suar com a raquete para convencer o exigente “treinador”.

– Meu pai não me deixava ir para a quadra até que eu conseguisse bater 100 bolinhas no paredão direto. Ele jogava com meu irmão na quadra, enquanto eu tinha de ficar no paredão. Até que, com oito anos, fui para o clube (Círculo Militar, em Campinas) fazer aula – lembrou Paula.

E não foi somente no tênis que a jogadora seguiu os passos do irmão. Ainda criança, ela praticou outros esportes antes de eleger sua paixão.

– Tudo o que ele fazia eu ia atrás. Fez caratê, fiz também, fez futebol, fiz também, foi para o tênis, fui também (risos).

Foco em duplas vai continuar

O sucesso de Paula Gonçalves em simples no Aberto do Rio não mudou a opinião dela sobre sua decisão de priorizar as competições em dupla.

– Vou deixar assim, está fluindo. Vamos ver o que vai acontecer lá na frente – disse.