Contratação mais cara, desempenho discreto: Marino vive início frustrante no Vasco
Atleta está relacionado para partida contra o Audax Italiano e deve receber oportunidade

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O atacante colombiano Marino Hinestroza, maior investimento do Vasco na última janela de transferências, ainda não conseguiu se firmar com a camisa cruz-maltina. O jogador deve receber a oportunidade de iniciar a partida contra o Audax Italiano na próxima quarta-feira (6), pela Sul-Americana.
Contratado por cerca de 5,2 milhões de euros (aproximadamente R$ 32,5 milhões), o jogador chegou cercado de expectativas após se destacar como uma das promessas do futebol sul-americano — mas, até aqui, não correspondeu dentro de campo.
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Marino ganhou projeção atuando pelo Atlético Nacional, da Colômbia. Em duas temporadas, disputou 84 partidas, marcou 11 gols e distribuiu 14 assistências. Com apenas 21 anos, o jogador chegou a ser convocado para a seleção colombiana em três oportunidades — entrando em campo em duas delas — durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.
Vasco venceu disputa por Marino
No começo do ano, o Vasco superou a concorrência de clubes como Botafogo, Internacional e até do Boca Juniors para fechar com o atleta, em uma negociação considerada estratégica para reforçar o setor ofensivo.
Ao desembarcar no Rio de Janeiro, Marino destacou o empenho do Vasco para garantir sua contratação para a temporada de 2026. O jogador também comentou sobre o contato com o compatriota Johan Rojas, que havia acabado de chegar ao clube, e com o então treinador Fernando Diniz.
— Tudo começou com um amigo meu, o Johan Rojas, que havia acabado de acertar com o clube. Ele me mandou uma mensagem dizendo que o professor Diniz queria falar comigo. O treinador me ligou, e isso foi muito importante. Fiquei bastante confiante, porque considero essencial entender o que o técnico espera de você. Isso acabou sendo decisivo para a minha vinda — afirmou o atacante.
A ideia da diretoria era clara: repetir o sucesso da aposta feita em Andrés Gómez na temporada anterior. Assim como seu compatriota, Hinestroza foi contratado para atuar aberto pelos lados, trazendo velocidade, drible e profundidade ao ataque. No entanto, a trajetória inicial tem sido mais turbulenta do que o esperado.
Pouco impacto e decisões equivocadas
Os números ajudam a explicar a insatisfação com o desempenho do jogador até aqui. Hinestroza soma 336 minutos em campo, distribuídos em 12 partidas, sendo apenas duas como titular, e ainda não participou diretamente de gols.
Apesar de ter apresentado alguns lampejos no início — especialmente na partida contra o Coritiba, quando ganhou oportunidade entre os titulares na ausência de Andrés Gómez — o atacante não conseguiu dar continuidade às boas atuações. À medida que passou a receber mais chances, acabou perdendo regularidade e não conseguiu se firmar na equipe.

O principal problema apontado tem sido a tomada de decisão. Em campo, Hinestroza frequentemente opta por jogadas equivocadas, o que compromete o rendimento coletivo e irrita a torcida. O cenário levou o técnico Renato Gaúcho a comentar publicamente sobre o processo de adaptação do jogador. Após a derrota para o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro, o treinador destacou as dificuldades enfrentadas por atletas estrangeiros, especialmente colombianos e equatorianos, no futebol brasileiro:
- Eles (colombianos e equatorianos) têm muitos erros, e isso faz parte do processo. Não é da noite para o dia que vamos corrigir tudo. Existe uma diferença tática grande, e o calendário não ajuda. Jogando a cada três dias, fica difícil ajustar tudo.
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Trajetória de compatriota mantém a esperança
Apesar do início irregular, há um exemplo recente que alimenta a paciência: Andrés Gómez. Hoje peça importante do elenco, o atacante viveu situação semelhante em seu início no clube. Com poucos minutos e atuações discretas, ele demorou a engrenar, mas ganhou espaço ao longo da temporada e foi decisivo na reta final da Copa do Brasil.
A adaptação de Gómez levou cerca de quatro meses — período semelhante ao que Hinestroza já acumula no Vasco neste momento. A diferença é que, naquele momento, o colombiano começou a responder justamente quando passou a receber mais oportunidades.

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Ex-Vasco analisa a situação do jogador
Em contato com o Lance!, o ex-meia do Vasco e atual comentarista do Grupo Globo, Fellipe Bastos, analisou o processo de adaptação de jogadores estrangeiros ao futebol brasileiro e citou exemplos para contextualizar a situação de Marino. Segundo Bastos, esse processo varia bastante de atleta para atleta e depende de diversos fatores. Ele lembrou casos que vivenciou de perto, como o de Santiago Montoya, que atuou com ele no Vasco em 2013.
— O processo de transição, maturação e adaptação ao futebol brasileiro demanda tempo. Para alguns jogadores, isso acontece mais rápido; para outros, leva um pouco mais. Um exemplo é o Santiago Montoya, que atuou comigo no Vasco em 2013: ele demorou e acabou não conseguindo se adaptar. Já o Marino foi contratado com grande expectativa, e por isso existe essa paciência por parte dos torcedores, da diretoria e da comissão técnica para que ele consiga render.
O comentarista também destacou que a expectativa em torno de Marino é naturalmente maior por se tratar de uma contratação importante do clube. Por isso, há uma cobrança do torcedor, mas também uma postura de paciência por parte da comissão técnica e da diretoria.
— Ele ainda não tem nem seis meses de clube, então é natural que o torcedor cobre uma resposta, até porque é um jogador em quem o clube deposita muita confiança. Mas é alguém que, com certeza, ainda vai dar retorno ao Vasco. Existe um processo de adaptação que pode levar pelo menos seis meses. Se pegarmos como exemplo o Thiago Mendes, quando chegou também demorou um pouco a se adaptar. Isso porque o futebol brasileiro é muito evoluído, competitivo e intenso. Acho que é exatamente esse cenário que os jogadores encontram aqui. Essa paciência da comissão técnica e da diretoria com o Marino tende a trazer resultados mais adiante.
Dar tempo ou reduzir a exposição?
Diante desse cenário, Renato Gaúcho enfrenta um dilema: manter Hinestroza em rotação para acelerar sua adaptação ou reduzir sua exposição para aliviar a pressão externa. O treinador tem optado por rodar bastante o elenco, justificando o calendário apertado e a necessidade de manter os jogadores fisicamente preparados.
Na última partida da Sul-Americana, o jogador entrou no segundo tempo contra o Olimpia, quando a partida já estava 3 a 0 para o cruz-maltino. Apesar do placar confortável e a possbilidade de não atuar sob pressão, o jogador mais uma vez foi criticado pela torcida do Gigante da Colina, após errar passes e tomar decisões erradas.
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Por enquanto, o investimento alto e o retorno baixo seguem como um contraste incômodo em São Januário — mas o futebol já mostrou que, em alguns casos, a paciência é fundamental.
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