Lara Arruabarrena (ESP)

Lara Arruabarrena chegou ao Aberto do Rio como cabeça de chave 6 (Foto: João Pires/Fotojump_

Carlos Antunes e Jonas Moura
17/02/2016
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

A expressão da espanhola Lara Arruabarrena, número 89 do ranking a WTA, ao ser indagada sobre a suspeita de ter entregado uma partida de duplas mistas na última edição do Aberto da Austrália, é de tranquilidade e chateação.

No Rio de Janeiro para a disputa do Aberto do Rio, a jovem de 23 anos admite o abalo que o episódio causou em sua vida, mas nega ter participado de qualquer esquema.

Em meio a um suposto escândalo de manipulação de resultados envolvendo até 16 tenistas que figuraram entre os 50 melhores do mundo na última década, o “New York Times” mostrou no último dia 26 de janeiro que uma influente casa de apostas suspendeu palpites para um jogo de Arruabarrena no Grand Slam em Melbourne, com o compatriota David Marrero (5º).

A empresa Pinnacle Sports tomou a decisão ao constatar que houve uma quantidade de apostas acima normal para um jogo considerado pouco relevante. Mas, até o momento, nada foi comprovado.

– Eu estava no lugar errado e na hora errada. Não tenho nenhuma ideia de como isso pôde acontecer. Não fiz nada irregular – afirmou a tenista, em entrevista ao LANCE!.

Na ocasião, Andrea Hlavackova (CZE) e Lukasz Kubot (POL) venceram a dupla espanhola por 2 sets a 0, parciais de 6-0 e 6-3. O primeiro set durou apenas 20 minutos, o que reforçou a tese de que a partida tenha sido armada. Mas os tenistas justificam que a má atuação deveu-se a dores nos joelhos de Marrero.

– É uma péssima situação para mim e minha carreira. Não é legal ser conhecida por algo que não fiz. Durante alguns dias, fiquei muito mal. Mas não posso mais me preocupar. A única coisa que tenho de fazer agora é jogar – disse a atleta.

Com apenas um título profissional (WTA de Bogotá-COL, em 2012), Lara chegou ao Rio como cabeça de chave 6. Na última terça-feira, ela estreou com vitória sobre a sueca Rebecca Peterson (136º) por 2 a 0 (6-0 e 6-3). Fã de Simona Halep (3), a tenista garante ter a consciência tranquila:

– As pessoas sabem que toda a minha carreira foi construída de maneira limpa. Isso é suficiente.

A melhor posição de Lara Arruabarrena no ranking da WTA até hoje foi a 70ª, em 2013. 

Maria Esther Bueno diz que espera provas

Maior tenista da história do Brasil, Maria Esther Bueno, de 76 anos, ainda prefere não tirar conclusões sobre supostos casos de manipulação de resultados no esporte, como o que envolve os espanhóis Lara Arruabarrena e David Marrero.

– Há algum tempo se fala sobre o assunto nos bastidores, mas não muito, porque é difícil ocorrer. Não acontece no nível mais alto. Alguns atletas podem se submeter a isso, mas, se o fazem, são poucos. Antes de ter prova, não podemos julgar. Caso comprovem, haverá punições – afirmou a ex-tenista, ao LANCE!.

A vencedora de 19 títulos de Grand Slam afirmou nunca ter recebido qualquer proposta para perder uma partida durante sua carreira.

– Se não havia nem dinheiro na minha época, como eu poderia receber oferta de alguma coisa? (risos).

BATE-BOLA
Lara Arruabarrena
Tenista, ao LANCE!

‘Tenho sido muito questionada’

LANCE!: O que te motivou a vir ao Brasil para disputar o Aberto do Rio?
Lara Arruabarrena: O saibro é uma superfície que me agrada. E eu nunca tinha vindo ao Brasil antes. A umidade e o calor me favorecem, por isso gosto. Procuro sempre desafios nesse tipo de piso.

L!: Chegou a temer a possibilidade de contrair o zika vírus no país?
L.A.: No começo, quando eu estava vindo, fiquei preocupada. Nunca sabemos o que vamos encontrar. Mas, chegando aqui, passei repelente e parece estar tudo bem. Não vi muitos mosquitos por onde passei. Então, está perfeito.

L!: Como foi a repercussão das notícias envolvendo seu nome em uma possível armação de resultado?
L.A.: Eu tenho sido muito questionada sobre isso por onde passo, mas acho que as pessoas sabem que eu sou.

L!: A Olimpíada do Rio é objetivo?
L.A.: É claro que quero disputar uma Olimpíada. Se eu ficar entre as 60 melhores do ranking, me classifico. Gostei muito do Rio. Fui a Ipanema e adorei as pessoas jogando futebol e vôlei na praia. Espero que eu volte.

O LADO OBSCURO DO TÊNIS

Dupla sob suspeita
Um jogo de duplas mistas do Aberto da Austrália deste ano chamou a atenção do mundo após uma influente casa de apostas, a Pinnacle Sports, suspender os palpites para o duelo entre Andrea Hlavackova e Lukasz Kubot (CZE/POL) x David Marrero e Lara Arruabarrena (ESP). Marco Blume, diretor do site, explicou ao “New York Times” que uma quantidade de apostas fora do habitual foi verificada tanto no resultado da partida quanto em Hlavackova e Kubot, que fizeram 6-0 e 6-3. O primeiro set durou apenas 20 minutos. O caso foi levado para a Unidade de Integridade do Tênis (ITU, na sigla em inglês), mas até agora nada foi provado.

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Esporte na mira
No dia 18 de janeiro deste ano, às vésperas do Aberto da Austrália, matéria do site “Buzzfeed”, em parceria com a BBC, denunciou um escândalo de manipulação de resultados que pode envolver 16 tenistas ex-top 50. As cifras girariam em torno de centenas de milhares de dólares. Depois disso, o sérvio Novak Djokovic (1º) afirmou já ter recebido proposta de R$ 800 mil para perder um jogo em 2006.