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Entrevistão: Meligeni relembra histórias e fala da fase de João Fonseca e Bia

Ídolo brasileiro fala dos projetos atuais e do momento do tênis nacional

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Gustavo Loio
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 28/03/2026
08:00
Atualizado há 1 minutos

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Conteúdo Especial
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O mesmo coração que guiou Fernando Meligeni em seus 13 anos como profissional o move nos projetos fora das quadras. Seja nos quatro livros lançados, nas palestras, clínicas e no podcast New Balls Please, Fininho, como na época de jogador, também gosta de sair da zona de conforto, de se desafiar. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o ex-número 25 do mundo, semifinalista olímpico, em 1996, e de Roland Garros, em 1999, relembra histórias e analisa o momento dos principais tenistas do país.

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Meligeni e a parceria com Kfouri e Nardini

Nas redes sociais, Fininho costuma interagir diariamente com seus mais de 240 mil seguidores. E a nítida melhora na escrita é motivo de orgulho para o ídolo brasileiro:

- Estudei até a oitava série e era péssimo em português. A maioria das pessoas pergunta se eu uso inteligência artificial para escrever (riso). Escrevo com o coração, fui aprendendo. Quando leio meus primeiros posts, lá de trás, do meu blog, eu penso: 'meu Deus, quem me lia?, era horrível. E hoje em dia tenho muita admiração pelo que escrevo, gosto de sair da zona de conforto. Tudo na vida é repetição, se aprende, se você realmente quiser fazer qualquer coisa, vai acabar fazendo melhor do que quando começou.

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Tanto nos livros lançados quanto nas palestras, Meligeni tem a companhia do jornalista André Kfouri.

- O André é um grande amigo, de um ir na casa do outro, escreve bem demais. Meu primeiro livro (uma autobiografia) veio por causa dele, que me deu a dica e comecei a escrever muito mais como uma terapia.

André Kfouri e Fernando Meligeni em uma das palestras (Reprodução)
André Kfouri e Fernando Meligeni em uma das palestras (Reprodução)

Até agora, Fino também lançou um livro com dicas de tênis, um sobre filosofias e experiências do autor e, o mais recente, uma homenagem ao saudoso pai, Osvaldo, com lições que aprendeu ao longo da vida. Por muito pouco o escritor-atleta não se aventurou em outro estilo literário:

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- Um tempo atrás, me deu a louca e comecei a escrever, não cheguei nem a dez páginas, mas tentei escrever uma história de tênis. Ninguém sabe disso, estou te falando de primeira mão, como se fosse um romance, que podia ser parecido com a minha história, mas que não era. Não era o Fernando, mas o John. Não acho que eu tenho competência para isso, sinceramente, porque quem escreveu já um romance sabe o difícil que é.

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Tal como André Kfouri nas palestras e livros, Fino tem no jornalista e amigo Fernando Nardini um parceiro insubstituível no New Balls Please:

- Aprendemos muito um com o outro, já são mais de 12 anos de amizade, logo de cara vimos que temos o astral parecido, um sarcasmo, uma liberdade que não se compra ou se organiza, se tem. Eu até o incentivei a começar a jogar, acredito muito que a prática te ajuda a entender mais sobre esporte. O narrador de hoje faz todos os esportes, não dá pra praticar todos, mas quando você quer se especializar, como ele me falava que gostava muito de tênis, precisa praticar. Porque aí em um jogo, o cara erra uma bola no 30/40, e você não vai falar: 'ele não poderia errar essa'. E, quando você joga, sabe que a bola não é tão fácil assim e traz conteúdos melhores para debater.

O ex-tenista Fernando Meligeni (Reprodução)
O ex-tenista Fernando Meligeni (Reprodução)

O podcast, que completa 2 anos mês que vem, surgiu de uma 'dor' de Meligeni de querer fazer mais pelo tênis:

- Sinceramente, eu não olhava o New Balls como uma fonte de dinheiro, e sim como uma aposentadoria. E o Fê é um cara muito estudioso, além de bonito, como todo mundo fala, e com voz bonita, se prepara muito para coisas. Um diferencial da gente é que não temos problema em invadir o campo do outro. A gente conseguiu mostrar que você pode tratar o tênis como se estivesse num bar, mas não por isso você vai desrespeitar o esporte, apenas vai soltá-lo um pouco, a coisa não precisa ser, como a gente vê, às vezes, totalmente liberal. Então esse equilíbrio que a gente tenta trazer e tem dado bem certo.

Fernando Nardini, João Fonseca e Meligeni no New Balls Please no Rio Open (Reprodução)
Fernando Nardini, João Fonseca e Meligeni no New Balls Please no Rio Open (Reprodução)

Apoio fundamental de Koch

Como jogador, uma das vitórias mais incríveis do pai de Alice e Gael Meligeni foi contra o eslovaco Karol Kucera, em abril de 2000, no Marapendi, no Rio de Janeiro, no quinto e decisivo jogo daquele confronto (por5/7, 7/6, 6/2 e 6/4). O feito garantiu o Brasil nas semifinais da Copa Davis, pela segunda e última vez na história. Ao Lance!, Fininho revelou um bastidor fundamental naquele triunfo:

- Uma das coisas mais legais que tive na Davis foi a entrada do Thomaz Koch no vestiário minutos antes daquele jogo, foi uma injeção de ânimo, porque eu tinha uma insegurança de quarto ou quinto ponto, de decisão. Falei para o Thomaz que eu tinha muito medo de chegar ali e falhar, porque a gente olha a derrota como uma falha, os caras bons, não veem assim. Aprendi muito com o Guga, o Corretja (Alex), Moyá (Carlos), Ferrero (Juan Carlos, todos espanhóis), caras com os quais convivi. Eles não olham o fato de perder um ponto decisivo, uma final, como um fracasso, eles olham porque o outro cara é bom pra caramba para chegar em uma final - recorda Meligeni.

- E o Thomaz entrou com toda aquela calma e me trouxe uma tranquilidade, me apeguei muito a ele e me deu bastante energia.

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No vídeo abaixo, Fininho recorda outra vitória épica na Davis, contra o francês Cedric Pioline (ex-top 5), em fevereiro daquele mesmo ano, em Florianópolis:

Rivalidade e amizade com Guga

A rivalidade e amizade com Guga Kuerten foi outro tema abordado. Foram quatro vitórias do ex-número 1 do mundo em quatro jogos contra o amigo e parceiro de duplas, com quem venceu cinco títulos de ATP.

- Me lembro de todos os jogos com o Guga. Éramos muito amigos, mas sempre foi muito difícil jogar contra ele. Eu era muito o cara da bagunça, da gritaria, do olhar na cara, da provocação também. E quando com um amigo é muito mais difícil. era uma desgraça jogar contra ele. Ao mesmo tempo que ele tinha uma rivalidade interna comigo, sentia que ele não queria perder de jeito nenhum para mim. Sempre foi muito legal a convivência, os aprendizados. Mas não era muito legal jogar contra não, vou te falar que era osso, porque ele, na hora do vamos ver, dava isso pra caramba, 30, 40, ele jogava na linha, dava muita raiva da confiança que ele tinha.

➡️Tenistória: 'Garfada' marcou final entre Guga e Sampras há 26 anos em Miami

Guga Kuerten e Fernando Meligeni (Reprodução)
Guga Kuerten e Fernando Meligeni (Reprodução)

O momento de João e Bia

Ao Lance!, o campeão pan-americano de 2003, em Santo Domingo, na República Dominicana, também analisou o momento dos dois melhores tenistas do país. Enquanto João Fonseca vem de dois bons jogos (apesar de derrotas) contra o italiano Jannik Sinner (em Indian Wells) e Carlos Alcaraz (Miami), Bia Haddad soma apenas uma vitória em 10 jogos no ano:

- O Alcaraz deu um nó tático nele, não deixou o João respirar e mostrou para o circuito como se joga contra o brasileiro. O João precisa evoluir fisicamente, ficar mais resistente, para chegar melhor na bola. Você vê Alcaraz e Sinner chegando mais inteiros na bola que ele. O João tem força, chega bem na bola, só que quando tiram dele, mais ele erra de esquerda, se desespera de direita. Ele precisa de tempo para amadurecer, mentalmente ele é muito bom. Se ele morasse na Grécia, ou qualquer outro país sem tanta pressão, ele daria mais esforço no físico, até cairia no ranking durante um tempo, mas ficaria mais forte e voltaria melhor.

Gráfico mostra feitos da carreira do ex-tenista Fernando Meligeni (Reprodução)
Gráfico mostra feitos da carreira do ex-tenista Fernando Meligeni (Reprodução)

- Sobre a Bia, me preocupa muito o momento e falo isso abertamente, porque já estive lá dentro e vivi momentos legais e ruins. Ela não pode passar por cima da saúde mental. Preocupa porque ela está de novo sem sorrir em quadra. Porque o sorriso não tem nada a ver com ganhar ou perder. Se ela não tivesse ganho nada, para mim tudo bem, aí é uma pessoa buscando o seu melhor. Mas ela foi dez do mundo duas vezes, teve a semifinal de Roland Garros, quartas do US Open.  Chega de jogar a sujeira para baixo do tapete.  Ou você resolve mesmo o que está acontecendo, ou é melhor parar de sofrer.  Porque não dá para deixar uma menina incrível como ela é  dentro da quadra se arrastando e chorando depois de perder um set. Espero que o próximo técnico seja um cara humano, não que o Rafael Pacciaroni (ex-treinador) não fosse humano. No momento ela precisa de um ombro, de um cara que consiga entrar no coração dela e mostre que tênis é legal pra caramba. 

O ex-tenista profissional Fernando Meligeni no LA Open (Foto: Luiz Pires/Fotojump/Divulgação)
O ex-tenista profissional Fernando Meligeni no LA Open (Foto: Luiz Pires/Fotojump/Divulgação)
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