Pitaco do Guffo: as soluções táticas para o Vasco sem Coutinho
Diniz terá que reconstruir a equipe carioca após perder uma de suas peças principais

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A saída de Philippe Coutinho tira do Vasco o que todo time do Diniz adora ter: uma referência técnica central que resolve com um toque e dá sentido à posse. Mas também abre uma oportunidade que o treinador costuma transformar em sistema: redistribuir a criação, fazer o time produzir por aproximação e não por dependência. Vamos dar uma olhada nas soluções táticas para o Vasco sem Coutinho.
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Sem o camisa 10, o Vasco vai precisar ser menos "procura o craque" e mais "procura o homem livre". A primeira solução é mais natural: Nuno Moreira por dentro. Faz sentido taticamente porque Fernando Diniz precisa de alguém que receba entre linhas, gire o corpo para frente e conecte o triângulo com os pontas. Nuno vira o cara que encurta caminho para o último passe, mesmo que não seja o mesmo tipo de qualidade que Coutinho.
Colombiano está pronto para a responsa?
A segunda peça do quebra-cabeça é o colombiano Johan Rojas, contratado justamente como alternativa para a função. O ponto interessante aqui é que ele começa 2026 melhor do que o papel que se imaginava para ele: não só compõe, como pede protagonismo. E dá ao Vasco uma variação importante: enquanto Nuno tende a organizar com mais controle, Rojas pode ser o "conector" mais vertical, acelerando quando a defesa rival está ajustada contra a posse curta.

A tendência é o Vasco alternar entre dois desenhos sem perder a identidade. No 4-3-3, Thiago Mendes e Barros (com o terceiro homem mais criativo: Nuno ou Rojas) sustentam a circulação para os pontas agudos — Andrés Gómez e Hinestroza — atacarem o espaço por fora e por dentro, dependendo do comportamento do lateral. Aqui, o "10" vira uma função diluída: aparece em triângulos, não em pedestal.
Se o jogo pedir mais preenchimento central entra a ideia do 4-4-2/4-5-1, com um dos pontas baixando para formar segunda linha e proteger melhor o corredor central. Esse ajuste costuma ser vital para times do Diniz porque ele quer pressionar pós-perda e, sem uma referência técnica que congele o jogo, o risco é virar posse ansiosa. Mais gente no meio significa mais apoio curto, mais opção de passe e menos bola esticada sem necessidade.
Uma opção ofensivamente mais agressiva
No ataque, a chegada do Spinelli dá ao Vasco uma válvula tática que pode mudar o time sem "trair" o estilo. Com ele, o Vasco pode ter mais presença de área e permitir que um atacante de frente (Brenner, por exemplo) recue para associar, enquanto os pontas atacam a última linha. É o tipo de arranjo que cria finalizações sem exigir que o time chegue sempre "bonito": você mantém a aproximação, mas ganha um alvo real para cruzamentos e segundas bolas.
E existe um cenário mais agressivo — e bem "dinizista" quando a confiança sobe — que é o 4-2-4. Dois por dentro para sustentar (Barros + Thiago Mendes), dois na faixa central (Brenner + Spinelli) e dois abertos (Andrés + Hinestroza, ou até Nuno caindo de um lado). Isso não é para todo jogo, porque expõe transição defensiva, mas pode ser uma arma quando o Vasco precisa amassar o adversário, especialmente em São Januário, onde o empurrão emocional costuma acelerar a proposta.
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No fim, sem Coutinho o Vasco perde brilho central, mas pode ganhar algo que seu técnico sempre busca: um time em que a criação nasce do coletivo, não do craque. Assim, o Vasco da Gama pode atravessar 2026 sem um camisa 10 "de grife" em campo, ainda assim, com um 10 invisível: o sistema.
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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