Entrevistão: Monteiro fala do amor pela mãe adotiva e a gratidão a Guga por não desistir
O filho de dona Fátima estreia em torno das 18h deste sábado no quali do Rio Open
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Principal esperança do Brasil no qualifying do Rio Open, que começa neste sábado, Thiago Monteiro, aos 31 anos, é conhecido pela garra dentro das quadras. Fora delas, esse cearense abre o sorriso para falar da mãe adotiva, que o recebeu de braços e corações abertos poucas horas após o filho nascer. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o ex-top 61 do mundo e atual 209º falou do amor e da inspiração em dona Fátima e, também, da importância de Gustavo Kuerten, que foi fundamental para que não desistisse da carreira em 2009.
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- Sem dúvidas, minha mãe é a pessoa mais forte que eu já conheci na minha vida, a mais especial também. Ela criou toda uma família sozinha, tenho duas irmãs adotadas também, ela tem dois filhos biológicos mais velhos. E quando fui adotado, ela já estava divorciada e se recuperando de um câncer de mama - lembra Monteiro.
Quando o tenista chegou à família, o irmão tinha 16 anos e a irmã, 13. Dois anos depois, chegou Letícia e, mais três anos, Jéssica, também adotivas:
- Isso resume o quão especial é minha mãe que, independente das limitações, sempre foi um exemplo de como levar a vida, de maneira leve, tranquila, oferecendo o melhor para todos os filhos, o mesmo tratamento, amor, carinho. Um coração de mãe, realmente.
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Depois de tentar a carreira no futebol e passar por peneiras do Ceará, o filho de dona Fátima, aos 14 anos, em busca do sonho de ser tenista, se mudou sozinho para Balneário Camboriú, mostrando, desde novo, muita resiliência.
- Sem dúvidas, também devo a ela essa força que sempre ensinou, de uma forma tão natural, para a gente encarar a vida - continua o ex-número 1 do Brasil.
E retribuir o amor recebido desde sempre de dona Fátima é motivo de enorme felicidade para Monteiro. Há alguns anos, ele comprou um lote para construir a 'casa dos sonhos' da mãe.
- Isso vai muito além do tênis, é uma forma de retribuir realmente todas as oportunidades que eu tive ao longo da carreira, porque realmente a minha vida poderia ser completamente diferente.
Dona Fátima ainda não entende as regras do tênis
Embora Monteiro seja profissional desde 2011, dona Fátima torce pelo filho famoso de coração, mesmo sem saber as regras da modalidade:
- Ela não entende os pontos até hoje (risos). Todo jogo o meu irmão manda o vídeo dela de joelho em frente à TV rezando, então sei que ela vai estar de coração comigo na quadra.
Em maio do ano passado, Monteiro proporcionou à irmã Letícia uma experiência inédita: visitar Roland Garros.
- Foi um momento bem emocionante. Era um sonho pra ela e, ao mesmo tempo, a primeira vez que alguém da minha família pôde estar em um Slam.

Se na família Monteiro sempre teve o apoio incondicional, fora dela uma dupla de enorme sucesso do tênis brasileiro e mundial foi fundamental para que o atleta seguisse na carreira: Gustavo Kuerten e o técnico Larri Passos. Na transição do juvenil para o profissional, o filho famoso de dona Fátima, após alguns meses treinando em Balneário Camboriú, voltou para a capital cearense decidido a abandonar a carreira. Tanto que deixou as raquetes na capital e voltou para a cidade catarinense para se despedir e agradecer por todo o suporte até ali de Guga e Larri.
Guga e Larri o convenceram a não desistir
- Fiquei duas semanas, basicamente, sem jogar, aí falava, não é pra mim isso aqui. Vou largar tudo. Meu irmão tentou fazer minha cabeça. Lembro que cheguei na academia, estavam o Larri e o Guga na sala, me esperando para conversar. O Guga falou: 'fiquei sabendo que você estava meio desanimado, conta o que você está sentindo'.
- Eu era muito tímido, introvertido, nunca tinha conversado sobre isso com ninguém, mas expliquei que estava triste, muito tempo longe de casa, estava sendo um ano difícil. Aí o Guga me disse que, antes de vencer Roland Garros pela primeira vez (em 1997), também pensou algumas vezes em desistir, até mesmo pela questão financeira. Essa conversa fez toda a diferença, aí pensei: se até o Guga, que foi número 1 do mundo, pensou em desistir, não sou eu que vou. O Larri também me sugeriu para colocar na balança o quanto eu amava o tênis. Fiquei de dar a resposta no dia seguinte, mas logo liguei pro meu irmão (em Fortaleza) e pedi: manda as minhas raquetes, vou jogar um pouco mais. Foi a última vez que pensei em desistir.
Duas semanas depois desse papo, ele, aos 15 anos, venceu o primeiro primeiro ITF G5, em Itajaí, na categoria 18 anos.
- Aí me lembro que o Larri me mandou um mensagem: 'E aí, cavalo, ainda pensa em parar?'. Respondi que não, já estava tranquilo, comecei a me adaptar, tive uma carreira sólida no juvenil, cheguei a número 2 do mundo.
Há anos Monteiro conta com a parceria da Tennis Route, no Rio de Janeiro, para seguir trilhando o caminho das vitórias.
Como profissional, o ex-61º do mundo soma 94 triunfos em partidas ATP. E das que mais o marcaram, uma foi no Rio Open, há 10 anos, contra o francês Jo-Wilfried Tsonga (então 9º do mundo), na estreia. O anfitrião, naquela semana, era o 338º do ranking.
- Aquela vitória foi um divisor de águas na minha carreira, meu primeiro jogo de ATP, em casa, contra um top 10. Mudou minha mentalidade, minha carreira, me ajudou a, realmente, acreditar, seguir e me consolidar.
Derrotar o dinamarquês Holger Rune, então top 4, fora de casa, na quadra dura, pela Copa Davis, em 2023, foi outra vitória inesquecível para Monteiro.
- Aquela também foi muito marcante, assim como ter derrotado o Tsitsipas (Stefanos, grego, sétimo do mundo), no Masters 1000 de Madri (no ano seguinte). Duas vitórias muito especiais - recorda o brasileiro, que também aponta o triunfo sobre o anfitrião Elias Ymer, na Suécia, pela Copa Davis, em 2024, como um momento importante.
E Monteiro não vê a hora de estrear no quali do Rio Open, neste sábado, em torno das 18h. O adversário será o principal favorito do classificatório, o paraguaio Adolfo Daniel Vallejo (101º).
- Estou muito feliz, porque o Rio Open é um torneio sempre especial, traz boas lembranças, sempre tem a motivação, é como um Grand Slam para a gente, jogando em casa, com a torcida e família. Quando começa a temporada, ficamos sempre na expecativa de estar aqui. Agora é tentar aproveitar da melhor forma a oportunidade.
Principalmente com a torcida de dona Fátima, ainda que a distância, não vai faltar apoio para o quarto melhor brasileiro da atualidade.

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